Aos 83 anos e surpreendente forma física, Tom Zé fará show no Recife neste sábado (7)
Aos 83 anos e surpreendente forma física, Tom Zé fará show no Recife neste sábado (7)Foto: Divulgação

A tropicália e a psicodelia se encontram amanhã no Baile Perfumado, que vai trazer uma edição especialíssima com Tom Zé e a banda Ave Sangria. A Folha de Pernambuco conversou com o baiano de Irará sobre a sua expectativa acerca do show, e ele brincou dizendo que vai retribuir e comemorar a presença de Pernambuco na Bahia, relembrando que a orquestra do Clube Vassourinhas, durante viagem ao Rio de Janeiro, fez uma escala em Salvador na quarta-feira anterior ao Carnaval de 1950, "incendiando" a multidão com seu frevo. "Quem me contou essa história foi [o músico] Heraldo do Monte. Esse desfile praticamente fundou o carnaval da Bahia", gargalha Tom Zé, acrescentando que quer "devolver o carinho dos orgulhosos baianos da capital, apesar de ser do interior". "Tenho muito carinho por Pernambuco, lembro de ouvir os programas daí na rádio, quando era criança. E sempre fui encantado com a música de Caymmi que fala de Dora, a rainha do maracatu", confessa. Leia abaixo alguns trechos de nossa conversa.

Como se sente vindo tocar com a Ave Sangria, uma banda que também tem uma trajetória longa e enfrentou, como você, problemas com censura e perseguição na época da ditadura militar, nos anos 1960 e 1970?

Quando aceitei o convite, não tinha ideia disso. Estou feliz, porque essas coisas todas formam uma espécie de irmandade. Isso cria um prazer de tocar juntos. Vai acrescentando alegrias colaterais que ajudam muito no ânimo do show. Estou ansioso pela apresentação.

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Falando em perseguição, você foi alvo dela em 2013, quando lançou seu EP "Tribunal do Feicebuque". Por conta de ameaças, sua esposa e produtora pediu que deixasse de falar sobre o assunto. Pode relembrar o fato?

Eu saio na rua a pé, aqui no meu bairro. Vou para todo canto dirigindo meu próprio carro. Então, já pensou se os dois milhões de ameaças que recebemos na internet por causa daquele disco se cumprissem? Um dia, cheguei em casa e a Neusa me disse, não quero saber disso, eu só tenho um marido. Tiramos o EP da internet, porque eu não sou artista rico que pode ter uma vida protegida de qualquer ódio popular.

E sobre seus projetos para o futuro?

Na Bahia, existe um provérbio que diz que mulher que fala muito, perde o seu amor. Artista, que é sempre um pouco mulher pela sua sensibilidade, pela maneira de conviver com o mundo e com as coisas, sabe bem disso. Depois de "Estudando o Samba", cada disco meu tem sido um projeto, uma coisa sobre a qual eu componho. Depois de cada disco, eu saio, fico primeiro entre dois planetas, sem nenhuma gravidade e sem o que pensar e o que fazer. Eu já estou com 83 anos e a maneira com que Deus me ajudou é que eu nunca fiz o disco que eu quero fazer. Em todo disco que eu faço, sempre acho uma porção de defeitos. É por isso que eu não parei ainda. E como ninguém aposenta artista, porque não tem aposentadoria compulsória para nossa profissão, eu fico fazendo e refazendo. Agora, contar projeto, isso eu não faço. Quando você conta, não realiza.São os mistérios da profissão.

Os ingressos para o show custam R$ 50 e estão disponíveis para venda nas lojas Passadisco, Disco de Outro, Avesso e no site online Sympla.

Serviço
Baile Perfumado com Tom Zé e Ave Sangria

Sábado, 07 de dezembro de 2019, a partir das 22h
Rua Carlos Gomes, 39 - Prado 

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