Capa do disco ' Estamos Vivos', de Isabela Moraes
Capa do disco ' Estamos Vivos', de Isabela MoraesFoto: Divulgação

Apropriar-se de si, sem os rompantes do desassossego, está entre as bonitezas que o tempo traz (ao artista). O culminar com um pouco de tudo, de cada e de sempre, construído ao longo de uma carreira, se naturaliza, se impõe e chega com força e personalidade, atributos fincados em cada uma das onze faixas do disco da pernambucana Isabela Moraes “Estamos Vivos” (Deck), com lançamento hoje nas plataformas digitais e, em breve, em mídia física. 

“Nesse álbum, me assumo dona de mim. Chego com mais maturidade, experiência nos exercícios da escrita e do canto, do palco e da vida”, conta ela em conversa com a Folha de Pernambuco.

E como diria Juliano Holanda, à frente da produção do álbum e das guitarras e violões das canções, todas elas, aliás, compostas por Isabela, “esse disco é uma espécie de ‘correção histórica’, um registro extremamente necessário dentro do cancioneiro brasileiro. A obra de Isabela é grande e única, testemunho forte de mulher do Agreste que vive seu tempo e o traduz de maneira magistral”. De fato, é mesmo. 

 

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POTENTE

Do começo ao fim, há Nordeste na pujança da voz e Pernambuco no sotaque e na sonoridade da artista caruaruense que imprime suas raízes desde a música de abertura "Ao Redor do Sol", cujo prelúdio da guitarra galopante de Juliano envereda os ouvidos para os caminhos que vêm a seguir em um trabalho cuja base de instrumentistas traz Lui Coimbra e o seu violoncelo, fazendo as vezes de sanfona no xote "Você Distante". 

A bateria de Rapha B, o baixo de Rogê Victor e o dedilhar de Juliano, completam o quarteto entrelaçado ao álbum, tomado também pela percussão de Gilú Amaral e pelo piano de Antonio Adolfo e de Marcelo Jeneci, este último reluzente na faixa que dá nome ao disco.

Isabela segue potente em “Quem Disse”, “Do Contra” e “Quando a Saudade for Te Procurar”, canção levada a capela por ela nos shows, mas que para o disco ganhou contornos que, segundo a própria, a deixaram em transe. “Todas as faixas têm um peso diferente para mim, posso dizer que quando as escrevo tenho um êxtase diferente para cada uma delas. Todas têm uma força e uma história muito particular. O disco tá redondo com todas as canções minuciosamente em seus lugares”, ressalta. “Outra Oração”, “Servi Pra Você”, “Por Nós Dois”, “Vida Real” e a que foi transcrita de um sonho “Pra Nos Perdoar”, cujo mote exalta um “amor ainda em chamas, mesmo depois do rompimento”, completam o disco gestado, “há muitos anos”.


“Mas ele saiu na hora que tinha de ser e exatamente como tinha de ser e com as pessoas que tinham que estar”, completa ela que da foto da capa ao nome do álbum acompanhou tudo de perto e se impôs livre para ser ela mesma em um trabalho maturado pelo tempo, creditado pela gravadora Deck e chegado fluido, pronto e acabado aos ouvidos atentos. "Estamos Vivos" veio para ficar e cravar com maestria nome e o sobrenome de uma artista de peso para a Música Popular Brasileira (MPB). “Foi o tempo todo um disco feito com muita paixão, a paixão da realização da obra", reafirma a cantora, compositora e definitivamente dona de seus próprios palcos.


 

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