Lidiane: barista premiada
Lidiane: barista premiadaFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Em 2017, o entusiasmo com a gastronomia e áreas afins foi ingrediente principal no prato dos pernambucanos. Sintoma inegável dessa recuperação pós-ápice da crise econômica é o fluxo constante de abertura de novos estabelecimentos da área. Restaurantes, lanchonetes, cafeterias. Muita coisa abriu as portas este ano, remando na contramaré do pessimismo que atingiu o setor de alimentos em cidades como o Rio de Janeiro, por exemplo, onde muitas operações fecharam as portas. Alguns segmentos se destacaram ainda mais este ano, e o caderno Sabores registrou tudo.

Xícaras aquecidas
Nunca se falou tanto de café quanto nos últimos meses. A bebida mais consumida no mundo saiu do estado de simples, corriqueira, para o pódio de produto gourmet - com alto valor agregado. O setor de cafés especiais ganhou adeptos e notoriedade. Dados da Organização Internacional do Café (OIC) mostram que o Brasil é o segundo maior consumidor da bebida do mundo, atrás apenas dos EUA. Em 2016, os brasileiros demandaram 20,5 milhões de sacas, uma ligeira alta em relação ao ano anterior, que computou 20,3 milhões de sacas.

O consumo brasileiro per capita, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), é de 6,12 quilos de café verde em grão - o equivalente a 4,9 quilos de café torrado e moído ou 81 litros da bebida. Um pesquisa da Euromonitor, encomendada pela Abic, mostra que em meio à crise econômica de 2016, o consumo da bebida continuou elevado em mais de 50% dos lares pesquisados. Um ponto importante nesses dados: o consumidor fora do lar é o que mais procura café de qualidade.

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Em Pernambuco, o cenário de cafeterias independentes continuou se expandindo. Novas casas abriram, outras ampliaram seus serviços com a instalação de torrefação própria - como o Café do Brejo, o Cordel Cafés Especiais e o Kaffe Torrefação e Treinamento. Além da Grão Cheff, que já nasceu com o serviço. O Café com Dengo, nos Aflitos, comemora dois anos este mês. A procura por cursos na área, oferecidos pelo Borsoi Café Clube e pelo Kaffe, também cresceu. As cafeterias Malakoff Café foram eleitas algumas das mais descoladas no Brasil, e ainda estiveram no ranking das mais bonitas. Ainda teve barista pernambucana eleita "A melhor barista do Brasil": Lidiane Santos arrematou a categoria do prêmio promovido pela revista Prazeres da Mesa.  

Lalá café entre as cafeterias que ampliaram os serviços

Lalá Café entre as cafeterias que ampliaram os serviços - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco


A nova saudabilidade

Comer bem, hoje em dia, significa, antes de tudo, se alimentar com comida limpa, sem conservadores e aditivos. A expressão já não está mais restrita à questão da contagem de calorias. Saudabilidade é questão que vai além das dietas da moda. Em 2017, esse novo posicionamento de um estilo alimentar saudável subiu alguns andares rumo à desmistificação.

Não somente ingredientes orgânicos estiveram em voga, mas produtos feitos artesanalmente ganharam espaço nas prateleiras locais e na mesa do consumidor. Manteiga ghee, caponata, catchup, geleias naturais, mel. Pão preparado com farinhas não refinadas sob fermentação lenta. Tudo feito por pequenos produtores, na Capital ou interior, com o máximo de insumos naturais e o mínimo de intervenção química. Com isso, a saúde esteve mais presente no prato dos recifenses e a cadeia de produtores locais se fortaleceu. Judith Judith, Sabor Vergan, Bambueira Gastrô, Lanche de Luxo e D'guste Produtos Artesanais são algumas das marcas pernambucanas com essa pegada.

O mercado fit também esteve em alta, com lojinhas espocando nos quatro cantos da Capital, tendo como ápice a inauguração da filial na Zona Norte do Greenmix Mercado Saudável e a criação do primeiro clube de assinatura pernambucano focado no público fit - o Mercado Santé.

Lanche de Luxo aposta na produção livre de conservante

Lanche de Luxo aposta na produção livre de conservante - Foto: Leo Motta/Arquivo FolhaPE


O ano da cerveja artesanal 
As cervejarias artesanais podem dizer que 2017 foi um período de firmação. Até junho eram 610 empresas nessa categoria no País e, em apenas cinco meses, foram mais 65 registros, somando 675, segundo a Associação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Abracerva) e Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA). Para o sócio da Cibrew, que produz a cerveja Pernambucana, Pedro Baltar: “a bebida tem se tornado tal como o vinho, porque dentro dos estilos você vai buscando o que mais lhe agrada, podendo harmonizar com diversos pratos. Reflexo de um apreciador mais maduro e exigente nos dias de hoje".

Nesse contexto, as empresas ciganas também cumpriram o papel, ao longo do ano, de fortalecer o mercado. Elas não estão na estatística do MAPA, por se tratar de rótulos produzidos em fabricantes já registrados. A maior parte se concentra nas regiões Sul e Sudeste, mas todas as regiões do Brasil estão investindo nesse tipo de produção. Para o presidente da Abracerva, Carlo Lapolli, “hoje, a maioria dos bares oferece cervejas artesanais em razão da demanda dos consumidores. Muitos bares estão optando por disponibilizar apenas rótulos artesanais independentes ao invés dos comerciais”. 

Lucy Cavalcante, Chiara Rêgo Barros e Gabi Ramos investiram na profissionalização

Lucy Cavalcante, Chiara Rêgo Barros e Gabi Ramos investiram na profissionalização - Foto: Leo Motta/Arquivo FolhaPE

Brasileiros estão mais obesos
Os dados divulgados no primeiro semestre pelo Ministério da Saúde, através do Vigitel, soou o alerta sobre a aumento da obesidade. A pesquisa, realizada entre 2006 e 2016, aponta que o problema cresceu 60% nos últimos dez anos e que 18,9% dos brasileiros estão obesos. A informação repercutiu com nutricionistas que, segundo eles, embora haja mais consciência em relação à importância de se ter qualidade de vida, a prática de exercícios físicos e o consumo alimentar saudável precisam se tornar frequentes para deter os excessos à mesa - ato que persistiu ao longo deste ano.

Segundo a nutricionista Fátima Padilha, a atenção também se voltou para a obesidade na infância e na adolescência, "que está se tornando um problema cada vez mais frequente. A questão, nessa fase, tende a prevalecer na vida adulta. Sendo assim, os problemas com grande impacto se relacionam a diabetes, hipertensão, dislipidemia, colelitíase, doenças cardiovasculares, entre outras", explica. 

Obesidade e a briga com a balança

Obesidade e a briga com a balança - Foto: Leo Motta/Arquivo FolhaPE

Veganos têm cardápio garantido 
Ainda não há dados oficiais sobre o número de veganos no Brasil. A estimativa, no entanto, é a fatia de 4% da população seguindo essa filosofia que abraça mais gente a cada ano. Não é à toa que os restaurantes investiram pesado no cardápio de opções veganas nos últimos meses. Na prática, além da produção tradicional das casas, está mais fácil encontrar pedidas livres de origem animal, sinalizadas de maneira clara e objetiva. Teve hamburgueria lançando sanduíche de berinjela (Kangaroo); japonês apostando no sushi de legumes (Quina do Futuro, Yutake e Go! Sushi Bar); restaurante de frutos do mar com moqueca de banana-da-terra (Camarada Camarão); poke com cogumelos (Lono); e prato com nhoque de banana-da-terra, couve, raspa de limão e farofa crocante de alho-poró (Le Chef).

Isso, sem falar nos festivais realizados em food trucks, com operações servindo pratos livres de carne, eventos de demonstração culinária e palestras sobre esse estilo de vida. Por trás do balcão, quem se dedica às preparações defende que a demanda aumentou tanto por quem adere ao veganismo, quanto por quem passou a enxergar essa consumo como um ato saudável.


Kangaroo: hambúrguer de berinjela para veganos

Kangaroo: hambúrguer de berinjela para veganos - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco


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