Danillo Coêlho
Danillo CoêlhoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Quando encarou a quarta temporada do The Taste Brasil, no canal pago GNT, o chef pernambucano Danillo Coêlho não imaginava que iria chegar tão longe na competição. De cara, entrou para o time do chef Claude Troisgros. Seguiu firme nas eliminações e ficou entre os cinco finalistas do programa. Mesmo sem colocar as mãos no troféu do reality, fez dessa passagem o fato mais transformador da carreira, segundo ele.

O que te levou a participar de um programa que desafia os limites na cozinha?


Eu nunca me interessei em participar de realities por achar que não fosse algo tão fiel à realidade. Mas o que mais me motivou foi o fato de gostar muito dos jurados. Respeito os chefs André Mifano, Helena Rizzo, que já trabalhei com ela, Felipe Bronze e Claude. Além disso, todo mundo que estava ali queria fazer algo novo e diferente para ser melhor e criativo a cada episódio. Foi também uma certa legitimação. De renovar a confiança de que se está no caminho certo, segundo a opinião de pessoas que respeito muito. Isso porque a gente vai aprendendo a encontrar uma linguagem que você precisa dessas pessoas dizendo se está funcionando ou não.

Durante o programa qual foi a sua maior superação para chegar até a final?

Chegar na final entre os cinco dos 16 participantes foi espetacular. Todo mundo lá cozinhava muito bem, cada um na sua forma e linguagem. Não dá para dizer que é um programa só de comida. É um jogo muito mais psicológico do que de técnica de cozinha, é um pouco dos dois, claro, porque no final é o sabor que prevalece, mas, se você não está num bom dia, a sua comida não sai boa e isso te derruba. Então meu maior desafio era acordar todos os dias com o mesmo ânimo.

Nos bastidores, como era a relação entre os concorrentes e entre os cozinheiros e seus mentores?

A gente assiste à TV e não vê 10% do que as pessoas fazem para aquilo tudo acontecer. Muita gente acha que o programa é uma horinha só, mas tem muita coisa por trás. Nossa relação com os mentores era muito interessante, porque estar trabalhando no restaurante deles faz você estar ali para melhorar sua capacidade de ser um cozinheiro mais técnico para entregar melhor a comida daquele chef, enquanto estar num programa desse é o oposto. É você pegar os conselhos mais valiosos e importantes dos mentores a seu favor e fazer a sua comida ser a melhor. Já com os os outros competidores, a gente trocava ideia antes dos episódios e tentava se ajudar muito. Sem achar que estava entregando o ouro a alguém.

Leia também:
Chefs pernambucanos estarão na Casa do Porco
Chef e apresentador Anthony Bourdain morre aos 61 anos
Conheça trabalhos que são 'fora da curva' na gastronomia


E qual seria a maior curiosidade dessa quarta temporada?


Às vezes, eles passavam muito mais tempo falando da gente e da comida do que as pessoas imaginam, já que o programa tem que ter uma hora só. Mas passamos muito tempo juntos e criamos uma proximidade grande, falando também muita besteira para o clima ficar mais leve, como cantar no camarim.

E o que você leva de aprendizado com o término do programa?

Tenho certeza que saí um cozinheiro melhor. De saber lidar com as limitações e fazer algo criativo, surpreendente e com sabor. É uma colher, né? Então faz com que você seja muito preciso. Também aprendi a ser um cozinheiro que trabalha mais com contrastes e combinações, além de se desapegar de algumas amarras que a gente tem de tradições e regionalismos e abraçar novos sabores. O arriscar é o mais importante. Ninguém consegue se destacar fazendo o mesmo que os outros.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: