Na mesa, o camarão faz a casadinha perfeita com a bebida
Na mesa, o camarão faz a casadinha perfeita com a bebidaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Quem acha que bom vinhotinto, vale dar uma segunda chance à prateleira dos rosés. A bebida, conhecida entre os tons laranja e salmão, oferece atrativos além da coloração brilhante apresentada em taça. Não à toa, é a opção que vem crescendo 20% em consumo no mundo, desde 2002, segundo levantamento do Conseil Interprofessionnel des Vin de Provence. Nada pouco quando se fala de um produto ainda visto sob olhares desconfiados e atentos a qualquer deslize fora da garrafa.

“Eles viveram uma época obscura nos anos 90, muito por causa da má fama dos produtos da época. Tinham baixa qualidade e eram levemente adocicados. Mas dos anos 2000 em diante, começaram a renascer e, nos últimos três anos, cresceu essa tendência pelos rosés no estilo da Provença, aqueles com a coloração bem clarinha. Talvez, também pelo boom do turismo na Riviera Francesa”, resume a sommelière Amanda Loyo, que constatou o aumento da produção mais especificamente de 2016 para cá, quando visitou vinícolas em Lisboa. “O mercado estava pedindo. Hoje, beber rosé é fashion, é cool”, aponta.

Justiça seja feita. Trata-se de um estilo bem menos pretensioso do que os consumidores imaginam. O líquido roseado carrega o frescor e a leveza do vinho jovem, com pouquíssimo tempo de guarda e, portanto, para utilização quase imediata. Só assim, é possível notar corretamente a leveza e o toque frutado, sem perder a adstringência que ele dispõe. Para ter uma ideia, experts no assunto aconselham não escolher um rótulo com tempo de safra superior a três anos. Menos ainda esperar muito tempo para abri-lo. É o imediatismo feito sob medida para esse calor que abate o ano todo no Nordeste. O que antes era um símbolo adocicado e com peso alcoólico, hoje é fresco e floral.

Ainda segundo Loyo, para chegar a essas características, deve-se levar em consideração as quatro formas básicas de produção, sendo as mais conhecidas por sangria e maceração curta. “Na primeira, o vinho começa a ser feito como tinto e, em certo momento, uma parte do mosto é removido, deixando o vinho tinto mais concentrado e gerando rosés mais intensos. Na maceração curta o mosto permanece em contato com as cascas por algumas horas até chegar na cor desejada e então ele é separado das partes sólidas e finalizado como se fosse um vinho branco. E não há muito como saber qual o método utilizado pelo produtor, sem olhar a ficha técnica. Não é o tipo de informação que vem no rótulo”, explica. Também não pense que ele é envelhecido em madeira. Raramente isso acontece. Como já deu para notar, a França é a maior produtora mundial, seguida de Espanha, Estados Unidos e Itália.

Na mesa, a harmonia perfeita!
Onde os brancos não conseguem chegar, lá estarão os rosés. Isso acontece porque eles têm menos tanino e mais frescor. “São mais leves que o tinto e mais estruturados do que o branco. Gastronomicamente são mais completos, com uma estrutura que pode harmonizar com um leque maior de produtos do que nas outras opções”, adianta o enólogo da Rio Sol, Ricardo Henriques.

Leia-se a capacidade perfeita de ficar lada a lado com aperitivos, saladas e peixes. A depender da variação do rosé, como alguns produzidos na Itália, a acidez se faz presente e ele pode cair bem com massas à base de molho de tomate caseiro e alimentos amanteigados. Isso, sem falar em “frutos do mar com comidas mais condimentadas, como tailandesa e mexicana. Também com salmão e pato, por exemplo”, diz Amanda Loyo.

De olho nas possibilidades, o proprietário da Casa Chacon, no Paço da Panela, Ricardo Pedrosa, preparou um festival de camarão em que todo o cardápio harmoniza com vinho. “Vai até o final do mês, podendo se estender um pouco mais”, anuncia, animado com a boa aceitação do seu cardápio e das pedidas da adega. O crustáceo sai desde a versão que recheia a empada com queijos (R$ 8,90) até um arroz sertanejo que mistura os pedaços do camarão ao feijão verde, mais cubos de queijo de coalho e bacon (R$ 23,90).

Rosé combina com petiscos amanteigados, como empada de camarão

Rosé combina com petiscos amanteigados, como empada de camarão - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Vinho na latinha? Temos
Se até aqui você já notou que este é um vinho para quem pensa fora da caixa, anote mais uma: ele também pode ser envasado em lata. A novidade, que surgiu nos Estados Unidos em 2008 ganhou o mercado internacional e aterrissou no Brasil há pouco tempo. A ideia, segundo os fabricantes, é alcançar um público jovem que dispensa certas formalidades em torno da bebida, através da facilidade de transporte, do resfriamento rápido e dos sabores menos complexos. É o tipo de produto que se deve provar, antes de torcer o nariz.

Ainda na Casa Chacon, o item gringo sai aos montes, mesmo estando perto das embalagens convencionais. É, no mínimo, curioso. “Surpreendeu até as nossas expectativas”, diz Pedrosa, que garante ter uma boa quantidade em estoque. A garrafinha com rótulo colorido e estilo descolado, de 300ml, que serve pouco mais de uma taça, sai a R$ 19,90. É da vinícola australiana Barokes, que aposta todas as fichas numa linha charmosa chamada Lovers Wine.

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Embora não seja um item fácil de encontrar nas prateleiras do Recife, no mundo virtual o vinho em lata segue com possibilidades. A vinícola californiana Coppola, por exemplo, relançou o seu rótulo Sofia em lata de 187ml, que pode ser comprada a unidade ou em caixas com quatro latinhas, nas variedades Pinot Blanc, Sauvignon Blanc e Muscat. No Brasil, a vinícola Giaretta, na Serra Gaucha, vende na internet o rótulo Ovnih, cuja latinha do rosé, com 269ml, sai a R$ 11,90 mais taxa de frete.

Adega abastecida:
Empório 4 elementos
Informações: 3034.3040

Woodbridge
Vinícola: Robert Mondavi (Califórnia)
Uva: zinfandel
Preço: R$ 63,90

Fleur Passion
Vinícola: Ravoire & Fils (Cotês de Provence)
Uva: Grenache, Cinsault e Syrah
Preço: R$ 75

J. Bouchon - Reserva Rosé
Vinícola: J. Bouchon (Vale do Maule - Chile)
Uva: Cabernet Sauvignon e País
Preço: R$ 89

Empório Tia Dulce
Informações: 3429.2263

Casal Garcia Rosé
Vinícola: Aveleda (Portugal)
Uva: Vinhão
Preço: R$ 38,90

JP Azeitão Rosé
Vinícola: Bacalhôa Vinhos de Portugal (Península de Portugal)
Uva: Syrah
Preço: R$ 42,90

Tamari Reserva Rosé

Vinícola: Bodega Tamarí (Mendoza - Argentina)
Uva: Pinot Gris e Sauvignon Blanc
Preço: R$ 59,50

The Black Angus Shopping Recife
Informações: 3031.8001

Vinho Rosé Berne Esprit Méditerranée
Vinícola: Château de Berne (Méditerranée - França)
Uva: Corte
Preço: R$ 89,90

Tramari
Vinícola: San Marzano (Puglia - Itália)
Uva: Primitivo
Preço: R$ 84,90

Berne Romance Rosé
Vinícola: Chateau de Berne (Provence, França)
Uva: Cinsault, Grenache
Preço: R$ 99,90

RM Express
Informações: rmgrupo.com.br

Miolo Seleção Rosé
Vinícola: Miolo (Campanha, RS)
Uva: Cabernet Sauvignon e Tempranillo
Preço: R$ 32,50

Sancha Lichine
Vinícola: Chateau D'Esclans (Sul da França)
Uva: Grenache
Preço: R$ 94,80

 

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