Obesidade
ObesidadeFoto: Arte/Folha de Pernambuco

O último relatório da revista médica britânica “The Lancet” diz que entre os maiores desafios para a saúde humana e ambiental deste século está a obesidade. O problema, que já atinge mais de dois bilhões de pessoas no mundo inteiro, deve ser visto sob a ótica da chamada ‘sindemia global’, ainda segundo os autores da publicação. O termo se refere à questão associada a outras duas situações preocupantes: à desnutrição e às mudanças climáticas, que, juntas, resultam inúmeras mazelas para a sociedade.

Num primeiro momento, você pode se perguntar como esses três problemas convergem para um só. A resposta, de acordo com os especialistas, vem pela maneira como as pessoas lidam com a alimentação, geralmente tomadas pelos extremos. Seja comendo demais ou de menos. Para se ter uma ideia, quase um bilhão de pessoas no mundo passa fome ou está desnutrida. Já do ponto de vista ambiental, a revista diz que os efeitos se agravam com as mudanças climáticas, porque isso afeta diretamente a produção e distribuição dos alimentos. Razão para os pesquisadores defenderem que os órgãos internacionais tratem a questão como uma “tripla pandemia”.

Novos estudos
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que pouco mais de 18% da população acima de 18 anos é obesa. Um quantitativo superior ao último levantamento realizado em 2006, que registrava em torno de 10%. Um aumento significativo, que tem levado os profissionais de saúde a se debruçarem ainda mais sobre a origem e solução do problema.

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O nutrólogo Jêmede Valença diz que o meio científico não para de descobrir novidades em relação ao tema. “Hoje, sabemos, por exemplo, que há uma relação com a flora bacteriana do aparelho gastrointestinal, tanto que, na China, já existem estudos experimentais com modalidades de tratamento nesse contexto”, afirma. Outra pesquisa mostrou que, durante a gestação, as mulheres com níveis baixos de vitamina D tinham maior propensão a desenvolver fetos com maior número de células de gordura. Ou seja, seus filhos teriam maior tendência ao acúmulo de gordura.

“Com relação às questões genéticas, há 20 ou 30 genes identificados com a obesidade que irão interferir no metabolismo de diversas substâncias, em hormônios como insulina, grelina e adiponectina, que agem nos mecanismos de fome, saciedade e termogênese”, ressalta Valença, que também faz um alerta para os chamados ‘falsos magros’ ou pessoas com índices de gordura altos. “Eles têm massa de gordura visceral e corporal elevados e pouca musculatura. Por conta disso, o peso aparece dentro da normalidade, mas, na verdade, há excessos de gordura com seus efeitos inflamatórios”, alerta. Quando não levado a sério, a partir de mudanças nos hábitos de vida, aumentam as chances das doenças cardiovasculares e dos problemas no fígado.

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