Filé mignon entre as preferidas do momento
Filé mignon entre as preferidas do momentoFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

É de olho nas demandas do momento que as modas aparecem em todo lugar. Enquanto algumas se estabelecem e contam sua própria história, outras abrem terreno para produções repaginadas com a intenção de “pegar”. Entre uma garfada e outra, essas novidades surgem à mesa ligadas a duas palavras em alta na gastronomia dos dias de hoje: experiência e bem-estar. Elas desenham as produções a seguir e mandam avisar que o público não quer a mesmice de tempos atrás.

Com sotaque gringo
A deep dish é o prato com o qual você mais se depara nas redes sociais num dia como o domingo. A tal pizza agigantada, traduzida como prato fundo, tem borda alta e mais de um quilo de cobertura, hipnotizando através do queijo que se esparrama no prato. É o auge da fartura, originada em Chicago, nos Estados Unidos, ainda na década de 1940, em uma pizzaria da cidade.

O prato típico americano é, sem dúvida, a “novidade” mais reproduzida hoje nas casas recifenses. Tem sido assim desde o começo do ano, quando a Forneria 1121 sugeriu essa grande notável aos comensais do Festival American Food. Entre fotos, vídeos e comentários eufóricos no Instagram, um viral perfeito para o público comprar a ideia sem medo de caloria. Não à toa já é um dos mais procurados em lugares como o Parque da Pizza, na Zona Sul do Recife, conhecido por produções tradicionais da redonda. “Lançamos há apenas três meses e já representa cerca de 10% da venda. E vem crescendo. A estimativa é que chegue a igualar o volume de vendas das pizzas normais”, aponta o proprietário Rubens Kawahara, que diz inovar ao sugerir os tamanhos pequeno, médio e grande.

Deep Dish do Parque da Pizza

Deep Dish do Parque da Pizza - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Quem também comemora a rápida aceitação é o empresário Eduardo Henriques, da Prima Deli, também localizada na Zona Sul. A deep dish circula por lá há apenas dois meses e já estimula sua saída por delivery nos próximos dez dias. São quatro sabores disponíveis diariamente no almoço e jantar. Neste mês de agosto, a de pepperoni, com 1,5 kg, sai por R$ 69,90. Já a de carne seca com queijo de coalho custa R$ 89,90. “E, em breve, teremos mais algum sabor”, adianta entusiasmado.

Onde comer:

Parque da pizza
Instagram: @parquedapizza
Clock Restaurante
Instagram: @clockrestaurante
Prima Deli
Instagram: @primadelirestaurante
Forneria 1121
Instagram: @forneria1121
Donna Massa
Instagram: @donnamassaolinda
Pasta e Pesto Pizza
Instagram: @pastaepestopizza

Doce em alta
Bastou o chocolate rosa chegar no mercado brasileiro, em janeiro deste ano, com o apelo de primeira inovação desde o lançamento do tipo branco, depois de quase um século, para os confeiteiros ficarem inquietos. A patente é da processadora mundial de cacau Barry Callebaut, que descobriu grãos da fruta específicos na Costa Rica, Equador e Brasil. Resultado: um chocolate de toque frutado e cor impactante. Para se ter uma ideia, a pedida entrou no cardápio da Cake & Bake só para marcar seu lançamento em território nacional e, desde então, não saiu mais da produção. “Hoje, está entre os clássicos de venda. Ou seja, precisa sempre ter bolo dele na vitrine”, garante a sócia Paula Ardanza, apontando o seu top cinco.

Do outro lado da prateleira, a banoffee é sugestão que não para de atrair olhares. A sobremesa inglesa, criada no século 20, com massa de biscoito, banana, creme e caramelo, embora seja comum no Sul do Brasil, volta a agradar o paladar recifense pelo seu conjunto de textura e sabor. Para a confeiteira Helveny Neto, essa é a menina dos olhos de um menu bem estruturado. “Trabalho com banoffee desde 2016. Na época, representava apenas 0,3% das vendas. Agora, corresponde cerca de 45%, somando o fornecimento para cafés e pessoas físicas”, comemora, ao apontar crescimento gradativo. “Quando as pessoas comiam pela primeira vez, logo viravam fãs e, assim, foi ganhando fama de boca em boca”, observa.


Carne com nobreza
A palavra-chave por trás do boom da carne nobre é procedência. Em meio a cortes com nomes difíceis de pronunciar está a certificação do gado, que entrega um subproduto mais suculento e saudável. Segundo o responsável pelo setor de carne e hambúrguer do grupo Faaca, Hênio Luiz, as tendências chegam mesmo com a força de uma onda. “Quando iniciei o projeto em 2015, já observando esse mercado fora do Estado, alguns empresários e profissionais buscaram também se especializar na área e viram que era um bom negócio”, aponta. Em dois anos, o Faaca abriu cinco lojas e três deliveries.

Mas as opções não param por aí. The Black Angus, Spettus e Tapa de Quadril estão entre esses lugares voltados para a boutique de carne premium. Insumo que não circula apenas no salão refinado de restaurante, mas nas hamburguerias que surgiram ligadas ao termo gourmet e se fixaram pela versatilidade do insumo.

Leia também:
Como a França revolucionou a gastronomia
Além da gastronomia fit
[Fotos] Quem faz a gastronomia pernambucana

Saudabilidade
Nunca se falou tanto em dieta low carb, produtos glúten free e itens zero lactose como agora. Cada um aparece a seu modo no cotidiano, impulsionado pelas definições da saudabilidade. Até mesmo a filosofia vegana, que vai além da dieta restrita de proteína animal, ganhou simpatizantes atentos aos benefícios da digestão livre de carne vermelha. A comida funcional, capaz de produzir efeitos metabólicos, também retomou seu fôlego e ganhou espaço cativo na alimentação dentro e fora de casa. Eis a temporada de abacate, chia, goji berry e outros ingredientes de alto valor nutricional.


A onda que ficou
Novidades à parte, alguns clássicos seguem intactos na preferência à mesa. É o caso do steak tartare e sua carne crua trazendo os ares da França para as bandas de cá. Até certo tempo, o requinte máximo no cardápio recifense. Agora, surfa ondas tranquilas ao lado de pedidas como petit gâteau e carpaccio. Segundo o professor de gastronomia da faculdade Senac-PE, Robson Lustosa, o que garante a persistência dessas receitas é a forma como elas foram sendo reinventadas ao longo do tempo.

“Para um prato fazer parte da cultura regional, ele precisa ser replicado e entrar na relação de consumo e produção. É alcançar o gosto e cultura alimentar, ao mesmo tempo em que permite as pessoas dominarem técnicas para sua reinterpretação. Aconteceu com o tiramisù e o petit gâteau, que também pode ser de bolo de rolo, doce de leite ou Romeu e Julieta. Por que não?”, explica Lustosa. É quando o modismo sai de cena e o assunto passa a ser tendência.

Mais algumas modas gastronômicas

Burrata
Típico da Puglia, na Itália, esse é um queijo com formato de bola parecido com a muçarela de búfala. A diferença está na sua cremosidade e no recheio de creme fresco. São os atrativos perfeitos para uma sugestão de entrada que se multiplica nos cardápios de inspiração italiana no Recife.

Gim
A bebida holandesa, que fez fama em território britânico no século 17, mantém o posto de queridinha dos bares locais, há pelo menos três anos. Depois de um hiato no começo dos anos 2000, tem seu consumo atualmente estimulado por grandes marcas.

Pão de fermentação natural
Também ligado à saudabilidade, esse pão tem história milenar, mas discurso contemporâneo. Possui bactérias benéficas ao intestino, ao mesmo tempo em que sua composição, livre de aditivos industriais, favorece a digestão. O sabor levemente ácido ainda fortalece seu uso nas preparações gastronômicas.

 

 

Filé mignon entre as preferidas do momento
Filé mignon entre as preferidas do momentoFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Carpaccio de cenoura  é opção revisitada  de um clássico
Carpaccio de cenoura é opção revisitada de um clássicoFoto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

veja também

comentários

comece o dia bem informado: