Em endereço novo, restaurante libanês mantém espírito simples, porém aconchegante
Em endereço novo, restaurante libanês mantém espírito simples, porém aconcheganteFoto: Ed Machado

A distância continental entre a Bahia e o Líbano não impediu o cruzamento dessas duas potentes culturas. Me faço entender melhor. Foi em Itabuna, no interior do estado nordestino, onde a família imigrante Rihan estabeleceu morada em 1922 e perpetuou os temperos da sua terra natal - conhecida pela cozinha aromática, colorida, fresh e saudável.

Há alguns anos, a geração mais jovem de descendentes desembarcou no Recife para não mais sair. Ganhamos nós com a vinda de Caio Rihan, arquiteto de formação, mas que deixou de lado a profissão para reproduzir o livro de receitas da avó libanesa. Receitas essas que conhecemos, pelo menos em parte, através do cardápio do ótimo restaurante Rihan Culinária Árabe, que acabou de migrar do Cordeiro para Casa Forte.

Isso foi em 2016, quando Caio co­meçou a produzir quibe sob encomenda inspirado na receita da ma­triarca da sua família. Casas co­mo Central, Meio do Mundo Bistrô e o bar Largura foram alguns dos seus primeiros clientes. O quitute ganhou fama e a demanda cresceu, a carta de fornecimento aumentou, e já não era possível manter a produção dos quibes dentro de casa, e Caio decidiu mudar a cozinha para outro lugar.

Ao longo dessa curta caminhada, Tiago Nobre e Erick Pereira se juntaram ao empreendimento, possibilitando a expansão da fabricação de quibes e, acima de tudo, a montagem de um restaurante com ares domésticos, com cara de casa de família, simples, mas acolhedor no bairro do Cordeiro.

Surgia, então, a primeira versão do Rihan, que conquistou clientela de todo o Recife, principalmente da Zona Norte da Capital.

Maior e melhor
E, portanto, conta Caio, já não eram só os quibes feitos com triguilho integral e carne bovina, mais vinagrete, de 120g (R$ 9,50) os únicos astros da nova casa libanesa. Esfihas com labanie (a tradicional coalhada seca), com ou sem carne, R$ 9,50, chegaram para compor a categoria de mezze - seleção de entradinhas -, assim como a tábua rihan, um dos carros-che-fes do restaurante, para compartilhar, espécie de combo com pão sírio e três pastas: babaganuche (berinjela assada ou grelhada, mais tahine - pasta de gergelim), coalhada seca e hommus (à base de grão-de-bico), mais uma minisalada fatouche (alface, pepino, rabanete, cebola, hortelã).

É uma boa opção para petiscar e conversar, sem se preocupar com o correr do tempo. E o melhor, o preço: R$ 25.

Há pouco mais de um mês, o Rihan tomou novo rumo - novamente. Lembra que falei que a clientela dos bairros da Zona Norte era predominante? Ela foi, segundo Caio, a principal responsável pela nova mudança de endereço do restaurante. Agora funciona em Casa Forte, perto das Ubaias, no ponto do extinto Cucina D´Carli.

O jeitão improvisado da casa do Cordeiro deu lugar a uma infraestrutura pensada, de decoração discretíssima, mas bastante agradável, cujo terraço ainda é pet friendly. Quando estive lá, o salão estava lotado e havia uma pequena fila de espera. Coisa bonita de ver em tempos de arroxo financeiro.

No prato, porém, as mudanças foram poucas. O trio de sócios manteve o escopo do menu que, além das sugestões já citadas na matéria, ainda vale destacar alguns pratos que fazem muito sucesso. O shawarma é um deles.

O sanduíche é feito com pão folha, hommus, alface, tomate, cebola, pepino, rabanete, repolho roxo refogado e tahine, com recheio à escolha: falafel (R$ 22), frango (R$ 24), carne bovina (R$ 26) e cordeiro (R$ 28).

Não fique sem provar o shish barak (R$ 35), servido como prato principal, um ensopado de iogurte natural com trouxinhas de massa fresca recheadas com carne de boi, acompanhado por um quibre frito.

A criação é de Caio, que dá os seus toques para adaptar determinadas receitas. O ensopadinho de carneiro é outra dica para explorar a cozinha familiar do Rihan.

O prato consiste na carne cozida em baixa temperatura, preparada com cinco especiarias, e acompanhada com pão e saladinha (R$ 35). A viagem pela cozinha libanesa com sotaque baiano segue com os tradicionais tabule e kafta, quibe cru, charutinhos na folha de couve e quibe de forno.

Líbano no prato
A culinária desse país do Oriente Médio é o resultado de importantes influências. Povos mediterrâneos e europeus, sobretudo, deixaram traços culturais visíveis desde o século 16 até hoje. Dos turcos, herdou as frutas secas, a labanie, vegetais recheados, pão e azeite, por exemplo.

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Outra característica essencial ainda é o uso abundante de condimentos como cominho, páprica, pimenta, canela, cravo, açafrão. A cozinha do Líbano é um presente arrebatador ao paladar e que tem um porto seguro para chamar de seu no Recife.

SERVIÇO
Rihan Culinária Árabe
Endereço: rua Jader de Andrade, 163, Casa Forte
Informações: 3019.2843

Em endereço novo, restaurante libanês mantém espírito simples, porém aconchegante
Em endereço novo, restaurante libanês mantém espírito simples, porém aconcheganteFoto: Ed Machado
Esfihas de labanie (coalhada seca) são especialidades
Esfihas de labanie (coalhada seca) são especialidadesFoto: Ed Machado
A essência do Rihan: quibes à base de triguilho integral e carne, mais vinagrete
A essência do Rihan: quibes à base de triguilho integral e carne, mais vinagreteFoto: Ed Machado
Tiago Moreira e Caio Rihan: dois dos sócios que tocam a casa
Tiago Moreira e Caio Rihan: dois dos sócios que tocam a casaFoto: Ed Machado

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