Dan Stulbach interpretou diversos tipos de personagens ao longo da carreira
Dan Stulbach interpretou diversos tipos de personagens ao longo da carreiraFoto: TV Globo/Divulgação

O realismo fantástico das novelas de Aguinaldo Silva moldou a atuação de Dan Stulbach. Desde meados dos anos 1980 e ao longo de toda a década seguinte, o intérprete do ambicioso Eurico de "O Sétimo Guardião" acompanhou e foi influenciado pelos trejeitos de personagens como Sinhozinho Malta, encarnado por Lima Duarte em "Roque Santeiro" (obra de Dias Gomes na qual Aguinaldo era coautor), o sonhador Ascânio, vivido por Reginaldo Faria em "Tieta", ou o esperto Pitágoras, de Ary Fontoura, em "A Indomada".

Leia também:
Netflix apresenta elenco de série produzida em parceria com KondZilla
Sofia Vergara, de 'Modern Family', é a atriz mais bem paga da televisão
Série 'One day at a time' tem terceira temporada disponível


"De uma forma muito especial, são novelas que despertaram em mim a vontade de realmente investir na carreira de ator. Gosto de personagem de composição e esse tom de fantasia é propício para uma atuação mais elaborada", avalia.

Leia também:
Dan Stulbach e Lilia Schwarcz apresentam programa da Band sobre história
'Hoje em dia não daria para escrever uma novela como Tieta', diz Aguinaldo Silva
Ex-advogado do autor Aguinaldo Silva pede indenização de R$ 1 milhão

No entanto, quando começou a se envolver com a tevê, no início dos anos 2000, Dan logo percebeu que o gênero havia dado sinais de cansaço e estava temporariamente fora dos planos da Globo e dos autores da casa. Por conta disso, integrar o elenco da atual novela das nove é motivo de orgulho para o ator. "É como se eu estivesse realizando um sonho de juventude. Falei isso para o Aguinaldo quando ele me ligou falando que tinha escrito um papel para mim", assume o ator.

Foi por conta da relação próxima que mantém com Aguinaldo que Dan adiou férias e projetos teatrais. Após meses dedicados ao denso Eugênio de "A Força do Querer", Dan estava pronto para voltar à vida independente de um ator que negocia seus contratos com a Globo por obra. Até que a ligação do autor e a negociação de um vínculo de prazo longo com a emissora mudaram seus planos.

“Aguinaldo me chamou para fazer sucessos como 'Senhora do Destino' e 'Fina Estampa'. Gosto do jeito irônico da assinatura dele. Só não fiz as outras novelas porque a agenda não permitia”, destaca. Assim que confirmou sua escalação, Dan correu para o Youtube para rever cenas clássicas e se inspirar um pouco para viver o prefeito da pequena e fictícia Serro Azul. "Foi um processo muito divertido. No momento em que eu achei que poderia estava deixando o Eurico teatral demais, recorri ao noticiário e vi que eu não estava exagerado na postura e no discurso", diverte-se, entre risos.

Ao longo dos capítulos, Dan se surpreendeu com a troca de lado do personagem. Inicialmente, o prefeito era um dos guardiões da fonte milagrosa que centraliza a história de "O Sétimo Guardião". Entretanto, a cobiça falou mais alto e ele traiu o clã ao se aliar com Valentina, vilã de Lília Cabral.

"Eu sabia que ele tinha lá suas maracutaias, mas foi realmente inesperada essa virada do Eurico. Foi ótimo porque ele ganhou outras nuances", acredita. De porte alto, olhos claros e cara de bom moço, Dan logo acabou tendo de lidar com galãs heroicos e sem tanta complexidade.

Para o ator, o tom cômico do atual personagem é mais que bem-vindo e o ajuda a diversificar seu currículo na tevê. "Eu não sou um cara sério. Mas faço personagens muito sérios. Queria quebrar um pouco essa mesmice e estou conseguindo fazer isso com o Eurico. Gosto de trabalhar nesse tom a mais que a comédia proporciona", valoriza.

Paulistano e torcedor do Corinthians, a ligação de Dan com a atuação começou nas peças amadoras do Colégio Rio Branco, tradicional escola da capital onde estudou boa parte de sua vida. Apaixonado pelos palcos, estreou profissionalmente aos 20 anos, mas demorou a entrar na televisão. "Não me sentia acolhido, os convites não eram tão interessantes. Então, eu ficava apenas no teatro mesmo", justifica.

Depois de pequenas participações em séries e novelas, o ator ficou conhecido nacionalmente em 2003, ao dar vida ao violento Marcos de "Mulheres Apaixonadas". A partir daí, desenvolveu uma íntima e criteriosa relação com a tevê, onde acumula papéis de destaque em novelas como "Senhora do Destino", de 2004, e séries como "Queridos Amigos", de 2008, e "Som & Fúria", de 2009.

"A maturidade me trouxe outra perspectiva sobre a atuação. Dizer ‘não’ para um convite define mais minha carreira do que os trabalhos que aceitei fazer. Ter a rédea sobre o que quero e me estimula é importante", acredita.

Microfone ligado

A experiência de Dan Stulbach com o rádio surgiu da vontade de fazer algo despretensioso ao lado dos amigos José Godoy, Rodrigo de Moraes e Luiz Medina. No ar pela rádio CBN desde 2006, o "Fim de Expediente" consolidou-se no "dial" e já recebeu convites para ser adaptado para a tevê. "Fiquei com o pé atrás de levar o programa para o vídeo. O rádio foge da ilusão da TV. Não preciso me maquiar para apresentar. É onde a opinião é mais importante que a imagem", filosofa.

Aos poucos, entretanto, Dan começou a mostrar sua porção apresentador no vídeo. Em 2014, por conta de sua atuação no rádio e breves participações em programas da tevê à cabo, Dan foi escalado como apresentador substituto no "Encontro com Fátima Bernardes". Em seguida, comandou produções como o "Papo de Segunda", do GNT, e a última temporada do "CQC - Custe o Que Custar", da Band.

"Apresentar envolve riscos. É o momento onde não tenho um personagem para me defender. Entender os anseios dos convidados, da audiência e fazer a coisa toda funcionar é algo que me instiga muito", garante.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: