Renato Góes interpreta Jamil em 'Órfãos da terra'
Renato Góes interpreta Jamil em 'Órfãos da terra'Foto: TV Globo/Divulgação

Quem vê Renato Góes emendando protagonistas na Globo pode até pensar que ele caiu nas graças da direção da emissora recentemente. Mas faz algum tempo que o ator batalha por reconhecimento e seu próprio espaço. A primeira experiência na televisão aconteceu em uma pequena participação em “Pé na Jaca”, de 2006.

Dois anos depois, integrou o elenco de “Água na Boca”, da Band, chegou a trabalhar como apresentador do “Comentário Geral”, da TV Brasil, e acumulou alguns pequenos papéis em tramas como “Cordel Encantado”, “Joia Rara” e “Balacobaco”, esta última da Record. Foi através de “Velho Chico”, em que deu vida a Santos na fase jovem - protagonista vivido por Domingos Montagner na fase adulta - que Renato começou a chamar mais atenção.

A partir dali, foi alçado ao posto de protagonista em “Os Dias Eram Assim”, função que também assume em “Órfãos da Terra”, na pele de Jamil. Porém, mais do que encarnar o personagem principal de uma novela, o ator destaca a importância de falar sobre os refugiados através da atual trama das 18 horas, que está em sua reta final.

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Na novela escrita por Thelma Guedes e Duca Rachid, Jamil começou trabalhando para o mau-caráter Sheik Aziz Abdallah, papel de Herson Capri. Mas, ao conhecer Laila, de Julia Dalavia, passa a enxergar as maldades do patrão e muda de vida. “Esse romance é um ponto de virada na vida de Jamil. Por isso, ele corre atrás desse amor e passa por cima de tudo”, salienta.

Você vem vindo em um crescente e se tornou um dos protagonistas da nova geração da Globo. O que “Órfãos da Terra” representa em sua trajetória?

Tudo acontece na minha vida para que eu esteja nos lugares certos e com as pessoas certas. Nesse momento, é muito importante ter um trabalho que é um serviço tão humano, atual, necessário e poder representar junto com a Julia Dalavia, com a Alice Wegmann e esse elenco incrível, sob o comando do Gustavo Fernandez.

Como encontrar esse tom para representar uma história de tanta tristeza, como é a dos refugiados?

Procurando entender o lado dessas pessoas que saem de seus países não como fugitivos, mas como vítimas. É como se a chegada a um novo país fosse o início de uma nova vida, uma nova esperança. Por isso, é com alegria que a gente tenta transmitir a história deles, para que todo mundo seja tocado assim como nós, atores, fomos.

Na novela, vocês falam apenas algumas palavras em árabe. Como foi o trabalho de prosódia?

A gente não coloca a dificuldade de falar português. A gente fala muitas palavras em árabe, mas a grande ideia foi falar muito bem as palavras em árabe e continuar com o português falado correto. Então cada um arranjou um caminho sem errar as palavras para dar uma identidade. Eu, por exemplo, uso uma boca mais fechada. Eu tento uma identificação, mas acho que o grande ganho é a gente estar preparado para falar bem o que tem de dizeres e palavras em árabe.

Depois de interpretar Jamil, você passou a enxergar a vida de outra forma?

É mais do que ver a vida de uma outra forma. É transformar cada pequeno momento de você valorizar situações, valorizar pessoas e o chão que você pisa. É uma coisa natural e automática, não tem como você não evoluir e crescer no convívio com essas pessoas.

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