Uma Série de Coisas

Fernando Martins

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Atriz Sandra Oh, de "Grey's Anatomy", interpreta uma agente à procura de uma serial killer em "Killing Eve"
Atriz Sandra Oh, de "Grey's Anatomy", interpreta uma agente à procura de uma serial killer em "Killing Eve"Foto: Divulgação

A televisão foi responsável pela estreia de boas produções em 2018. Com destaque entre as críticas e o público, as séries apresentaram personagens convincentes e histórias tocantes. A coluna Uma Série de Coisas desta sexta-feira (7) fez uma seleção das narrativas que chegaram este ano e alcançaram um bom desempenho de audiência e avaliações. Com exceção da “A Maldição da Residência Hill”, todas as séries comentadas aqui foram indicadas nas principais categorias do Globo de Ouro, confira a lista

Para os amantes de séries curtas, as produções destacadas possuem até 10 episódios, algumas renovadas para outra temporada. Embora séries consagradas tenham tido uma ótima performance (The Handmand's Tale The Good Place, por exemplo), a publicação de hoje limita-se aos lançamentos do ano. Ainda dá tempo de maratonar e terminar o ano atualizado! Confira os destaques.

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Melhor Série de Drama

Pose

Desenvolvida por Ryan Murphy (Glee e American Horror Story) para o canal FX, “Pose” é a primeira série com cinco atrizes transgênero no elenco — Mj Rodriguez, Dominique Jackson, Indya Moore, Angelica Ross e Hailie Sahar — e se destaca pela importância social que carrega ao longo dos episódios ambientados na década de oitenta, em Nova York, quando humaniza vozes até hoje vistas como pária, além de apontar a negligência da época em torno da epidemia do vírus HIV.

Quando o público é imerso na vida dos personagens e no universo dos desfiles e das danças vogue nas ballrooms de época, fica praticamente impossível não vincular-se emocionalmente a eles. Murphy cria um drama empático quando sai dos shows e plumas de travestis, transexuais e transformistas, para mostrar o dia-a-dia fora dos bailes, o humano por trás da arte. E, assim, tornar a dor e o preconceito em superação e afeto.

NÚMERO DE EPISÓDIOS: 08.
STATUS: renovada para segunda temporada.
DISPONÍVEL EM: canal de streaming FOX Premium e plataforma NOW.



Melhor Série de Terror

A Maldição da Residência Hill

Uma das séries que inovou uma receita que há tempos estava sendo replicada nas produções do gênero de terror é “A Maldição da Residência Hill”. Quem nunca adivinhou o desfecho de um filme em que um grupo de jovens ou uma família chegam pela primeira vez em uma casa antiga, muitas vezes sem nenhum vizinho por perto? Nesses casos é fácil adivinhar quem morre ou até mesmo como a história irá acabar: isso não acontece na Residência Hill.

Mesmo começando com o clichê de uma família se mudando para uma casa mal assombrada, a série vai além do esperado, desenvolvendo a história dos personagens após todo o trauma vivido no local e como a infância sufocante refletiu no amadurecimento das crianças abaladas. A experiência do diretor Mike Flanagan (Jogo Perigoso e Hush: a Morte Ouve) administrando as técnicas de susto de forma inteligente é essencial para a história, principalmente quando desenvolve cenas em plano sequência, dando a sensação de que o telespectador está presente ao lado dos personagens, aumentando a tensão de quem assiste.

NÚMERO DE EPISÓDIOS: 10.
STATUS: aguardando renovação ou encerramento.
DISPONÍVEL EM: Netflix.



Melhor Série de Comédia

Barry

Um dos grandes acertos em “Barry” é a ousadia de somar drama e ação com um toque de comédia. É como tentar dar tons de humor em uma série como “Dexter”, por exemplo. Se a dúvida surgiu é certo afirmar que a tentativa funciona. Barry (Bill Hader) é um matador de aluguel. Quando ele se vê trabalhando em Los Angeles, surge o interesse pelo teatro. Ao ser sugado pelo mundo das peças e encenações, Barry se vê contracenando com seu alvo e começa a questionar se a vida de ator pode ser uma segunda alternativa em sua vida.

Se a dúvida sequer passou pela cabeça de Bill Hader na vida real, seu intérprete e também diretor da série, o sucesso da produção trouxe a resposta: além de várias indicações, “Barry” ganhou a estatueta de melhor ator em série de comédia no Emmy Awards deste ano para Bill e também premiou Henry Winkler como melhor ator coadjuvante em série de comédia.

NÚMERO DE EPISÓDIOS: 08.
STATUS: renovada para segunda temporada.
DISPONÍVEL EM: HBO GO.



Melhor Série de Streaming

Homecoming

Estreia de Julia Roberts em uma série de tv, “Homecoming” vai prender no sofá os amantes de filmes de suspense psicológico. A protagonista é uma psicóloga que trabalha em uma empresa que ajuda veteranos de guerra a voltar pra vida civil. Ela começa a suspeitar que algo na empresa está errado quando seu chefe demonstra indiferença em possíveis imprudências nas doses das medicações e no bem estar dos pacientes.

Logo no primeiro episódio a sensação que fica é que estamos em um filme de Hitchcock. Ainda que a história aconteça nos dias atuais, a trilha sonora leva o público de volta aos anos setenta. Os enquadramentos e cenas longas também deixam a narrativa mais clássica, principalmente quando o formato da tela muda para proporção de 1:1, acentuando uma sensação claustrofóbica, proposital da produção.

NÚMERO DE EPISÓDIOS: 10.
STATUS: aguardando renovação ou encerramento.
DISPONÍVEL EM: PrimeVideo.



Melhor Minissérie

Sharp Objects

Também no grupo de grandes estrelas do cinema atuando na TV, “Sharp Objects” tem Amy Adams (A Chegada) como protagonista. A série é uma adaptação do romance de Gillian Flynn (Garota Exemplar) e acompanha a vida de Camille Preaker, uma repórter que é enviada pelo editor do jornal em que trabalha para cobrir a história de duas jovens, uma brutalmente assassinada e outra desaparecida, em uma cidade chamada Wind Gap, no Missouri, lugar onde Camille nasceu e foi criada.

Como adaptação a série surpreende por ser (quase) fiel ao livro. Se você leu antes de assistir a série, será capaz de revisitar na mente quase todos os momentos literários proporcionado pelas páginas, nas telas. Já se você preferir assistir antes de ler pode perder um ou outro detalhe e isso pode prejudicar o entendimento final, já que a série não “mastiga” – embora exponha de maneira sutil – todos os porquês que a história lança, deixando o suficiente para que os telespectadores saibam o que aconteceu e perceba a solução do mistério sozinho. Mas esse ponto não é o bastante para classificar a produção com menos que “excelente”.

NÚMERO DE EPISÓDIOS: 08.
STATUS: finalizada.
DISPONÍVEL EM: HBO GO.



Melhor Série Estrangeira

Killing Eve

Na série britânica “Killing Eve”, novo projeto da atriz Sandra Oh (Grey’s Anatomy) para o canal BBC America, uma agente de operações de segurança se envolve em um caso perigoso ao se tornar a principal responsável pela captura de uma serial killer. Baseada nos contos do autor Luke Jennings, a série foi criada por Phoebe Waller-Bridge e vem colecionando críticas positivas em relação ao roteiro e atuação das protagonistas.

Com uma fotografia tímida (o uso de filtros cinza para expor uma cidade apagada e fria é um recurso bastante utilizado, mesmo em ambiente fechado), a série é quase inteiramente composta por mulheres determinadas e influentes. Como exemplo, o jogo de gato e rato entre Eve (Oh) e Villanelle (Jodie Comer), além da curiosidade quase velada que ambas vão desenvolvendo ao longo dos episódios prova que o sexo feminino pode interpretar a secretária de um detetive renomado, mas também pode – e deve – não somente ser a investigadora principal como a mente maligna por trás de um crime bárbaro. Veja a análise do primeiro episódio no blog Uma Série de Coisas

NÚMERO DE EPISÓDIOS: 08.
STATUS: renovada para segunda temporada.
DISPONÍVEL EM: Globoplay.



*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 200 produções e já assistiu mais de 6 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas. Twitter: @seriedecoisas_ Blog: Uma Série de Coisas.

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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