Uma Série de Coisas

Fernando Martins

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"Into the Dark" terá 12 episódios, com um sendo lançado a cada mês
"Into the Dark" terá 12 episódios, com um sendo lançado a cada mêsFoto: Reprodução

Estamos presenciando mudanças significativas no cinema e na TV. Do ponto de vista da atuação, por exemplo, os artistas vêm pensando fora da caixa e produzindo trabalhos interessantes longe de seus lugares-comuns. Nomes como Nicole Kidman, Amy Adams e Julia Roberts, grandes atrizes das telonas, ingressaram no mundo televisivo e protagonizaram as séries “Big Little Liars”, “Sharp Objects” e “Homecoming”, respectivamente, caindo no gosto da crítica e do público. Outro ponto importante para ficar atento está no modo da construção de narrativas das séries, como é o caso de “Into the Dark”, do streaming Hulu.

Na televisão, a forma como as histórias são contadas e transmitidas para o público também está passando por um processo de mudança. Atualmente, no gênero terror, uma produção bastante elogiada foi “A Maldição da Residência Hill”, original Netflix, pelo conjunto da obra e por ter sido tão inovadora em vários sentidos. A Blumhouse Productons, em parceria com o serviço de streaming Hulu, lançou “Into the Dark”, uma nova proposta que abre a discussão sobre o método como as séries são desenvolvidas.

Uma série de TV americana costuma lançar um episódio por semana na programação, com margem de intervalos durante ou entre as temporadas (midseason e hiatos). Indo contra esse método, "Into the Dark", de Jason Blum, tem episódios de aproximadamente uma hora e meia de duração, sendo lançados a cada 30 dias, durante um ano. A história antológica sempre é ambientada durante a celebração do feriado do mês em que é transmitida.

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Com base nessa proposta, o piloto foi lançado em outubro do ano passado, fazendo jus ao Halloween americano. Intitulado “The Body” (O Corpo), o roteiro e a forma como as cenas são construídas levam a crer que estamos assistindo a um filme, dando uma nova perspectiva ao modo de se fazer TV. No primeiro conto, acompanhamos o assassino profissional Wilkes (Tom Bateman) na sua saga em tentar se livrar do corpo de sua vítima durante o Dia das Bruxas. Tudo se complica quando ele é pego por um grupo de jovens festeiros que, ao vê-lo carregando o cadáver, acreditam que tudo seja parte de uma fantasia e o convidam para uma festa.



O estilo pretensioso de Wikes lembra a confiança do personagem Jack, em “A Casa que Jack Construiu” (2018) e até o protagonista de “Psicopata Americano” (2000), já que o assassino está acobertado pelo Halloween e anda livremente com o corpo da vítima pelas ruas, desobrigando-se de discrição. As sequências de ação são sangrentas o suficiente para satisfazer adoradores do gênero slasher dos anos 80. É visível a preocupação de Jason Blum em colocar, durante todos os episódios, elementos de terror que o tornaram referência em Hollywood, como nos filmes “Corra!”, a saga “Insidious”, “Entidade” e “Uma Noite de Crime”.

Já o segundo episódio, dirigido por Patrick Lussier e lançado em novembro, mostra a vida de Henry (Dermot Mulroney), um pai que tenta ajudar sua filha Kimberly (Dana Silver) a lidar com a agorafobia – medo de lugares e situações que possam causar pânico – enquanto a garota tenta superar o luto do estranho assassinato de sua mãe. A trama acontece durante o feriado de Ação de Graças e o roteiro consegue envolver o público ao ponto de superar o episódio de estreia. O plot twist da história foi apresentado no meio do episódio, deixando todo o resto um pouco cansativo até a conclusão. A relação da família não foi profundamente explorada. Essa opção poderia dar margem para o uso do clímax mais tarde, preservando a curiosidade até o último momento.



Em dezembro foi a vez da estreia do episódio de natal de “Into the Dark”. Dirigido por Nacho Vigalondo, a trama conta a história de um ator que consegue um emprego de férias para interpretar um personagem de pelúcia, promovendo o brinquedo mais cobiçado da cidade chamado Pooka. No começo, tudo vai bem, mas aos poucos o protagonista desenvolve duas personalidades, uma quando não está vestido de Pooka e outra quando está. O episódio entrega um dos roteiros mais inteligentes da série, revelando segredos e conectando fatos até o último minuto.



Com pontos altos e baixos, a série é um bom passatempo para quem gosta de histórias de terror. O grande atrativo de “Into The Dark” é sua dinâmica simples, mas bem construída. A atuação do elenco pode não ser das mais memoráveis, mas a série inova e pode oferecer novas possibilidades para o cenário televisivo atual.

Seguindo a premissa dos feriados, o episódio desse mês é inspirado no Ano Novo. Confira o trailer:



*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 200 produções e já assistiu mais de 6 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas. Twitter: @seriedecoisas_ Blog: Uma Série de Coisas.

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