Uma Série de Coisas

Fernando Martins

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Desconhecida expõe segredos em "Não Fale com Estranhos"
Desconhecida expõe segredos em "Não Fale com Estranhos"Foto: Divulgação/Netflix

Todo mundo guarda algum segredo, certo? Grande ou pequeno, próprio ou de outra pessoa, existem aquelas informações que terceiros pedem para não compartilhar ou que você mesmo não quer que ninguém saiba. Agora imagine que um desconhecido se aproxima e te confidencia algo envolvendo membros da sua família, ameaçando tornar aquilo público. Esse é o enredo de “Não Fale com Estranhos”, minissérie da Netflix que estrou em janeiro e que é tema da coluna desta sexta-feira (21).

A adapatação do livro homônimo de Harlan Coben – que também escreve o roteiro da minissérie – começa de maneira pacata, apresentando uma rotina despretensiosa em uma dessas cidades onde todo mundo se conhece e vive uma vida aparentemente feliz e confortável. Adam Price (Richard Armitage) é uma delas. Casado e com dois filhos adolescentes, certo dia ele é abordado por uma mulher desconhecida que alega ter provas de que Corinne (Dervla Kirwan), sua esposa, fingiu uma gravidez anos atrás e que, consequentemente, o aborto também foi uma encenação.

Quando Adam confronta Corinne, ela não nega e diz que precisa de um tempo para poder explicar. Ela desaparece misteriosamente e o marido precisa descobrir onde sua esposa está e o que foi que aconteceu. Em paralelo, também acompanhamos a investigação da detetive Johanna Griffin (Siobhan Finneran) diante de um assassinato e descobrimos que a tal desconhecida do início tem como principal ocupação ameaçar pessoas aleatórias, exigindo dinheiro em troca de continuar mantendo seus segredos seguros. Mas não acaba por aí, um rapaz é encontrado sem roupa e desacordado no meio de uma floresta, no mesmo local onde avistam uma alpaca decapitada. Dá para acreditar que tudo isso é só o começo?

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Um dos pontos fortes em “Não Fale com Estranhos” é poder acompanhar os vários arcos que aparentam não ter ligação entre si, mas que se encontram mais tarde. Não saber de que maneira tudo está relacionado é o principal motivo que faz o público só querer levantar quando os créditos finais aparecem. A disposição dos segredos de cada personagem é apresentada de maneira inteligente, nada é entregue de uma vez, a fim de não correr o risco de deixar o resto da história desinteressante. Entretanto, as conclusões também não se demoram a aparecer, o que é essencial para o dinamismo do gênero policial.

A quantidade de nuances não permite, porém, que se identifique um protagonista fixo. Ainda que os primeiros episódios mostre a jornada de Adam para encontrar sua esposa, naturalmente a minissérie vai deixando a tal chantagista de lado para dar destaque na investigação de Johanna, que por sinal é responsável por momentos de levar as mãos à boca e arregalar os olhos.

Por outro lado, quem aprecia justificativas mais elaboradas podem se decepcionar, a motivação de alguns personagens, em alguns casos, não convence como deveria e a quantidade de perguntas geradas pelos subtemas podem confundir. Em matéria de gênero, “Não Fale com Estranhos” se encaixa como uma história policial no mesmo tom que a também britânica “Safe” já havia mostrado, minissérie do mesmo catálogo e baseada em outro texto de Harlan Coben.

Oito episódios foram suficientes para passar a história da literatura para o streaming com êxito. Estender a trama provavelmente colocaria o bom trabalho em prova. As reviravoltas cumprem o papel de surpreender e instigar de maneira criativa. Improvável não ser pego de surpresa. “Não Fale com Estranhos” é aquela série para acabar em um único fim de semana, opção de ouro para quem prefere passar o carnaval no sofá.



*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele já maratonou mais de 300 produções, totalizando aproximadamente 7 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Acesse o Portal, Podcast e redes sociais do Uma Série de Coisas neste link.

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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