Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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A busca por um corpo perfeito virou meta obsessiva para muita gente
A busca por um corpo perfeito virou meta obsessiva para muita genteFoto: Da editoria de Arte

Hoje em dia, a busca do corpo perfeito se constitui uma meta obsessiva para muitas pessoas. Esta busca tem motivação complexa, cujas raízes se encontram na mente do indivíduo e na sua interface com a conjuntura social, a qual dita padrões de beleza estereotipados, sem considerar as nuances das individualidades.

Ser magro, esbelto, com abdome “definido” tem a ver com premissas de vida saudável, desde que não seja levado às raias do sacrifício e da infelicidade.

As atitudes extremadas com os cuidados corporais podem conduzir os sujeitos a condições como bulimia, anorexia, compulsão alimentar, ortorexia e comer transtornado, e à vigorexia (prática exaustiva de exercícios físicos originada, psicologicamente, por uma insatisfação constante com o corpo). Tais estados são considerados mórbidos e requerem atenção de uma equipe multiprofissional, bem como do apoio de familiares e grupos de convívio.

Quanto às práticas alimentares, há um número significativo de indivíduos que não chegam a extremos, mas aderem a orientações errôneas que prometem resultados imediatos e/ou milagrosos.

Estas orientações se baseiam em fundamentações equivocadas, sem evidências científicas, levando os usuários incautos a inúmeros riscos. Como exemplo disso, vê-se, diariamente, na internet, a oferta de shakes, pílulas “emagrecedoras” e produtos fitoterápicos, bem como a proliferação de pontos de venda e degustação em cada esquina, nas academias de ginástica e onde mais se der acesso.

E, justiça seja feita, nenhum órgãos de fiscalização, a priori, possui a estrutura e o número de profissionais suficiente para fazer o devido acompanhamento...
Da mesma forma que a motivação dos indivíduos é complexa, a escolha dos métodos de intervenção dos profissionais também o é.

Quando se trata de aconselhamento com vistas a emagrecer, há muito tempo se observa a frustração de ambas as partes da parceria terapêutica, devido à não sustentação dos resultados do emagrecimento a médio e a longo prazo, com as terapias ortodoxas.

Neste rol se incluem os famosos “moderadores de apetite” e a educação nutricional clássica. Esta se constitui de orientações estritamente técnicas, sem aprofundar o conhecimento “do outro”; quer dizer, do sujeito que está ali, diante de si, em busca de auxílio: um ser complexo em suas emoções, anseios e estilo de vida.

Em virtude de muitos anos de observações e questionamentos ante essa complexidade, alguns profissionais do Ambulim (Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da USP - Universidade de São Paulo) desenvolveram estudos com base nas terapias comportamentais.

Essas terapias, fundadas em um amplo alicerce científico, utilizam abordagens que visam ao conhecimento das peculiaridades motivacionais de cada um, na busca da compreensão do que faz as pessoas em tais situações escolherem comportamentos que as levam a propiciar consciente, ou inconscientemente, riscos de agravos à saúde.

Uma vez aplicadas as estratégias comportamentais para conhecimento das motivações intrínsecas e extrínsecas, poderão ser delineados os programas de intervenção individual ou grupal com públicos diversos, a saber: em consultórios, em domicílios, nas academias, nos espaços públicos de promoção de saúde, nas empresas, etc.

Ao final, serão perceptíveis e mais sustentáveis os impactos positivos na mudança de comportamento e, consequentemente, na saúde e na qualidade de vida das populações.

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal

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