Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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As náuseas podem estar associadas a outros desconfortos
As náuseas podem estar associadas a outros desconfortosFoto: Da editoria de Arte

Quinze dias depois, estou aqui, ainda inspirada no tema Saúde Digestiva. Na matéria anterior, salientei a preciosidade que é o funcionamento intestinal. Aliás, como tudo que rege a nossa Criação, tudo é concatenado, regulado por mecanismos que buscam sempre a homeostase (equilíbrio) do organismo!

Muitas vezes, o descuido é nosso, ao aderir a práticas inadequadas de alimentação (como o baixo consumo de água e de alimentos ricos em fibra), ou o mau gerenciamento do estresse, ou o sedentarismo, ou o ritmo frenético de trabalho e de estudo, que faz “pular” refeições com frequência, enlouquecendo o metabolismo e as regras de ouro da homeostase.

Em outras vezes, o funcionamento intestinal é prejudicado por doenças como diarreias infecciosas, alergias e intolerâncias alimentares, ou por ocorrências mais graves, como: redução da motilidade intestinal subsequente a repouso prolongado (como no caso de fraturas de coluna, acidentes vasculares cerebrais, tetraplegia, etc.), obstruções por tumores, ou mesmo cirurgias delicadas que envolvem ressecção de um trecho do intestino, a exemplo do que sucede com o presidente da república nos dias atuais.

Em todos os casos, do mais simples ao mais complexo, o cuidado com a alimentação é fundamental. Nas últimas semanas, parece que fui “sorteada” com ocorrências deste tipo: primeiro foi a circunstância temporária (que bênção!) no pós-operatório de hemorroidas, que gerou o mote da matéria publicada antes.

Agora, há 3 dias, persiste uma crise de náuseas acompanhada de outros desconfortos digestivos, provavelmente devida a efeitos colaterais de três remédios que precisei tomar. Ou alguma virose, quem sabe?...

A náusea é um sintoma que tira a gente do sério. A náusea “seca”, como costumo chamar, perturba, irrita, pede cama. De acordo com a evolução, e se houver outros sintomas como tontura, vômito, diarreia, cólica abdominal, merece avaliação médica.

Em casos mais sérios, com risco de desidratação ou com ela já instalada, requer internação (mesmo que provisória) para avaliação mais acurada dos riscos, administração de soro intravenoso e outras medidas complementares.

Quando a náusea persistir e não houver outros sintomas que impeçam o uso da via oral (como vômitos frequentes), é preciso hidratar. Beber água pura, em pequenos goles, fria ou gelada, de hora em hora, é regra. A oferta de água pode ser intercalada com chás digestivos (erva doce, canela, camomila, boldo) e água de coco bem verde, coada.

Nesta fase, todo resíduo deve ser eliminado, com o fim de poupar o esforço da digestão e a integridade da mucosa intestinal. Quando o teste com estes líquidos for bem sucedido, podem ser introduzidos outros, como: caldo de vegetais cozidos e água de cozimento do arroz.

Já que, no meu caso, não houve outros sintomas, a não ser a fraqueza decorrente da pouca ingesta calórica, no primeiro dia comi apenas mamão com chá no café da manhã, e acrescentei umas bolachas de água e sal, em duas oportunidades, como se fossem “refeições principais”.

No segundo dia, já melhorzinha, mas ainda nauseada, repeti o mamão com chá e bolachas no desjejum, almocei um macarrão fininho bem cozido e cenoura cozida no vapor, na hora do almoço.

Nos lanches, maçã sem casca, e no jantar, chá com torradas bem fininhas, sem manteiga. Bem, hoje ainda estou em repouso relativo, sem náuseas, mas vou repetir o cardápio de ontem. Não custa nada poupar o estômago, não é?...

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal

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