Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Principal fonte de vitaminas: a alimentação
Principal fonte de vitaminas: a alimentaçãoFoto: Divulgação

As vitaminas são assim chamadas pelas suas importâncias, vitais ao nosso metabolismo. As quantidades que necessitamos em nosso dia a dia são pequenas, mas essenciais. Pelo fato de não produzi-las, temos que obtê-las. Elas são várias: A, B1, B2, B3, B5, B6, B9, B12, C, D, E, K.

A fonte delas é a nossa alimentação. Exceto a vitamina D, que resulta da ação da luz solar sobre nossa pele. Quando as suas ingestas ultrapassam as nossas necessidades, os excessos são eliminados pela urina.

Na quase totalidade de condições a dieta fornece o suficiente para o que precisamos. Isto só não acontece quando submetidos a situações especiais. Dieta com grande restrição da quantidade e/ou qualidade e em determinadas doenças.

O déficit de vitamina ocorre principalmente em países em crises econômicas, quando a carência alimentar é epidêmica. Déficits por erros alimentares são muito menos frequentes.

O consumo de medicamentos contendo grandes doses de vitaminas teve um grande estímulo na década de 1960. Linus Pauling, ganhador de dois prêmios Nobel de medicina, afirmou que o grande consumo da vitamina C protegia contra o surgimento dos resfriados, das gripes e do câncer.

Dezenas de pesquisas realizadas depois demonstraram de maneira cabal, isto não ser verdade. Prêmio Nobel também erra. A ingesta aumentada de algumas vitaminas, diferente dos que pensam os seus consumidores, não trazem benefícios e até, pelo contrário, podem causar grandes malefícios.

Está devidamente documentado que grandes doses de vitamina E aumentam a possibilidade de câncer, principalmente do pulmão. Também está estabelecido que muita vitamina A, eleva o risco de acidente vascular cerebral e alguns tipos de câncer. Muitos estudos comprovam que a ingesta excessiva de vitaminas aumenta a mortalidade. Quem não as usa, vive mais. A vitamina D é a da moda, entre os consumidores deste tipo de medicamento.

A quase totalidade dela, que é fornecida ao nosso metabolismo, é resultante da ação dos raios solares sobre a pele. Era estabelecido que a sua deficiência praticamente inexistisse nos países de clima tropical. Mais dias ensolarados.

Para corroborar esta afirmação, a incidência de doenças ósseas causadas pelo seu déficit, raquitismo e osteomalácia são extremamente raras no Brasil. Quando se passou a realizar a sua dosagem no sangue, verificou-se que muitos brasileiros apresentavam níveis abaixo dos considerados normais.

Imputou-se este fato, que por medo do câncer de pele, a população está se expondo menos à luz solar e usando protetores cada vez mais potentes. Várias Sociedades Médicas interrogam esta deficiência. Como principal argumento citam a quase inexistência das doenças ósseas, causadas pelo seu déficit no nosso meio.

Porém, os que defendem o seu consumo citam que além dos níveis sanguíneos menores, imputam à vitamina D várias ações benéficas. Proteção do surgimento e evolução do câncer, do diabetes, da diminuição da memória, etc. Ações estas que carecem de comprovação científica confiável.

Em que pese os argumentos científicos da inexistência de benefícios e a probabilidade de efeitos deletérios, o consumo de altas doses de vitaminas continua crescendo em vários países do mundo.

Um cientista afirmou que caso você seja usuário de multivitamina, duas coisas você está seguramente produzindo, aumento dos lucros das indústrias e uma urina vitaminada.

*É endocrinologista e escreve quinzenalmente neste espaço

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