Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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O organismo é uma máquina que depende de vários fatores além dos nutrientes
O organismo é uma máquina que depende de vários fatores além dos nutrientesFoto: Divulgação

Em momentos de profunda admiração pelas maravilhas do corpo humano, relacionando a importância da alimentação à manutenção da vida, ocorre-nos, certamente, a busca de uma compreensão razoável das leis que a regem.

A vida biológica, como a compreendem os estudiosos da área da saúde, segue a maestria de princípios; dentre estes, o primeiro e fundamental, que vai ao encontro de toda a lógica, é o da sua própria preservação.

Nesta perspectiva, tal qual o regente de uma grande orquestra, a Lei da Preservação da Vida - que se aproxima do que a Ciência define como Homeostase - lidera o equilíbrio de todas as células, órgãos e sistemas, por meio de uma regulação muito fina e sábia.

Assim é que, em cada fase de desenvolvimento do ser, ocorrem mecanismos muito sutis que possibilitam trazer para cada “eixo” do funcionamento orgânico a correção de seu “rumo”, sempre que necessário.

Um exemplo bem simples é a ação dos hormônios insulina e glucagon, sintetizados no pâncreas, que regulam a taxa de glicose circulante e evitam danos em estruturas e órgãos como o coração, o cérebro, os nervos, as retinas, os rins, etc.

Outro mecanismo sutil e idêntico ao anterior é a regulação da pressão arterial sistêmica por meio de hormônios e outros fatores sensíveis, nos quais estão envolvidos, p. ex., os níveis de sódio e de potássio dentro e fora das células.

Minerais como o ferro e o cálcio são levados a se depositar em “reservatórios” temporários e, mediante reações químicas delicadas e precisas, são liberados para a corrente sanguínea sempre que necessário. Algumas vitaminas são estocadas, outras não (como as populares Vitaminas A e C, respectivamente).

E o organismo sinaliza com muita propriedade quando há excesso ou escassez desses nutrientes, antes que as intoxicações ou carências se instalem. De forma geral, os carboidratos são nutrientes eleitos pelo organismo como fonte de energia imediata; diante de sua indisponibilidade, porém, as proteínas e as gorduras são chamadas para exercer este papel.

A gordura subcutânea se constitui uma reserva compacta de energia, mecanismo providencial que os organismos animais encontraram em sua trajetória evolutiva, para garantir a preservação das funções vitais em tempos de escassez prolongada. As rotas metabólicas que direcionam estas opções são teias intrincadas e perfeitas, que somente o Arquiteto do Universo foi capaz de gerar.

Por falar nisso, o metabolismo energético é muito mais complexo do que sugere a metáfora da balança, na qual estão simbolizadas em seus dois pratos, assim: de um lado, as calorias que ingerimos pela via alimentar, e do outro, a soma dos gastos referentes à realização dos processos vitais, atividades da vida diária e exercícios físicos.

Em meio a tudo isso, as sutilezas da regulação biológica da fome e da sede, e da própria saciedade, vão além do que enxerga hoje a nossa limitada visão tecnicista.

Pesquisar os desígnios das nuances individuais é uma tendência que alarga os horizontes dos cientistas menos ortodoxos, para além da racionalidade que supõe apenas a cognição.

O Homem não é regido apenas pela razão - haja vista o que determinam os pensamentos e os sentimentos na busca do prazer ou em consequência das frustrações. Se há leis que regem o organismo visando à sua preservação, a Ciência, no futuro, nos conduzirá à valorização das questões mais subjetivas do comportamento alimentar, discernindo e retirando os véus que pairam sobre tais interrogações...

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal

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