Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Autocuidado e saúde
Autocuidado e saúdeFoto: Ilustração/Folha de Pernambuco

Em 02 de dezembro se comemora o dia Panamericano da Saúde; o momento é mais do que oportuno para refletir sobre quais atitudes tomamos no dia a dia para legitimar os cuidados com isso. Em outras palavras, estamos falando de autocuidado, que significa cuidar de si. Na perspectiva da atenção à saúde na esfera governamental o primeiro nível compreende a Promoção de Saúde, cuja importância antecede, mesmo, a prevenção das doenças.

A Promoção de Saúde engloba todas as ações de incentivo aos cuidados que resultem na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, famílias e Comunidades. Por razões óbvias, as estratégias de promoção de saúde têm por objetivo o não adoecimento, principalmente em relação a diabetes, hipertensão arterial, obesidade, doenças arteriais do coração (como infarto), acidentes vasculares cerebrais, câncer e outros agravos. Essas doenças incidem em grande parte da população no mundo inteiro e são fortemente influenciadas pelo estilo de vida, na maioria dos casos.

Há fatores ligados ao estilo de vida que contribuem para o não adoeci­mento, bem como para controlar as doenças cujo surgimento não foi possível evitar. São eles: a alimentação adequada e saudável, a prá­tica regular de exercícios físicos, o cuidado com a saúde bucal, a prática do sexo seguro, a preservação do sono reparador, a evi­tação do fumo, do álcool e de outras drogas - lícitas ou não, etc. Mes­mo que sejam disponibilizados recursos para diagnóstico e trata­mento (consultas, medicamentos, exames, cirurgias e outras intervenções), ainda são as atitudes em prol da promoção de saúde que trarão os mais expressivos benefícios, poupando vidas e recursos materiais, sobretudo.

Mas todas as dimensões da saúde são importantes: a física, a mental, a emocional, a social e a espiritual. Os cuidados com o corpo, o ge­ren­ciamento das emoções e do estresse, a religiosidade, o cultivo de amizades, a integração familiar, a cultura da paz, a harmonia no ambiente de trabalho, o respeito às diferenças, a sensibilidade para se integrar à natureza, o uso do tempo em lazer ativo, etc. se constituem ações benéficas à saúde integral.

Na base de todos os cuidados está o comportamento que norteia as nossas escolhas. Adotar um estilo de vida saudável requer a refle­xão sobre velhos hábitos e para onde eles nos conduzem. Mudar hábitos requer autoconhecimento, resiliência, vontade e perseverança. O autocuidado com a alimentação pressupõe a necessidade de informações técnicas acerca dos requisitos para um cardápio saudável, mas também a ponderação sobre a dinâmica familiar, os valores culturais que nos fazem preferir certos alimentos, a praticidade no preparo das refeições, o custo, a disponibilidade de tempo para cozinhar, as habilidades culinárias, a sedução da propaganda relativa a alimentos prontos ou semiprontos,etc.

O autocuidado com a alimentação não prescinde da orientação do profissional nutricionista nas campanhas educativas, nas ações de prevenção, e muito menos nas de assistência à saúde; no entanto, é incentivado o empoderamento dos indivíduos, famílias e Comunidades para a busca da autonomia. As escolhas, como dito anteriormente, têm por base comportamentos que, por sua vez, são influenciados por inúmeros fatores. A partir da percepção do estilo de vida atual e do estabelecimento de objetivos e metas é possível construir hábitos mais saudáveis e, inclusive, multiplicar nos grupos de convívio as estratégias para um estilo de vida condizente com a abrangência da integralidade da saúde.

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal

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