Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Comer com consciência
Comer com consciênciaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Quando as pessoas se encontram submetidas ao ócio extremo, a depender dos seus hábitos, pressões sociais, necessidades emocionais, disciplina e foco na qualidade de vida, podem tomar várias direções para gerir a situação. As rotinas das famílias mudaram consideravelmente, quando houve a premência de ficar em casa, atendendo às orientações do Ministério da Saúde para a circunstância da pandemia da COVID-19. Em todos os aspectos, vivendo sozinhos ou acompanhados, indivíduos se viram, de uma hora para outra, estupefatos diante do inusitado e do imponderável.

No tocante à rotina com a alimentação, inúmeros desafios se colocaram: para os mais pobres e os miseráveis, passou a ser uma questão de sobrevivência, literalmente. Para lhes mitigar a fome, em época tão dura (pois sabemos que a fome não espera), ainda bem que existem as inúmeras ações humanitárias. Para os de classe média, assalariados, porém não estáveis em seus empregos, garantir o pão na mesa por um tempo mínimo, mobilizou estratégias de malabarismo, equilibrando as contas.

E para os mais aquinhoados, com acesso ao abastecimento adequado ou até supérfluo dos alimentos? Bem, para muitos desses, é exatamente a folga no orçamento, que propicia comportamentos para o lado do excesso. A ansiedade pode levar a comprar em quantidades maiores do que as reais necessidades, ou mesmo inibir o bom senso e comprar alimentos diferentes dos habitualmente consumidos, muito calóricos, por exemplo. E se, no contexto do ócio, houver predominância do sedentarismo, associado com elevadas ingestas de energia, a tendência será o sobrepeso, a obesidade, e alterações nas taxas sanguíneas de glicose, colesterol e triglicerídeos.

Também por ansiedade, algumas pessoas muito preocupadas com o peso corporal, uma vez ociosas em relação à rotina anterior (onde havia liberdade para a prática regular de exercícios), pensam em aderir a dietas restritivas. Este comportamento, aliás, já é visto pelos cientistas como de elevado risco à saúde, sobretudo quando os indivíduos não seguem protocolos e acompanhamento adequado por parte de profissionais de educação física, médicos e nutricionistas.

O que fazer, para conviver de forma criativa, diante de tão brusca mudança no estilo de vida, mantendo a saúde? Seguem abaixo algumas dicas:

- faça um plano de abastecimento de alimentos com tipos e quantidades condizentes com os hábitos e preferências da família, e ajuste à logística do momento;
- se quiser inovar nas receitas, valorize os alimentos in natura e minimamente processados (vide Guia Alimentar para a População Brasileira, 2014);
- envolva os demais componentes da unidade doméstica nas tarefas de comprar, preparar e servir as refeições, respeitando as habilidades e preferências, claro;
- dê à alimentação o espaço e o valor que ela merece, inserindo as tarefas relacionadas a ela, na rotina diária;
- se você não apreciava, até agora, cozinhar, aproveite o momento do ócio, se for o caso, para conversar com quem gosta. Se desejar levar o projeto adiante, comece com receitas fáceis, do dia a dia.
Em todo caso, não é hora de acrescentar mais estresse à vida. Aja com resiliência, criatividade e leveza, pois tudo passa!

*É nutricionista, atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal


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