Alpek assume o polo petroquímico de Pernambuco

Grupo mexicano só estava esperando a aprovação do Cade para concluir a transição e iniciar a gestão da Citepe e Petroquímica Suape

Venda da Petroquímica Suape e da Citepe vai gerar US$ 385 milhões, cerca de R$ 1,2 bilhão, para a Petrobras, que pretende arrecadar US$ 21 bilhões este anoVenda da Petroquímica Suape e da Citepe vai gerar US$ 385 milhões, cerca de R$ 1,2 bilhão, para a Petrobras, que pretende arrecadar US$ 21 bilhões este ano - Foto: Divulgação

O Polo Petroquímico de Pernambuco pode começar a ser gerido por mexicanos em menos de dois meses. É que, depois de aprovada a venda da Petroquímica Suape (PetroquímicaSuape) e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe) para a Alpek, a expectativa é de que as companhias atualmente geridas pela Petrobras sejam passadas para as mãos do grupo mexicano com rapidez. Por isso, essa transição já pode ser concluída no fim de abril ou no começo de março.

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Os prazos foram revelados ao Sindicato da Indústria Têxtil de Pernambuco (Sinditêxtil-PE) por executivos da Petroquímica Suape um dia depois de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a transação comercial entre a Petrobras e o Cade. “A transição da gestão Citepe para o grupo mexicano já começou. Foi criado um grupo em cada empresa para fazer a passagem. Eles só estavam esperando a aprovação do Cade para intensificar esse trabalho”, explicou o presidente do Sinditêxtil-PE, Oscar Rache, depois de se reunir com um dos membros desse grupo de transição.

“Na reunião, nos informaram que a decisão do Cade tem cinco dias para ser publicada no Diário Oficial da União. Depois disso, serão dez dias para que sejam apresentadas possíveis contestações. Feito isso, vem a verificação do extrato bancário das partes envolvidas. E este procedimento dura de 30 a 45 dias. Por isso, entre o fim de março e o começo de abril, a Alpek deve assumir o controle da Petroquímica e da Citepe”, detalhou Rache.

O presidente do Sinditêxtil-PE frisou, no entanto, que as expectativas para a gestão mexicana são positivas. “A empresa mexicana é um grande produtor mundial, que quer investir no Brasil. Então, podemos esperar investimentos grandes na texturização e na produção de filamentos de poliéster”, afirmou Rache, que espera ver a retomada das obras no Polo Petroquímico do Estado ainda neste ano, já que a Citepe ainda não está concluída e pode elevar a sua capacidade de produção de 36 mil toneladas para 240 mil toneladas de filamento de poliéster texturizado por ano.

“Não sabemos o tempo que vai demorar para que os investimentos voltem a crescer, mas a tendência é que haja um aumento de produção já a partir deste ano”, avaliou.

Procurada pela reportagem, a Petrobras não comentou os prazos apresentados ao Sinditêxtil-PE, mas afirmou que a Alpek deve pagar o valor combinado pelo Polo Petroquímico de Pernambuco no dia em que a operação de venda for concluída. Ainda de acordo com a estatal, a venda da Petroquímica Suape e da Citepe vai gerar US$ 385 milhões - cerca de R$ 1,2 bilhão. Este valor está sujeito a ajustes de capital de giro, dívida líquida e impostos a recuperar e vai compor o plano de desinvestimento da Petrobras, que pretende arrecadar US$ 21 bilhões até o fim do ano através de outras operações como a venda da Refinaria de Pasadena.

O valor negociado, no entanto, é bem menor que o investido pela Petrobras no Polo Petroquímico que fica no Complexo Industrial e Portuário de Suape - aproxidamamente R$ 9 bilhões, segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem de Ipojuca (Sindtextil-Ipojuca). Por isso, a venda também precisou ser aprovada pela Justiça antes de ser fechada.

Além disso, a aprovação do Cade está condicionada à celebração de um Acordo de Controle em Concentração (ACC). Segundo o Cade, o acordo já foi aprovado pelas empresas e pretende evitar a formação de um monopólio na produção de filamento de poliéster texturizado no Brasil, que prejudique a M&G Polímeros - fábrica de resinas PET que também fica em Suape.

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