Alta do câmbio reduz gasto brasileiro no exterior

Despesas reduziram 7,9% em julho e devem cair mais em agosto, já que o dólar e o euro voltaram a subir neste mês

DólaresDólares - Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

A desvalorização do real, que tem sido impulsionada pela incerteza política, já começa a impactar os gastos dos brasileiros no exterior. Segundo o Banco Central (BC), apesar de ter se recuperado no primeiro semestre, essa despesa voltou a cair em julho. O indicador marcou R$ 1,731 bilhão justamente no mês que costuma apresentar bons resultados por conta das férias escolares, que levam muitos brasileiros para fora do País - em janeiro, por exemplo, marcou R$ 2 bilhões e em julho do ano passado, 1,879 bilhão.

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De acordo com o Banco Central, a redução foi de 7,9% em relação ao mesmo período de 2017. Mas esta queda ainda pode se intensificar. Afinal, as moedas estrangeiras ficaram ainda mais caras depois de julho. O dólar, por exemplo, era vendido por cerca de R$ 3,70 no mês passado. Já o euro girava em torno de R$ 4,35. Agora, porém, o dólar já supera os R$ 4 e o euro se aproxima dos R$ 5. Nessa segunda-feira (27), por exemplo, casas de câmbio do Recife ofereciam aos turistas a moeda norte-americana por R$ 4,31 e o euro por R$ 4,99, encarecendo as viagens internacionais.

“Todas as moedas estão se valorizando frente ao real, até o peso argentino. Só na última semana, o dólar subiu 4,5%. E o euro se valorizou ainda mais: 5,2%. Por isso, as pessoas estão segurando as compras até o último momento. O problema é que essas altas estão relacionadas ao cenário político. Por isso, a instabilidade deve continuar até as eleições”, disse o proprietário da Boa Viagem Câmbio, Arthur Maia, contando que, neste mês de agosto, as vendas de moedas estrangeiras já caíram 35% por conta dessa alta do câmbio.

Professor de economia da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), Roberto Ferreira explicou que o mercado tem dúvidas sobre as eleições presidenciais deste ano, já que os candidatos que despontam na frente das pesquisas eleitorais não têm uma posição firme sobre as reformas que podem amenizar o rombo fiscal do País. Por isso, muitos investidores têm tirado dinheiro do Brasil para aplicar em outros países, desvalorizando o real.

“Se essa incerteza política persistir, o dólar vai continuar aumentando e os gastos caindo. Afinal, o dólar em alta aumenta as despesas de quem vai viajar, fazendo com que as pessoas comprem menos no exterior ou até adiem a viagem”, afirmou Ferreira. “O orçamento [das viagens] tende a ser feito em moeda nacional. Naturalmente, o comportamento do câmbio vai afetar o gasto no exterior”, confirmou o chefe adjunto do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Lemos.

O estudante pernambucano Julio Vero sabe bem disso. Ele viaja em duas semanas para morar em Portugal, mas, de última hora, precisou alterar seus planos por conta da desvalorização do real. “O euro subiu quase R$ 0,40 no último mês. Foi uma alta muito significativa que me afetou bastante. Eu ia trocar dinheiro para seis meses, mas agora vou levar apenas o essencial para ver se a cotação baixa. Meus pais vão ter que mandar o resto depois”, contou, dizendo que também deixou para depois o pagamento da faculdade.

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