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Ano começa com busca por emprego em Pernambuco

Na esperança de começar o ano trabalhando e com uma renda garantida, centenas de pessoas procuram as agências do trabalho no Recife

Paloma Amorim, 41, procura emprego há 3 anosPaloma Amorim, 41, procura emprego há 3 anos - Foto: Arthur Mota / Folha de Pernambuco

No primeiro dia útil de 2020, a procura por emprego já começou. Na esperança de começar o ano trabalhando e com uma renda garantida, centenas de pessoas procuraram as agências do trabalho no Recife.

No último dia 30, a Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação (Seteq) do estado de Pernambuco divulgou a existência de 123 vagas disponíveis no estado. Entre as 123, 20 são destinadas à pessoas com deficiência. Na capital pernambucana, 46 vagas estão disponíveis na agência do trabalho municipal. As vagas podem ser consultadas através do site da agência.

Entre os que reservaram a manhã desta quinta-feira (2) para ir à sede da Agência do Trabalho Estadual, localizada na Rua da Aurora, na região central do Recife, está Paloma Amorim, 41. Desempregada há três anos, Paloma tem experiência comprovada nas áreas de telemarketing, recepção e no setor de vendas. Durante o tempo em que esteve sem trabalhar, buscou capacitação e fez dois cursos técnicos. Mesmo com o currículo cheio, Paloma afirma que tem dificuldade em encontrar uma vaga.

“Está muito complicado. Quando chego nas empresas, sempre buscam um empecilho para não contratar. Por enquanto sobrevivo com economias e com a ajuda da minha mãe e do meu marido”, afirma.

A situação de Paloma é parecida com a de Marcos Salles, 48, que foi forçado a substituir o emprego técnico em logística pelo de vendedor ambulante. Há cinco anos desempregado, Marcos afirma que a escassez de oportunidades o fez recorrer à venda de pipoca e água mineral nos ônibus.

“Mesmo tendo experiência e capacitação na área, tenho dificuldades pra conseguir um trabalho. Venho sempre na agência e já fui encaminhado à várias empresas que, na maioria das vezes, dizem que não têm mais a vaga”, disse Marcos, que acumula experiências na área de logística.

A situação de Marcos se assemelha a de aproximadamente 38 milhões de brasileiros que, sem oportunidades no mercado, recorrem à informalidade. No Brasil, o trabalho informal, realizado sem carteira assinada ou outros tipos de regularização, é a realidade de 41% dos trabalhadores. Os dados referentes ao trabalho informal são coletados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Segundo a Pnad Contínua divulgada em em dezembro, a taxa de desemprego no trimestre de setembro a novembro de 2019 era de 11,2%. Nesse cenário, a disputa pelas vagas disponíveis tem sido cada vez mais acirrada. A demanda alta exige uma atenção especial ao currículo e à capacitação. "As pessoas precisam se manter atualizadas no mercado. Há sites e cursos presenciais que oferecem cursos que oferecem capacitação de forma gratuita", afirma a presidente da Agência Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Ana Cantarelli.

"O currículo também merece uma atenção especial. As vezes as pessoas não conseguem traduzir. Isso é um diferencial, pois o currículo é a porta de entrada; é através dele que o recrutador olha pra você para a primeira vez. Por isso o currículo tem que ser claro, atrativo e contundente", completou.  

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