Qui, 11 de Junho

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Internacional

Após tarifaço dos EUA, Lula destaca abertura do mercado chinês para carne brasileira

Governo brasileiro diz que reconhecimento sanitário da China deve ampliar exportações de carne bovina ao país

Presidente LulaPresidente Lula - Foto: Michael Dantas/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o reconhecimento do Brasil como livre da febre aftosa pela China. Ele ressaltou que a decisão do governo chinês veio no mesmo dia que o governo dos Estados Unidos apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
 

Segundo Lula, o reconhecimento abre espaço para que o Brasil possa vender carne para outros países. Desde a implementação da primeira tarifa dos Estados Unidos, o governo brasileiro tem pregado a diversificação de parceiros comerciais em diversos setores, inclusive agropecuário.

— Mas como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje para se contrapor a medida do (Donald) Trump (presidente dos EUA)? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, veja, eu tenho muita sorte, eu não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, pode ficar com suas coisas, eu vou vender para outro — afirmou Lula em evento em Goiás nesta terça-feira.

 

A febre aftosa é uma doença viral que acomete bovinos e suínos. O reconhecimento deve derrubar as restrições que vigoram atualmente. O Ministério da Agricultura e Pecuária disse em nota que a decisão deve ampliar as oportunidades para as exportações de produtos bovinos e suínos oriundos do Brasil no mercado chinês, “como miúdos e carne com osso”.

Segundo dados do governo, as exportações do agronegócio brasileiro com destino à China ultrapassaram US$ 50 bilhões em 2025.

No evento em Catalão (GO), o presidente ressaltou que as novas tarifas propostas pelo governo americano devem prejudicar setores da economia brasileira, como o agro.

— Só para você lembrar, ele (Flávio Bolsonaro) hoje foi dizer que não falou nada. Ele falou. Ele foi pedir arrego. Foi: “Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, pq o Lula vai ganhar as eleições Trump, não deixa, prejudica o Lula”. Imbecil, ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários, nosso agronegócio.

O relatório divulgado pelo governo americano afirma que determinadas políticas e práticas do Brasil seriam "irrazoáveis" e prejudicariam empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o Pix, questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro consideraram a proposta sem fundamento técnico consistente e classificaram como "absurda" a inclusão de alguns argumentos apresentados pelos americanos. Ao mesmo tempo, auxiliares do presidente Lula avaliam que o resultado poderia ter sido mais severo, já que a tarifa sugerida ficou em 25% e o documento prevê uma ampla lista de exceções, além de mencionar a possibilidade de um acordo entre os dois países.

Em um encontro nesta terça-feira, ministros do governo devem alinhar a estratégia do governo diante da nova escalada comercial. Entre as alternativas em análise estão a manutenção das negociações com Washington, por meio do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Donald Trump em maio, e eventuais medidas de resposta com base nos instrumentos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica.

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