Arminio recomenda Bolsa, mas sugere a universitários fugir de investimentos complicados
Ex-presidente do Banco Central (BC) fez os comentários ao responder pergunta da plateia, em aula magna no Impa Tech, o curso de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa)
Quem é jovem deveria investir em ações de empresas listadas na Bolsa, mas é importante fugir de instrumentos financeiros muito complexos, disse nesta segunda-feira (17) o economista Arminio Fraga, sócio da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central (BC), ao responder pergunta de uma plateia formada por estudantes universitários, sobre o cenário atual de investimentos.
— Diversificar é sempre bom. Quem é jovem deve investir na Bolsa, porque, em tese, oferece um prêmio para quem compra ações, mas você deve fugir de tudo que é produto meio complicado — afirmou Arminio, durante a aula magna de abertura do ano letivo do Impa Tech, o curso de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).
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Com os juros elevados no mercado, até investimentos de longo prazo em títulos públicos poderão ser arriscados, continuou Arminio:
— Hoje você pode comprar um título do governo de 30 anos que paga IPCA, ou seja, a inflação, mais 7,5% ao ano. Isso não existe. Esse juro, por 30 anos, vai quebrar. Uma progressão geométrica com 7,5% ao ano de crescimento, não vai dar. É um momento de jogar um pouco na defesa mesmo. A casa própria tende a ser um investimento também, em outro momento da vida.
Mais pobre não poupam, contam com a aposentadoria
Por outro lado, o ex-presidente do BC ressaltou que a maioria da população brasileira não consegue poupar:
— As pessoas devem poupar, elas têm que planejar as suas vidas, é um fator de estresse, só que aqueles dois terços mais pobres (da população) não poupam porque não conseguem. Vão contar com a aposentadoria. Então, o que a gente pode fazer por eles é arrumar a economia para a economia crescer. Para ter mais dinheiro para essas áreas todas sociais.
O economista respondeu sobre suas recomendações para investimentos após uma palestra, na qual traçou um cenário sobre as perspectivas para a economia brasileira.
Segundo Arminio, a condução da política econômica no país parece não aprender com os erros — nem com os acertos — do passado. O terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não está repetindo o desempenho” dos mandatos anteriores, porque o “entorno” é mais “difícil”.
— Não tem controle do Congresso, mas a falta de ideias me parece algo bem preocupante. Aí, aqui no Brasil, temos taxa de juros que, sem fazer nada, você ganha 15%. A inflação está em 5%, você ganha 10%. É um problema sério. Os sintomas do paciente Brasil são extremamente graves — afirmou Arminio na palestra.

