As lições de Luiza Trajano

Empresária concedeu entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco e conversou sobre diversos assuntos, desde o papel da mulher até as expectativas para 2017

Raul Henry (MDB), Paulo Câmara (PSB), Jarbas Vasconcelos (MDB) e Geraldo Julio (PSB)Raul Henry (MDB), Paulo Câmara (PSB), Jarbas Vasconcelos (MDB) e Geraldo Julio (PSB) - Foto: Josenildo Tenório

Luiza Trajano comanda a rede de lojas de varejo Magazine Luiza e outras empresas integradas à holding. A sua trajetória empresarial se confunde com a do próprio Magazine Luiza. Na década de 1950, a empresária viu o tio Pelegrino José Donato e a tia Luiza Trajano Donato fundarem a empresa a partir de uma pequena loja de eletrodomésticos e móveis na cidade de Franca, no estado de São Paulo.

A dama do varejo adora as redes socais e já virou memes por duas vezes. A primeira foi a discussão com o jornalista Diogo Mainardi sobre suas posições políticas e a segunda vez foi a queda que levou ao carregar a tocha olímpica. Percebendo o poder das mídias sociais, a empresária vê essas plataformas como mais um instrumento de venda e de oportunidade de ganhar dinheiro. A empresária Luiza Trajano concedeu entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco e conversou sobre diversos assuntos, desde o papel da mulher até as expectativas para 2017.

Com o País enfrentando uma recessão econômica, que caminho a senhora aponta para superar a crise?

O primeiro passo é saber que ela existe. Estamos vivendo uma crise política e econômica. No Magazine Luiza, nós reconhecemos esse momento difícil. Então, procuramos trabalhar mais com menos, quer dizer, buscamos caminhos para não demitir ninguém. Cortamos gastos desnecessários para superar essa crise juntos. Focamos nas vendas, tanto tecnicamente como emocionalmente. Isso causa grande efeito. As pessoas têm que parar de reclamar e buscar alternativas, como atendimento e inovação, e isso é o diferencial de uma empresa para outra.

Mesmo com um quadro negativo na economia é possível fazer investimentos, abrir o próprio negócio?

Toda crise gera oportunidades. Lógico que o empresário não pode aumentar o endividamento. O fluxo de caixa é muito importante. Por outro lado, o Magazine Luiza vai investir em 50 lojas porque é uma grande oportunidade de comprar ponto novo, alugar espaços mais baratos, fazer novos negócios. A crise, ao mesmo tempo que traz dificuldades, também gera novas oportunidades. Esse momento é muito relativo. Se a empresa tem fôlego para isso, tem de fazer novos investimentos. O Magazine sempre cresceu e aumentou seu número de lojas na crise.

Como você avalia a relação profissional entre colaboradores e patrões nas demissões que ocorreram em 2016?
Eu entendo que as empresas têm que escolher entre demitir seus funcionários ou diminuir o salário. E a maioria dos empresários busca reduzir um salário, mas manter seus colaboradores. Ganha menos quem faz parte do cenário atual. Essa rixa entre patrão e empregado está diminuindo cada vez mais. Porque se faz necessário uma equipe alinhada e comprometida para dar o diferencial no bom atendimento.

Como você vê o papel da mulher nas posições de chefia?
A função que a mulher vai desempenhar deve ser avaliada pela inteligência e competência. Ela que compra, que decide a economia. Então, qualquer homem antenado sabe que nós mulheres somos competentes em qualquer função. A diversidade é fundamental, em qualquer ambiente, seja ela pessoal ou profissional. O Magazine Luiza é exemplo disso. Nós não temos nenhum tipo de preconceito. O que é avaliado na hora de contratar, seja homem ou mulher, é a competência. Mas pesquisas mostram que a mulher precisa de mais espaço. Aí eu sou a favor das cotas. Porque é um processo transitório para corrigir essa desigualdade com as mulheres.

O que o empresário deve fazer em 2017 para aumentar as vendas?

O empresário deve cuidar das pessoas. Ficar atento às necessidades dos seu colaboradores, pois são eles que recebem os clientes. E se alguém vai à loja e não é recebido bem, não tem um bom atendimento, recebe um produto que não comprou, aquele cliente não volta mais. Futuras vendas não serão realizadas. Isso pode ser o primeiro sinal de crise de uma empresa. Então, os passos incluem crescer e motivar pessoas, é fazer com que ele veja a empresa como extensão da casa dele. Outra coisa que pode ser feita é acreditar no seu produto, sua marca. Se o empresário não corre atrás das vendas, de oferecer os melhores produtos e se diferenciar dos concorrentes, a crise não vai embora.

Qual é papel da comunicação e das redes sociais nas empresas?
A comunicação é muito importante. Através dela é que as empresas conseguem atingir seu público e mostrar seus produtos. Explorar esse recurso é fundamental para ser conhecido. As redes sociais são uma realidade. Não tem como fugir dessas plataformas. Aprender a usá-las com certeza é mais um plus nas vendas e contatos com clientes. O Magazine Luiza investe e acredita que esse é um dos meios para chegar aonde as lojas físicas não podem alcançar.

Quais são suas expectativas para 2017?

Todos nós temos que acreditar que é um ano de mudança. Superar a crise é necessário. Com cuidado e responsabilidade, buscando soluções e caminhos para retomada do crescimento. Não existe receita pronta para sucesso, só o trabalho e o esforço é que o Brasil vai sair desse momento difícil. Trabalho, confiança e investimento são as palavras-chave para um 2017 próspero e sem crise.

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