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Tarifaço

Associação brasileira de calçados e compradores norte-americanos falam contra tarifas no USTR

Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem aproximadamente 20 milhões de pares, o equivalente a cerca de 1% de todo o seu consumo doméstico

Adoção de tarifas pelos EUA derrubou as exportações do Brasil ao país ao menor patamar histórico, segundo Amcham. Possibilidade de taxação adicional traz incertezaAdoção de tarifas pelos EUA derrubou as exportações do Brasil ao país ao menor patamar histórico, segundo Amcham. Possibilidade de taxação adicional traz incerteza - Foto: Brendan Smialowski / AFP / Arquivo

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e representantes da indústria, do varejo, de importadores e de distribuidores norte-americanos falaram nesta terça-feira (7) contra a imposição de novas tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos. As declarações ocorreram em audiência do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) que discutiu a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras, realizada no escritório do U.S. International Trade Commission (ITC), em Washington.

A gerente de Relacionamento e Negócios da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, destacou a interdependência produtiva e comercial entre os dois países, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico em um mercado dependente de importações, principalmente para pequenos e médios varejistas.

"A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais no desenvolvimento de produtos e coleções, especialmente em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos - particularmente devido à maior proximidade logística - e maior capacidade de resposta à demanda", afirmou.

Assim como outros representantes do setor produtivo nacional, Letícia frisou que o Brasil representa uma alternativa estratégica com escala produtiva significativa no Hemisfério Ocidental, fazendo frente à China. Atualmente, o Brasil é o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior produtor fora da Ásia, tendo produzido, em 2025, 847 milhões de pares.

Embora os EUA importem calçados de várias origens, a gerente ressaltou que a oferta permanece fortemente concentrada na Ásia. Em termos de volume, a China detém a maior fatia, com 48%, seguida pelo Vietnã (28%) e Indonésia (10%).

Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem aproximadamente 20 milhões de pares, o equivalente a cerca de 1% de todo o seu consumo doméstico.

"Por essas razões, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros não ajudaria a tratar dos atos sob investigação. Pelo contrário, tenderia a aumentar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração das fontes de abastecimento dos Estados Unidos em origens já dominantes, indo na contramão dos interesses norte-americanos em diversificação, resiliência e segurança da cadeia de suprimentos", concluiu Letícia.

Conforme dados da Abicalçados, no primeiro semestre de 2026, foram exportados para os Estados Unidos 5,6 milhões de pares por US$ 82,25 milhões, quedas de 3,6% em volume e de 23,6% em receita no comparativo com o mesmo intervalo do ano passado.

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