Baixo crescimento deixa Brasil menos atraente para investidores dos EUA

Empresários e agentes do mercado financeiro têm buscado na Ásia alternativas mais rentáveis

Investidores têm procurado investimentos no mercado asiáticoInvestidores têm procurado investimentos no mercado asiático - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Investidores americanos têm adiado suas apostas no Brasil diante do baixo crescimento econômico e do pouco estímulo fiscal oferecido hoje pelo país. As previsões do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro -abaixo de 1% para este ano- atreladas à queda da produtividade e a taxas de juros menos atraentes para o capital estrangeiro desanimaram os donos do dinheiro.

Empresários e agentes do mercado financeiro têm buscado na Ásia alternativas mais rentáveis em um cenário marcado também pela guerra comercial entre Estados Unidos e China e pela ameaça de uma recessão global. A avaliação entre analistas é que a recuperação econômica do Brasil tem sido mais lenta do que o esperado, e a iminência de uma crise mundial -que afetaria primeiro as nações emergentes- tem concedido certa vantagem a países com mercado consumidor crescente, como Vietnã, Bangladesh e Índia.

A agenda de reformas do governo Jair Bolsonaro ainda é vista com otimismo pelo investidor americano, porém não é mais suficiente para atrair novos recursos ao mercado brasileiro. A solução apontada pelos especialistas é acelerar a desburocratização e a abertura econômica para que os resultados sejam sentidos e apareçam nos indicadores.

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"O crescimento econômico é o que importa. Há expectativa de que essas reformas gerem condições para a recuperação econômica, mas, se a recuperação demora -e os benefícios da reforma demoram a surgir-, isso segura os investimentos, porque os investidores são muito sensíveis a perspectivas do PIB", explica Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria Eurasia.

Ele pondera que o Brasil ainda é um destino para o dinheiro dos americanos, mas que o investidor tem ficado reticente pelo fato de que, mesmo com as propostas de reforma, o país não consegue retomar o crescimento robusto.

O próprio Ministério da Economia reduziu a previsão do PIB para 2019 de 1,6% para 0,8% e, em relação ao próximo ano, o número caiu de 2,5% para 2,2%. Na quinta-feira (29), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a economia brasileira melhorou no segundo trimestre, mas a recuperação ocorre no ritmo mais fraco da história.

O país teve sua recessão mais recente em 2015 e 2016, quando foram registrados oito trimestres consecutivos de queda do PIB, uma retração acumulada de quase 8%. Em 2017 e 2018, o crescimento foi de 1,1% -até a semana passada, a expectativa era de um crescimento de 0,8% para este ano, ou seja, mais fraco que nos dois anteriores.

"O mundo está caminhando para crescimento mais baixo e recessão em várias economias importantes. O Brasil perdeu grau de investimento e não está em situação favorável em relação aos investimentos estrangeiros. Há uma fuga generalizada de capital de mercados emergentes", afirma Tatiana Palermo, especialista em comércio e investimentos internacionais.

Estrangeiros já retiraram R$ 22,5 bilhões da Bolsa brasileira neste ano, e o dólar teve a maior alta mensal em quatro anos em agosto. Além dos fatores sobre a economia mundial, a falta de previsibilidade do país -com a cena política bastante polarizada- também preocupa empresários e integrantes do mercado financeiro.

Os analistas afirmam que a retórica belicosa de Jair Bolsonaro já aparece como um complicador. Não é determinante para a tomada de decisão dos grandes investidores focados em áreas mais tradicionais, como petróleo, infraestrutura e imóveis -que se preocupam mais com a regulação, por exemplo.

No entanto, questões políticas já entraram no radar de negócios mais sensíveis a questões sociais e ambientais. A atenção do mercado também foi acionada quando Bolsonaro fez ameaças sobre sair do Mercosul caso a oposição a Mauricio Macri vença as eleições de outubro na Argentina.

"A agenda econômica do Brasil está correta, mas é preciso segurar os acordos de livre-comércio", afirma Palermo. Os investidores estão monitorando a viabilidade das reformas e seus reflexos diretos no crescimento econômico para reiniciar as apostas no Brasil.

Porém, apesar de a agenda liberal do governo manter o país sob observação, quem acompanha a movimentação de capital nos Estados Unidos diz que não haverá entrada maciça de investimentos em território brasileiro nos próximos meses.

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