Sáb, 13 de Dezembro

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BRASIL

Banco Central publica ata do Copom que detalha manutenção da Selic em 15%

Na semana passada, o BC indicou que deve manter os juros no patamar atual por um período "bastante prolongado"

Nova composição do Copom, com Gabriel Galípolo na presidência do BC Nova composição do Copom, com Gabriel Galípolo na presidência do BC  - Foto: Banco Central/Divulgação

O Banco Central divulgou nesta terça-feira a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, que manteve pela segunda vez consecutiva a taxa Selic em 15% ao ano. Essa é a maior taxa desde julho de 2006. Na ata, o BC detalha os motivos que sustentam a decisão e descreve como vê o cenário atual da economia para fins de controle da inflação, seu principal objetivo.

No comunicado da semana passada, o BC pregou cautela e reforçou que deve manter a taxa atual por "período bastante prolongado". Segundo economistas, o Copom não mostrou abertura para uma discussão sobre corte de juros e as chances de uma redução ainda este ano parecem menos prováveis.

"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado", disse o BC no comunicado na última quarta-feira.

 

Chamou a atenção de economistas que o BC manteve o discurso duro mesmo com algumas evoluções favoráveis no cenário para a inflação no Brasil. No campo externo, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) iniciou um ciclo de baixa de juros, que deve favorecer o câmbio brasileiro. O dólar, aliás, já havia caído bastante do Copom de julho para setembro, de R$ 5,55 para R$ 5,40 na média considerada nas projeções do BC.

Internamente, o BC manteve a avaliação de que a desaceleração da economia ocorre de forma moderada e dentro do esperado, mesmo com os resultados recentes mais fracos, e destacou que o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. O comitê tampouco fez menção à redução das expectativas de inflação, que começou a se apresentar em horizontes mais longos.

Também surpreendeu o mercado a manutenção da projeção oficial do BC de inflação para o horizonte relevante em 3,4%, contra a meta de 3,0%. O horizonte relevante, período em que o BC mira para colocar a inflação na meta, atualmente é o primeiro trimestre de 2027. Havia expectativa de alguma redução.

"O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado", disse no comunicado.

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