Bancos foram 'vítimas', diz CEO do Bradesco sobre caso Americanas
Marcelo Noronha disse, nesta quinta-feira (6), que instituição sempre colaborou com autoridades para desvendar esquema
O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta quinta-feira(6) que os bancos foram “vítimas” da fraude bilionária envolvendo a Americanas. Em junho, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova fase da Operação Disclosure e teve como um dos alvos de mandados de busca e apreensão Carlos Henrique Villela Pedras, diretor executivo do Bradesco. Segundo Noronha, a atuação do banco no caso foi de colaboração com as autoridades.
"O Bradesco, assim como outros bancos, foi vítima. Acho que tem uma inversão aqui. O banco foi um colaborador com as autoridades para desvendar todo esse problema. Então, deixa aí a Justiça trabalhar, a Polícia Federal, que tem seu papel, trabalhar", disse Noronha, durante coletiva de imprensa sobre os resultados do segundo trimestre de 2026.
O Bradesco registrou lucro recorde no segundo trimestre de 2026, chegando a R$ 7,1 bilhões, um crescimento de 16,2% com relação ao mesmo período do ano anterior e de 3,5% no trimestre. Estimativas compiladas pelo Valor apontavam crescimento de R$ 6,9 bilhões, levemente abaixo do resultado.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16,2%, ante 14,6% um ano antes. Esse indicador mostra o quanto o banco consegue gerar valor usando recursos próprios.
A carteira de crédito expandida somou R$ 1,1 trilhão, com crescimento de 11,6% em 12 meses e de 4,3% no trimestre. Já a margem financeira total avançou 15,7% no mesmo intervalo, alcançando R$ 20,87 bilhões. A inadimplência subiu levemente (0,2 ponto percentual em um ano) para 4,3%, movimento considerado dentro das expectativas do banco.
Desenrola Adimplentes descartado
Dentro do escopo de programas do governo federal, Noronha afirmou que o Bradesco tem feito esforços para avançar no programa Move Brasil, embora reconheça desafios comuns aos bancos privados.
Por outro lado, descartou entrar no Desenrola Adimplentes, modalidade voltada a consumidores que mantêm as contas em dia, mas têm alta parcela da renda comprometida com dívidas. O foco, neste caso, são os informais, que não têm acesso a modalidades mais baratas, como o consignado CLT.
"Sobre o Desenrola Adimplente, a gente está mais distante dele, por conta da crença e da dificuldade de identificar renda para esse grau de informalidade", afirmou.
No cenário externo, Noronha demonstrou maior otimismo que outros agentes de mercado, apesar da volatilidade associada aos juros elevados nos Estados Unidos e à incerteza quanto ao fim da guerra entre Estados Unidos e Irã.
"Isso tudo causa volatilidade no mercado, causa mudança no mercado, mas tenho uma expectativa positiva: acho que, depois das eleições, seja quem for o presidente eleito, a gente terá, naturalmente, um trabalho e uma apresentação sobre política fiscal para os próximos quatro anos", disse.
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Retração na demanda durante eleições
Já sobre o período eleitoral, ele disse que, naturalmente, o mercado se retrai em algumas semanas, e que deve haver alguma redução na demanda durante esse intervalo.
"Então não dá para você imaginar um cenário que tem uma demanda como se teve no primeiro semestre. A gente estava com expectativa no início do ano de ter um mercado de equities melhor, mas, com a resiliência da taxa de juros, não está sendo exatamente como o mercado todo esperou [...] Vamos ter de acompanhar isso de forma muito dinâmica, porque você vai ter algum grau de redução de demanda no período de eleição", pontuou.
No fim de julho, o Bradesco anunciou ao mercado um aumento de capital de R$ 10 bilhões por meio de subscrição de novas ações. Naquele momento, o banco também antecipou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 6,5 bilhões.
Segundo Noronha, a decisão dos controladores representa um sinal de confiança na estratégia do banco.
"Isso aqui foi uma decisão das acionistas controladoras. Colocaram na mesa, a gente debateu internamente, debatemos com o nosso conselho, o Conselho aprovou. A gente vê isso como extremamente positivo. Primeiro, é um voto de confiança na empresa, na organização. Segundo, um voto de confiança em toda a administração, em tudo que a gente vem fazendo no plano de transformação. E terceiro, que ele dá mais resiliência para a gente crescer. Ele aumenta o nosso capital tangível", avaliou.

