Bancos já concederam R$ 381,5 bilhões desde o início da quarentena

Desse total, 70,2% (ou R$ 267,9 bilhões) correspondem por novos empréstimos

DinheiroDinheiro - Foto: Pixabay

Os bancos concederam R$ 381,5 bilhões em créditos de 16 de março a 24 de abril, incluindo contratações, renovações e suspensão de parcelas. Desse total, 70,2% (ou R$ 267,9 bilhões) correspondem por novos empréstimos, 20,6% (R$ 78,7 bilhões) respondem a renovações e 9,2% (R$ 34,9 bilhões) a suspensão de parcelas.

Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (6) pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e consideram o período desde o dia em que se deu a primeira medida emergencial, tomada pelos cinco maiores bancos do país, de negociar o vencimento de dívidas de pessoas físicas e jurídicas afetadas pelo vírus.

Desde então, outras medidas foram anunciadas não só pelos bancos, mas também pelo governo, como os R$ 40 bilhões para pagamento do salário de empresas afetadas pela pandemia, com 85% dos recursos financiados pelo Tesouro Nacional e 15% pelas instituições financeiras. O movimento acontece mesmo em um ambiente de maior risco, ante a expectativa de aumento da inadimplência e dos índices de desemprego, bem como de um crivo maior por parte dos bancos.

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Em recente entrevista a jornalistas, por exemplo, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, já havia afirmado que, com exceção das linhas emergenciais especificamente criadas para o momento, as novas operações de crédito feitas durante o coronavírus devem ter juros e spreads (diferença entre taxa de captação e os juros pelos quais o banco empresta) maiores.

Entre os segmentos, as grandes empresas foram as que mais contrataram novos créditos, respondendo por R$ 151,3 bilhões do total de novas concessões. Em seguida, vieram as pessoas físicas, com R$ 65,3 bilhões, as companhias de médio porte, com R$ 27,3 bilhões e as micro e pequenas empresas, com R$ 24 bilhões.

Segundo a Febraban, apesar de o crédito para pessoas físicas responder a uma parte significativa dos empréstimos concedidos, o principal destaque foi a demanda de pessoas jurídicas. "O crescimento foi bastante concentrado em pessoas jurídicas porque elas são as grandes demandantes de crédito em um período como esse. Enquanto no começo da pandemia houve uma forte busca de recursos por parte das grandes empresas, as pessoas físicas entraram em um processo de cautela", afirmou a federação.

Ainda de acordo com os dados da Febraban, foram prorrogados cerca de seis milhões de contratos no período ante o momento de crise do coronavírus, os quais respondem por um valor total de R$ 335,2 bilhões. A soma das parcelas suspensas dessas operações totaliza R$ 34,9 bilhões. A carência cedida para pagamento das prestações variou entre 60 a 180 dias.

Segundo a federação, a expectativa é de redução na demanda para os próximos meses.
"O primeiro choque do mercado foi a procura por liquidez e o surgimento de diversos programas para dar fôlego financeiro às empresas e famílias. Daqui para frente, a depender de como a economia se comporte, é razoável esperar uma certa cautela", afirmou.

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