BC avalia crediário por cartão de crédito

Ao contrário do crediário comum, cuja quitação é feita para a loja, modalidade será paga no cartão, que repassará a parte do lojista de uma vez só

Cartões de créditoCartões de crédito - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Diante de boatos de que o cartão de crédito poderia deixar de parcelar as compras dos brasileiros, o Banco Central (BC) e a Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs) garantiram que o parcelamento vai continuar sendo praticado no País. A autoridade monetária explicou que está trabalhando para reduzir e deixar mais claro os juros deste financiamento, mas não pensa em extingui-lo. O que deve acontecer, segundo o setor, é a criação de uma nova modalidade de uso do plástico, similar aos crediários.

"O que o Banco Central quer é acabar com a ideia de que há algo sem juros", declarou o presidente do BC, Ilan Goldfajn, garantindo que não quer acabar com o financiamento ao lojista “de jeito nenhum”. "Lojista pode parcelar, tudo continua valendo, mas tudo tem custos e isso precisa ser endereçado de alguma forma", completou Goldfajn, ao ser questionado sobre o assunto, que vinha preocupando comerciantes pela possibilidade de dificultar a compra de objetos de alto valor, nesta segunda-feira (26).

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“A Abecs reitera que não existe qualquer proposta do setor para eliminar o parcelado sem juros do cartão de crédito e que jamais considerou essa possibilidade junto ao regulador”, reforçou em nota, a Abecs. A entidade ainda disse estar contribuindo com o BC na discussão sobre os juros do parcelado, sugerindo até uma nova forma de uso do cartão. “A Associação apresentou estudos sobre um novo produto de financiamento de compras - provisoriamente denominado ‘crediário’”, informou.

Com esta modalidade, o consumidor poderia escolher entre três opções na hora em que passar o cartão de crédito: à vista, parcelado e crediário. Na terceira, poderia fazer simulações, na própria máquina do cartão, do valor e da quantidade de parcelas em que a compra seria dividida. “Esse novo produto possibilitaria prazos maiores de financiamento ao consumidor, a custos competitivos”, garantiu a Abecs, dizendo que a novidade também trará benefícios para o comerciante.

Além de dar condições de compra ao consumidor, o crediário promete reduzir o prazo de pagamento ao lojista, que hoje é feito na medida em que o cliente paga o produto. Ou seja, depois de 30 dias e em parcelas, no caso de compras parceladas. Para antecipar o recebimento, o vendedor precisa pagar uma taxa. Com o crediário, no entanto, a Abecs quer repassar todo o valor parcelado de uma única só vez e cinco dias depois da realização da compra. A intenção é beneficiar os lojistas que não têm capital de giro para financiar suas mercadorias.

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