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A jornalista Marília Neves resolveu dedicar a vida a ajudar crianças e famílias na África.
A jornalista Marília Neves resolveu dedicar a vida a ajudar crianças e famílias na África.Foto: Divulgação

A dedicação integral ou de parte do tempo disponível para atuar em ações voluntárias faz parte do cotidiano de muitos brasileiros, dentro e fora do país. Para quem é voluntário, há um consenso: ajudar pessoas pode trazer ganho de experiência profissional e enorme realização pessoal.

Segundo dados do IBGE, no Brasil são 7,4 milhões de pessoas que atuam de forma voluntária em projetos e ações sociais. Em 2017, Pernambuco tinha 149 mil pessoas maiores de 14 anos praticando algum tipo de voluntariado. Com cerca de 8% da população envolvida em serviço voluntário, Recife tem quase o dobro do percentual médio dos voluntários do país, que chega a 4,4%.

O Projeto Lugar da Criança é uma dessas iniciativas que fazem a capital pernambucana ser protagonista em matéria de voluntariado. Localizada no bairro de São José, a instituição atende crianças e adolescentes, de 6 a 17 anos, das comunidades do Coque, Papelão e Cabanga. O acolhimento acontece no contra turno escolar e inclui duas refeições e atividades como canto coral, música (violão e flauta), aulas de esportes, teatro, balé, dança, artes e inglês. Organização Evangélica sem fins lucrativos, a instituição acolhe diariamente 80 crianças no período da manhã e 30 no período de tarde, com recursos do Ministério Voluntário de Cristo Internacional.

"Eu queria sair da teoria para a prática. A gente falava dos problemas sociais, mas eu queria não somente falar, eu queria fazer alguma coisa em prol das pessoas carentes e esse comunidade tinha muito o que fazer em termos de alcançar crianças que estavam em situação de risco. Fico às vezes surpreso de encontrar pessoas que passaram por aqui em lojas, trabalhando, dirigindo seu carro próprio e eu nem acreditava que isso pudesse acontecer tão rápido. Existe mudança sim", relata o missionário Lecio Wanderley, diretor e idealizador do espaço.

Militza Greenhalgh, coordenadora do Projeto Lugas da Criança

Militza Greenhalgh, coordenadora do Projeto Lugas da Criança - Crédito: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco



Militza Greenhalgh largou o curso de Arquitetura ao descobrir e se encantar com o projeto. Hoje, coordenar a instituição é sua única atividade. "O voluntariado é uma lição de vida. É difícil da gente não se envolver com o problema dos outros. Fico feliz que o voluntariado tenha crescido bastante no Brasil porque a gente precisa se colocar no lugar do outro pra poder ajudar. Hoje virou minha profissão trabalhar aqui no projeto, mas o que tocou primeiro meu coração foi ver criaças em situação de risco e vulnerabilidade e sentir a necessidade de trazer afeto e carinho para elas. isso me contaminou de tal forma que eu já estou aqui há onze anos", diz a coordenadora, que além de se encontrar profissionalmente foi nesse projeto que conheceu seu atual marido, o professor de música e voluntário Flávio Ferreira.

Quem se interessar em contribuir com essa e outras instituições recifenses, pode se cadastrar na plataforma Trasnforma Recife, indicando profissão, dia e horário disponíveis.

Sem fronteiras

Algumas pessoas levam a missão de ajudar o próximo além dos limites do seu próprio país. É o caso da jornalista Marília Neves, 33 anos. Depois de participar do movimento estudantil na Universidade, ela se interessou e se especializou na área de Direitos Humanos. Durante a especialização, se inscreveu no projeto Fighting with the pour (Lutando lado a lado com os pobres), da organização Humana People to People, que nos Estados Unidos atua na organização One World Center, localizada em Dowagiac, Michigan.

Para conseguir os recursos pra viagem, Marília começou a fazer freelancers por cerca de seis meses. Em janeiro de 2017 viajou para participar do programa, que consistiu em uma formação de seis meses como instrutora de desenvolvimento (development instructor), quando teve aulas sobre sociologia, uso ferramentas de construção, entre outras disciplinas. Nesse interím, passou por diversas cidades dos EUA para arrecadar fundos para a própria viagem à África. Foi nessa ONG que ela conheceu o marido, Westin Sherwood , de 26 anos, que também atua como voluntário na África, com quem teve uma filha.

Após a formação na ONG, ela foi, finalmente, trabalhar na cidade africana de Dowa, capital do Malawe. Sua atuação foi bastante focada na pré-escola, pois o governo local não paga essa etapa educacional para a população e as familias têm dificuldade pois precisa trabalhar na roça e não têm onde deixar seus filhos, além de haver essa car~encia de formação para a primeira idade. A região tem tem muitas car~encias, entre elas o simples acesso a comida.

Com a ajuda de recursos obtidos com vaquinhas de internet, ela conseguiu comprar os materiais e construir uma escola inteira e um parquinho para as crianças feito de pneus. Lá ensinou inglês, recreação, e até formou um grupo de mulheres na igreja católica local. Ao final do processo, ela organizou uma formatura com direito a certificado, música e lanche. "Foi muito bonito ver a alegria deles e saber que a gente proporcionou isso com a ajuda dos nosso doadores", comemora.

"Você dá valor a sua vida depois que você vê aquilo, sabe? Porque eles não têm nada e são esquecidos pela humanidade, principalmente nos campos de refugiados. Eles sofrem muito preconceito", relata Marília. "Qualquer voluntariado é bom. Se você vai se voluntariar no seu prédio pra ajudar o seu vizinho, ou ajudar um idoso, qualquer trabalho voluntário é válido. Meu conselho é que as pessoas não se intimidem achando que o trabalho voluntário não é importante, mas ele é. Porque isso vai mudar a vida de alguém", aconselha.




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