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Rafael Ramos, economista da Fecomercio
Rafael Ramos, economista da FecomercioFoto: Úrsula Freire/Arquivo Folha

A economia nacional caiu em um “looping” nos últimos anos, entrando e saindo da crise sucessivamente. Afinal, em 2015 e 2016, afundou na pior recessão da sua história. Em 2017, começou a se recuperar. Mas, em 2018, quando achava que ia consolidar a retomada, voltou a enfrentar dificuldades. E isso afetou diretamente o orçamento das famílias brasileiras, tanto que 15 milhões de lares voltaram à crise neste ano.

A conclusão é do instituto de pesquisa Nielsen, que analisou o orçamento das famílias e constatou que, enquanto 12 milhões de lares venceram as dificuldades financeiras nos últimos doze meses, outros 15 milhões entraram no vermelho. E, como mais 12 milhões de famílias permaneceram com os problemas financeiros de 2017 em 2018, o total de domicílios impactados pela recessão no País subiu para 27 milhões - número que supera em 2 milhões o do ano anterior. “As famílias estão vivenciando essa insegurança em looping nos últimos três anos, enfrentando desemprego, inadimplência e dificuldades orçamentárias”, afirma o instituto.

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“Ainda não existe um movimento de recuperação robusto. E isso faz com que a economia oscile entre momentos positivos e de desaceleração”, explica o economista da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio-PE), Rafael Ramos. Em 2018, por exemplo, as projeções eram altas por conta dos resultados positivos de 2017, mas acabaram não se confirmando ao longo do ano. “As expectativas foram frustradas por conta da greve dos caminhoneiros, de fatores internacionais e incertezas eleitorais”, afirma o economista do Santander, Rodolfo Margato, lembrando que, no início do ano, o mercado previa alta de 2,5% ou até 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018, mas rebaixou sucessivamente a projeção, à medida que os fatos desaceleravam a atividade, tanto que, hoje, só espera crescimento de 1,3% do PIB.

E a população foi diretamente afetada por esse movimento. Afinal, a incerteza econômica faz os empresários segurarem os investimentos, o que retarda a geração de empregos. “Nas famílias, a oscilação se deve ao mercado de trabalho, já que a inflação e os juros seguem em níveis baixos, mas o desemprego segue alto”, afirmou Ramos. Ele lembrou que 12,2 milhões de pessoas estão desempregadas no País, sendo 703 mil em Pernambuco, e que a maior parte dos postos de trabalho criados em 2018 pertencem ao setor informal, que também não dá segurança ao trabalhador.

“A população precisa estar empregada e em empregos formais para retomar a confiança”, pontuou Ramos, dizendo que, até lá, essa situação de piora na renda vai criar problemas tanto para as famílias, que acabam caindo na inadimplência, quanto para a economia, já que os brasileiros evitam consumir, contribuindo com a desaceleração dos setores produtivos. E esse movimento já começou. Segundo a Nielsen, 67% dos 15 milhões de lares que voltaram à crise neste ano estão devendo no cartão de crédito e 12% recorreram ao crédito consignado. Outros 22% reduziram os gastos para não aprofundar o rombo orçamentário.

“Essa situação de entra e sai da crise é muito difícil. O brasileiro tem que se planejar mais, fazer mais contas para conseguir adaptar seu orçamento. E, como está em looping, não retoma os padrões de consumo anteriores, pois não sabe se sua situação atual vai melhorar ou piorar", afirma o diretor do painel de lares da Nielsen Brasil, Ricardo Alvarenga, dizendo que o movimento está criando um novo tipo de consumidor no País: um cliente mais consciente que busca promoções, aceita marcas novas que ofereçam qualidade por preços mais baixos e se preocupa em pagar as contas antes de voltar a comprar.

A cautela é compreensível: segundo a Nielsen, só 14 milhões de lares ficaram isentos da recessão em 2018. Isto significa que metade da população brasileira está sujeita a esse ciclo vicioso de crise e espera, ansiosa, para saber qual será a direção que o looping da economia vai seguir em 2019.

Economia em looping

 

Educador financeiro Arthur Lemos
Educador financeiro Arthur LemosFoto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Mesmo com a renda adicional do 13º salário, o fim de ano é um período em que muitos consumidores se apertam. Para o educador financeiro Arthur Lemos, o forte apelo ao consumo da época, somado à falta de educação financeira do brasileiro e ao seu acesso a crédito, levam muitas famílias a comprarem mais do que podem pagar.

Em um Brasil onde 60,3% das famílias estão endividadas, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o consumidor deve atentar para não sufocar o orçamento neste Natal. A saída? Lemos mostra o caminho: inteligência de compras e negociação.

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Negociando
“Nossa situação financeira depende diretamente dos nossos hábitos. Muitas vezes, ao comprar, você tem o costume de perguntar se [a loja] parcela o pagamento. Mas não pode esquecer-se de perguntar se há descontos”, pondera o educador financeiro.

“E não só à vista. A gente teve um ano muito difícil para o comércio. Isso quer dizer que muitos lojistas estão dispostos a conceder descontos para as mercadorias, mesmo quando pagas através cartão de crédito. Exerça seu dinheiro e brigue pelos seus descontos”, sugere.

Lista
Lemos recomenda, ainda, a boa e velha lista de compras. “É super importante saber o que precisa ser comprado antes de ir às compras. Se você não tiver esse controle, vai acabar sendo seduzido na hora que chegar no comércio”, alerta.

“Mas ainda mais importante que ter a lista é seguir a lista. De nada adianta estar preparado para gastar R$ 100, economizar R$ 40, e usar esses R$ 40 para comprar outra coisa quando você não precisa. Então além de economizar dinheiro, é importante também poupá-lo”, diz.

Décimo
A renda extra do 13º leva os brasileiros a comprarem mais. Os números mostram exatamente isso: a CNC projeta que dos R$ 90,6 bilhões que serão pagos na segunda parcela da remuneração, R$ 41,3 bilhões (46%) deverão ser usados em curto prazo no comércio.

“No entanto, é muito importante não fazer a conta pela conta. Ou seja, gastar todo o valor recebido. Se eu fizer isso, provavelmente vou ter um problema não nesse mês, mas no início do ano. Porque assim como tem um apelo ao consumo forte no fim do ano, tem no início do ano também. Tem contas que vem apenas no começo de ano e é preciso fazer uma mínima provisão para isso”, lembra.

Janeiro
“Se a família está passando por um momento difícil, é recomendável conversar isso com todos para encontrar uma solução. Muitas lojas concedem descontos muito agressivos em janeiro. Então por que não fazer a troca de presentes em janeiro? Às vezes você pode dar presente ainda melhores desembolsando menos", ele fala. "Isso é uma coisa que pode ser pactuada com a família, além das estratégias mais tradicionais, como dividir a ceia e criar um amigo secreto, para não ter que presentear todo mundo.”

Seminovos

Os usados também se tornam boas opções para economizar. “Cada vez mais a gente tem um mercado superaquecido de vendas de seminovos. Hoje você consegue utilizar várias plataformas na internet que dão essa possibilidade. As diferenças de preço são muito representativas”, orienta.

“Nesse momento, além de comprar bem, faz bem ao orçamento pensar em medidas que podem aumentar a renda da família. Você pode buscar itens da sua residência que não usa mais e fazer destes uma renda extra através das mesmas plataformas”, diz Lemos.

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