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Folha FinançasFoto: Greg/Arte/ Folha de Pernambuco

Aqui nesse espaço você encontra esclarecimentos de especialistas sobre como investir o seu dinheiro. Nesta semana, quem responde é analista de investimentos da Finacap, Alexandre Brito. Mande sua pergunta também para [email protected] ou para o WhatsApp (81) 9479-6141.

Como e onde aplicar dinheiro em um fundo de reserva? (Rene Chaves)

É possível a aplicação da sua reserva de emergência tanto através de bancos quanto de corretoras. Acredito que a melhor opção são os fundos referenciados DI que possuam baixa taxa de administração (pelo menos 0,30% ao ano), não possuam alocação em crédito privado (ou seja que não corram risco de crédito) apenas em letras do Tesouro atreladas à Selic e, por fim, que historicamente entreguem um resultado próximo de 98 a 99% do CDI.

Como escolher os Fundos de Investimentos Imobiliários para montar uma boa carteira? (Túllio Pereira)

Os tipos de FIIs que você pode investir são: monoativos (um único imóvel, mais concentrado) e multiativos (maior variedade de imóveis, mais diversificado). Dentre os multiativos há os FIIs: logísticos e industriais; shoppings e varejo; hospitais; recebíveis (CRI/CRA); educacionais; e de desenvolvimento. Os pontos importantes a considerar são: a vacância, o yield (taxa de dividendo) e a relação preço da conta/valor patrimonial (idealmente próximo a um).

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Aqui nesse espaço você encontra esclarecimentos de especialistas sobre como investir o seu dinheiro. Nesta semana, quem responde é o mestre e doutor em economia e professor da Unibra, Julyan Lins. Mande sua pergunta também para [email protected] ou para o WhatsApp (81) 9479-6141

Para quem está endividado com Bancos, como, onde e quando fazer melhores negociações para pagar débitos do cartão bancário e adiantamento de 13º? (Humberto Gap)

Ao procurar a instituição financeira credora procure fazer uma negociação que dê um bom desconto na dívida, e que a taxa de juros embutida nas novas parcelas seja menor. Se tiver alguma reserva financeira, use isso para barganhar uma redução ainda maior. Se já conversou alguma negociação e não obteve sucesso, uma solução é tentar contrair um empréstimo que cobre juros bem mais baixos que os da dívida atual e pagá-la à vista exigindo desconto.

Neste caso, você terá uma nova dívida que crescerá a taxas menores que a anterior, o que pode dar um alívio durante certo tempo. Fique atento também aos mutirões de negociações de dívidas com Bancos que geralmente acontece com o apoio do Procon.

Como e onde investir R$ 30 mil? (Gilmar Macedo)

Para um investidor iniciante, sugiro aplicações que permita alta liquidez, ou seja, que você possa retirar o dinheiro a qualquer momento sem grandes problemas. Uma boa opção é investir no chamado “tesouro Selic de curto prazo” ou em “fundos de investimento em ações”. Basicamente, enquanto que no primeiro seu ganho vem de juros sobre o valor investido, no segundo você se torna dono de parte de uma carteira de ações de empresas e seu ganho advém da valorização do preço destas ações.

Se você optar pelos títulos do tesouro, saiba que a rentabilidade atualmente está baixa (mas superior à poupança) e a vantagem é que você não corre o risco de perder parte ou toda sua aplicação. No fundo de investimento há possibilidade bem maior de ganhos, embora há também o risco de perda do dinheiro investido. Avalie se está disposto a ter menores ganhos com mais segurança ou ganhos mais altos com risco de perda. Atualmente a melhor forma de fazer investimentos, com as melhores opções de ativos, é através de corretoras. Procure na internet alguma bem conhecida, abra sua conta e verifique, com calma, as melhores opções para você.

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Neste espaço, você encontra esclarecimentos de especialistas sobre como investir o seu dinheiro. Quem responde é o analista de investimentos da Finacap, Alexandre Brito. Mande sua pergunta também para [email protected] ou para o WhatsApp (81) 9479-6141.

Onde investir R$ 500 e ter bom retorno? (Carlos Alberto)

Carlos, considerando o montante disponível para investimento, recomendaria duas opções de investimento acessíveis mas que possuem boa segurança e rentabilidade: Títulos do Tesouro Selic (antiga LFT) e Tesouro IPCA+ (antiga NTN-B). Ambos os títulos são emitidos pela União, ou seja, o investimento mais seguro a nível nacional. Para o Tesouro Selic, a liquidez é maior do que o do IPCA+, bem como a rentabilidade é menor - com a taxa de juros atual. Todavia, no Tesouro IPCA+, em que você corre maior risco e que apresenta maior oscilação de preços, há a possibilidade de maiores retornos.

De qualquer forma, ambos, como investimentos de renda fixa, caso mantenha a aplicação até a data de vencimento, você receberá exatamente a rentabilidade bruta contratada. Ressalto a importância de você considerar sua carteira de investimentos como um todo e prezar pela diversificação.

Tenho um imóvel quitado e irei financiar outro imóvel. Vendo esse imóvel para abater no financiamento ou alugo para pagar as parcelas do financiamento? (Felipe Araújo)

Felipe, na contratação de qualquer financiamento ou empréstimo, é importante considerar se você conseguiria, em seus investimentos, uma melhor taxa de retorno. Ou seja, no caso específico da compra de um imóvel, se a taxa de retorno que você espera com essa compra for menor do que os juros cobrados pela instituição financeira, não é uma boa opção na ótica de um ativo para investimento.

Caso você esteja decidido para o financiamento deste imóvel, acredito que, pelo cenário atual do mercado de construção civil, seja mais prudente aguardar para vender seu imóvel quitado mais a frente. Sendo assim, usaria o aluguel para abater as parcelas do financiamento. De qualquer forma, deve ser avaliado a contrapartida da instituição financeira em caso de maior entrada e diminuição do saldo devedor.

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Aqui nesse espaço você encontra esclarecimentos de especialistas sobre como investir o seu dinheiro. Nesta semana, quem responde é o analista financeiro Arthur Lemos. Mande sua pergunta também para [email protected] ou para o WhatsApp (81) 9479-6141.

Como escolher uma boa ação e saber como investir nela? - Silvio Luis.

Existem várias métricas e estratégias que podem ser utilizadas pelo investidor para escolher quais ações vender, quais ações comprar e quando comprá-las. Você pode usar a escola da análise técnica ou gráfica e fazer isso através de elementos gráficos. Ou, você pode fazer isso através da escola fundamentalista, que está preocupada em entender os fundamentos da empresa.

Para a maioria das pessoas, é recomendado que, ao investir em ações, em vez de acompanhar a cotação da ação, o investidor deveria imaginar ser sócio de uma empresa que não é listada. Assim, fica a pergunta: o que você faria? Você iria acompanhar o que realmente gera valor e o que realmente é importante.


Para um objetivo de médio e longo prazo, é viável aplicar em uma Selic com taxa pequena? - Diego Sabino

Para objetivos de médio e longo prazo, há uma probabilidade maior de obter retornos maiores se o investidor direcionar os recursos para uma carteira de investimentos diversificada que inclusive tem parte dela dedicada a investimentos de renda variável. É importante buscar conhecimento antes de iniciar os investimentos, uma vez que existe a possibilidade de perda na renda variável.

Ou seja, uma Selic menor resulta em ganhos nominais menores, e é justamente por isso que o investidor deveria levar em consideração títulos de renda variável como por exemplo as ações. É sempre importante observar que o que importa para o investidor é o ganho real, muito embora a Selic esteja menor, o ganho real que o investidor tem hoje não é tão menor quanto era no passado recente, onde a Selic era maior, porém a inflação era maior também.

Aplicação rentável
Aplicação rentávelFoto: Arte/Folha de Pernambuco

Aqui nesse espaço você encontra esclarecimentos de especialistas sobre como investir o seu dinheiro. Nesta semana, quem responde é o analista de investimentos da Finacap, Alexandre Brito. Mande sua pergunta também para [email protected].br ou para o WhatsApp (81) 9479-6141. 

Tenho R$ 10 mil para ser aplicado em um prazo de 60 meses. Como saber qual a aplicação mais rentável e verificar os riscos? (José Sarto)

José, pelo valor e prazo recomendaria fundos de investimentos em ações. A perspectiva econômica atual mostra uma boa probabilidade das taxas de juros se manterem baixas estruturalmente para os próximos anos. Esse cenário é propício para investimentos de maior risco. Ademais, como você possui um prazo de horizonte de investimento de médio a longo prazo, é mais suscetível a tomada de risco. A grande vantagem de investir através de um fundo é ter acesso a uma equipe de gestão profissional para administrar seus recursos, eficiência tributária e a capacidade de diversificar seu investimento em uma única aplicação.

Qual a aplicação mais rentável e segura atualmente? (Ana Elisabete)

Ana, a aplicação mais segura possível no Brasil é a do Tesouro Selic, pois são títulos emitidos do Governo Federal. Entretanto, tais títulos são atrelados à taxa de juros básica do Brasil (Selic) a qual vem apresentando sucessivas quedas e, provavelmente, deve se manter em patamares baixos. Sendo assim, a rentabilidade de seu capital não será tão elevada, como foi no passado. Recomendo que você preze pela diversificação do seu patrimônio - a depender do seu perfil como investidora - correndo alguns riscos para melhor rentabilidade.

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Aqui nesse espaço você encontra esclarecimentos de especialistas sobre como investir o seu dinheiro. Nesta semana, quem responde é o especialista financeiro da Magnetis Investimentos, Daniel Jannuzzi. Mande sua pergunta também para [email protected].br ou para o WhatsApp (81) 9479-6141

Como poderia aplicar R$ 500 para um retorno rápido? - Basílio Targino

Todo investimento demanda um prazo longo para se obter um retorno alto e consistente comparado aos demais tipos de investimento. Não existem atalhos para a construção de patrimônio e, antes de pensar no retorno, é importante ter um planejamento para evitar tomar riscos desnecessários. Recomendo muito cuidado com as fórmulas mágicas de ganho em um curto prazo, uma vez que o retorno futuro não pode ser garantido se recorrer a esse tipo de investimento.


Com a baixa da Selic, seria melhor fazer investimentos de longo prazo? - Fred Magalhães

É sempre importante fazer investimentos de longo prazo. Independentemente da Taxa Selic, sempre teremos objetivos de longo prazo, como comprar uma casa, comprar um carro, se aposentar, por exemplo, e para isso acontecer é fundamental que tenhamos um planejamento para que o retorno financeiro chegue de acordo com o objetivo do investimento feito.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
Presidente do Banco Central, Roberto Campos NetoFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, negou nesta quinta-feira (26), em Brasília, que haja estudos para mudar a remuneração da caderneta de poupança.

“Não existe nenhum estudo de mudança de remuneração de poupança sendo feito pelo Banco Central neste momento”, respondeu ao ser perguntado sobre a possibilidade de troca da remuneração pela Taxa Referencial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Ele fez a afirmação durante apresentação do Relatório Trimestral de Inflação. Afirmou que o BC acompanha apenas as migrações de fluxos de investimentos. “Acompanhamos sempre as migrações de fluxos de investimentos e se essa migração está sendo feita de forma saudável”, disse.

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Desde maio de 2012, há regras diferentes para o cálculo da poupança de acordo com o nível da Taxa Selic. Quando a Selic fica igual ou acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 6,17% ao ano (0,5% ao mês) mais a taxa referencial (TR), tipo de juro variável.

Abaixo de 8,5% ao ano, a caderneta rende 70% da taxa Selic, mais a variação da TR. Com rendimento de 70% da Taxa Selic, a poupança está se tornando menos atrativa porque os juros básicos estão no menor nível da história: 5,5% ao ano.

Pagamentos instantâneos

O presidente do Banco Central disse ainda que o projeto de pagamentos instantâneos no Brasil será concluído em 2020, antes do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), com previsão para 2024. Por meio do pagamento instantâneo, a ideia é que pessoas e empresas possam transferir dinheiro em tempo real, sem restrição de horário.

As transações com dinheiro em espécie ou por meio de transferências bancárias (TED - Transferência Eletrônica Disponível - e DOC - Documento de Ordem de Crédito) e débitos serão substituídas pelos pagamentos instantâneos.

“Temos uma agenda ambiciosa de pagamentos instantâneos. É possível terminar o projeto ainda em 2020”, disse Campos Neto.

Segundo ele, há uma preocupação entre bancos centrais no mundo de fragmentação do mercado, “com vários sistemas isolados que não falam entre si”. No Brasil, disse, a ideia é ter um sistema central.

O presidente do Banco Central acrescentou que o sistema de pagamentos instantâneos vai permitir reduzir a circulação de papel moeda no país, o que é benéfico por questões de segurança e de custo.

Mercado imobiliário
Mercado imobiliárioFoto: Paullo Allmeida/Arquivo Folha de Pernambuco

As Letras de Crédito são investimentos de renda fixa que vêm se popularizando entre os investidores, apesar de ainda não serem tão conhecidos. É possível ter bons rendimentos investindo de forma acessível por meio da Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Esse é um tipo de investimento que fomenta o mercado imobiliário, concedendo crédito para o setor.

O que é uma LCI?
A LCI é um investimento de renda fixa. É um produto emitido por instituições financeiras – como bancos comerciais, múltiplos e de investimento, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo e companhias hipotecárias.

Simplificando, é a forma como empresas do setor imobiliário conseguem arrecadar recursos por meio de investidores. As instituições emissoras, como as mencionadas acima, fazem a intermediação e os ativos podem ser adquiridos junto a uma corretora de valores, banco ou plataforma de investimentos.

As vantagens de investir em LCI
De acordo com a Bolsa de Valores do Brasil, a B3, a LCI é um dos produtos mais procurados pelo investidor pessoa física e que mais cresceram nos últimos anos. Um dos motivos é a isenção de Imposto de Renda para esse público, o que é um grande atrativo. Além disso, a LCI é assegurada pelo FGC, Fundo Garantidor de Crédito. Vale ressaltar que, por ser um investimento de renda fixa, é vantajoso para quem quer correr baixos riscos e obter um ganho acima da poupança.

Como funciona o rendimento?
A LCI pode ter o rendimento determinado por uma taxa pré ou pós-fixada. É importante observar que nenhuma LCI é um investimento de curto prazo. Trata-se de uma aplicação indicada para médio e longo prazo, pois não têm liquidez. Isso quer dizer que para obter o rendimento previsto no momento do aporte, é necessário esperar até o vencimento.

Caso o investidor tenha a necessidade se desfazer do investimento antes disso, fica sujeito ao preço de mercado, com a venda feita no mercado secundário. No mercado secundário estão apenas investidores vendendo e comprando, não há troca ou devolução do investimento para a instituição emissora. Desta forma, o rendimento depende da disposição dos compradores no momento da venda.

Para quem é indicado o investimento em LCI?
O investimento é recomendado principalmente para quem apresenta perfil conservador, ou seja, aqueles que preferem investir com a segurança oferecida pela renda fixa.

Para os investidores mais arrojados, a LCI também pode ser interessante para compor a carteira de investimentos junto com ativos de renda variável, como parte de um balanceamento dos riscos.

Como investir em LCI
A aplicação pode ser feita por meio de uma plataforma de investimentos, de forma simples e segura. Dentro da plataforma, o investidor pode filtrar as LCIs por prazo e valor do aporte que pretende fazer.

Por meio de uma corretora de valores todo o processo pode ser feito de forma independente, caso o investidor se sinta à vontade para isso. Algumas delas, como a Genial Investimentos, oferecem também assessoria e contato com agentes autônomos, que são especialistas em investimentos.

Cadernos de anotações, planilhas e aplicativos são métodos mais usados
Cadernos de anotações, planilhas e aplicativos são métodos mais usadosFoto: Pixabay

Controlar as finanças e ter uma vida financeira saudável não é uma tarefa fácil para os brasileiros. Mas isso parece estar mudando. É que o número de pessoas que controlam suas finanças no Brasil teve um crescimento de 55% para 63%, entre 2017 e 2018. O aumento de 8% é responsável pelo uso de métodos como cadernos de anotações, planilhas e aplicativos. O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil) em parceria com o Banco Central do Brasil (BCB)

O método mais utilizado pelos entrevistados para registrar sua movimentação financeira é o caderno de anotações, com 33% de citações. As planilhas no computador é o instrumento preferido para 20% das pessoas ouvidas, enquanto um a cada 10 (10%) registram as receitas e despesas nos aplicativos de smartphones. O cálculo de cabeça foi citado por 19% dos consumidores. Há ainda 13% que simplesmente não adotam qualquer método e 3% que pedem para outra pessoa fazer.

Dos 806 casos estudados, apenas 56% dos que fazem controle planejam gastos do mês com antecedência. Em contrapartida, 62% sentem dificuldades para administrar finanças. Tanto é que 36% desses entrevistados vão registrando os gastos pessoais conforme eles ocorrem e outros 8% só anotam os gastos após o fechamento do mês. As justificativas mais comuns são não ver necessidade do controle de todos os gastos, pois eles podem ser feitos de cabeça (23%), não conseguir ter disciplina (18%), preguiça (12%) e falta de tempo (11%).

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Como a desinformação às próprias finanças é um problema crônico no Brasil, incluir a educação financeira como tema na formação escolar é fundamental, explica o educador financeiro do SPC Brasil José Vignoli. O caminho é rever gastos e cortar despesas, não tem milagre. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

Rafael Ramos, economista da Fecomercio
Rafael Ramos, economista da FecomercioFoto: Úrsula Freire/Arquivo Folha

A economia nacional caiu em um “looping” nos últimos anos, entrando e saindo da crise sucessivamente. Afinal, em 2015 e 2016, afundou na pior recessão da sua história. Em 2017, começou a se recuperar. Mas, em 2018, quando achava que ia consolidar a retomada, voltou a enfrentar dificuldades. E isso afetou diretamente o orçamento das famílias brasileiras, tanto que 15 milhões de lares voltaram à crise neste ano.

A conclusão é do instituto de pesquisa Nielsen, que analisou o orçamento das famílias e constatou que, enquanto 12 milhões de lares venceram as dificuldades financeiras nos últimos doze meses, outros 15 milhões entraram no vermelho. E, como mais 12 milhões de famílias permaneceram com os problemas financeiros de 2017 em 2018, o total de domicílios impactados pela recessão no País subiu para 27 milhões - número que supera em 2 milhões o do ano anterior. “As famílias estão vivenciando essa insegurança em looping nos últimos três anos, enfrentando desemprego, inadimplência e dificuldades orçamentárias”, afirma o instituto.

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“Ainda não existe um movimento de recuperação robusto. E isso faz com que a economia oscile entre momentos positivos e de desaceleração”, explica o economista da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio-PE), Rafael Ramos. Em 2018, por exemplo, as projeções eram altas por conta dos resultados positivos de 2017, mas acabaram não se confirmando ao longo do ano. “As expectativas foram frustradas por conta da greve dos caminhoneiros, de fatores internacionais e incertezas eleitorais”, afirma o economista do Santander, Rodolfo Margato, lembrando que, no início do ano, o mercado previa alta de 2,5% ou até 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018, mas rebaixou sucessivamente a projeção, à medida que os fatos desaceleravam a atividade, tanto que, hoje, só espera crescimento de 1,3% do PIB.

E a população foi diretamente afetada por esse movimento. Afinal, a incerteza econômica faz os empresários segurarem os investimentos, o que retarda a geração de empregos. “Nas famílias, a oscilação se deve ao mercado de trabalho, já que a inflação e os juros seguem em níveis baixos, mas o desemprego segue alto”, afirmou Ramos. Ele lembrou que 12,2 milhões de pessoas estão desempregadas no País, sendo 703 mil em Pernambuco, e que a maior parte dos postos de trabalho criados em 2018 pertencem ao setor informal, que também não dá segurança ao trabalhador.

“A população precisa estar empregada e em empregos formais para retomar a confiança”, pontuou Ramos, dizendo que, até lá, essa situação de piora na renda vai criar problemas tanto para as famílias, que acabam caindo na inadimplência, quanto para a economia, já que os brasileiros evitam consumir, contribuindo com a desaceleração dos setores produtivos. E esse movimento já começou. Segundo a Nielsen, 67% dos 15 milhões de lares que voltaram à crise neste ano estão devendo no cartão de crédito e 12% recorreram ao crédito consignado. Outros 22% reduziram os gastos para não aprofundar o rombo orçamentário.

“Essa situação de entra e sai da crise é muito difícil. O brasileiro tem que se planejar mais, fazer mais contas para conseguir adaptar seu orçamento. E, como está em looping, não retoma os padrões de consumo anteriores, pois não sabe se sua situação atual vai melhorar ou piorar", afirma o diretor do painel de lares da Nielsen Brasil, Ricardo Alvarenga, dizendo que o movimento está criando um novo tipo de consumidor no País: um cliente mais consciente que busca promoções, aceita marcas novas que ofereçam qualidade por preços mais baixos e se preocupa em pagar as contas antes de voltar a comprar.

A cautela é compreensível: segundo a Nielsen, só 14 milhões de lares ficaram isentos da recessão em 2018. Isto significa que metade da população brasileira está sujeita a esse ciclo vicioso de crise e espera, ansiosa, para saber qual será a direção que o looping da economia vai seguir em 2019.

Economia em looping

 

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