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Educador financeiro Arthur Lemos
Educador financeiro Arthur LemosFoto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Mesmo com a renda adicional do 13º salário, o fim de ano é um período em que muitos consumidores se apertam. Para o educador financeiro Arthur Lemos, o forte apelo ao consumo da época, somado à falta de educação financeira do brasileiro e ao seu acesso a crédito, levam muitas famílias a comprarem mais do que podem pagar.

Em um Brasil onde 60,3% das famílias estão endividadas, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o consumidor deve atentar para não sufocar o orçamento neste Natal. A saída? Lemos mostra o caminho: inteligência de compras e negociação.

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Negociando
“Nossa situação financeira depende diretamente dos nossos hábitos. Muitas vezes, ao comprar, você tem o costume de perguntar se [a loja] parcela o pagamento. Mas não pode esquecer-se de perguntar se há descontos”, pondera o educador financeiro.

“E não só à vista. A gente teve um ano muito difícil para o comércio. Isso quer dizer que muitos lojistas estão dispostos a conceder descontos para as mercadorias, mesmo quando pagas através cartão de crédito. Exerça seu dinheiro e brigue pelos seus descontos”, sugere.

Lista
Lemos recomenda, ainda, a boa e velha lista de compras. “É super importante saber o que precisa ser comprado antes de ir às compras. Se você não tiver esse controle, vai acabar sendo seduzido na hora que chegar no comércio”, alerta.

“Mas ainda mais importante que ter a lista é seguir a lista. De nada adianta estar preparado para gastar R$ 100, economizar R$ 40, e usar esses R$ 40 para comprar outra coisa quando você não precisa. Então além de economizar dinheiro, é importante também poupá-lo”, diz.

Décimo
A renda extra do 13º leva os brasileiros a comprarem mais. Os números mostram exatamente isso: a CNC projeta que dos R$ 90,6 bilhões que serão pagos na segunda parcela da remuneração, R$ 41,3 bilhões (46%) deverão ser usados em curto prazo no comércio.

“No entanto, é muito importante não fazer a conta pela conta. Ou seja, gastar todo o valor recebido. Se eu fizer isso, provavelmente vou ter um problema não nesse mês, mas no início do ano. Porque assim como tem um apelo ao consumo forte no fim do ano, tem no início do ano também. Tem contas que vem apenas no começo de ano e é preciso fazer uma mínima provisão para isso”, lembra.

Janeiro
“Se a família está passando por um momento difícil, é recomendável conversar isso com todos para encontrar uma solução. Muitas lojas concedem descontos muito agressivos em janeiro. Então por que não fazer a troca de presentes em janeiro? Às vezes você pode dar presente ainda melhores desembolsando menos", ele fala. "Isso é uma coisa que pode ser pactuada com a família, além das estratégias mais tradicionais, como dividir a ceia e criar um amigo secreto, para não ter que presentear todo mundo.”

Seminovos

Os usados também se tornam boas opções para economizar. “Cada vez mais a gente tem um mercado superaquecido de vendas de seminovos. Hoje você consegue utilizar várias plataformas na internet que dão essa possibilidade. As diferenças de preço são muito representativas”, orienta.

“Nesse momento, além de comprar bem, faz bem ao orçamento pensar em medidas que podem aumentar a renda da família. Você pode buscar itens da sua residência que não usa mais e fazer destes uma renda extra através das mesmas plataformas”, diz Lemos.

Poupança
PoupançaFoto: Reprodução/Pixabay

Criado para conscientizar a população sobre a importância de ter reservas financeiras, o Dia da Poupança é celebrado nesta quarta-feira (31) com um grande desafio. Afinal, devido à recessão, são poucos os que ainda conseguem poupar algum dinheiro no País. Em agosto, por exemplo, só 16% dos brasileiros fizeram isso, segundo a CNDL/SPC Brasil. E a maior parte dessa pequena parcela da população colocou o dinheiro na caderneta de poupança, que já não rende mais tanto quanto antes e pode ter a rentabilidade novamente reduzida nesta quarta caso o Copom volte a cortar a taxa básica de juros (Selic).

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Na pesquisa da CNDL/SPC Brasil, a maior parte dos não poupadores (45%) explicou que não guardou dinheiro porque não teve renda suficiente. Outros 15% reforçaram essa situação dizendo que estão desempregados. Já o restante admitiu imprevistos (15%) e descontrole financeiro (12%). “O contexto econômico afetou o orçamento. Mas, mesmo com algumas melhorias na economia, os brasileiros seguem sem poupar, porque não têm uma cultura de poupança”, avaliou o financista Arthur Lemos, dizendo que, por isso, é importante escolher bem o destino do que for poupado. “Já é tão desafiador fazer sobrar dinheiro no fim do mês que, quando sobra, deveríamos buscar o investimento que entrega o maior retorno possível”, afirmou.

Não há consenso, porém, quanto à melhor fonte de investimento. Até a poupança, que é usada pela maioria dos poupadores (59%), é alvo de discussões. É que a caderneta perde rentabilidade quando a Selic fica menor que 8,5%, como acontece hoje. Diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira explicou que, com juros acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Quando os juros estão menores, porém, essa rentabilidade reduz para o equivalente a 70% da Selic mais a TR. Atualmente, como a TR está zerada e a Selic bate 6,5%, a poupança rende 0,37% ao mês ou 4,55% ao ano.

“Já a rentabilidade do Tesouro Direto entrega, ao menos, a Selic”, afirmou Lemos, que, por isso, recomenda o investimento nesse título público. “É preciso ficar atento, porém, às taxas de administração cobradas pelos bancos. Muitas são altas para um pequeno investidor. Então, a poupança pode ser boa para pequenos investimentos”, frisou Oliveira.

Com a dúvida, os poupadores têm começado a diversificar os investimentos. O Tesouro Direto, por exemplo, nunca teve tantos investidores ativos: foram 697 mil em setembro. Outra aplicação que tem crescido é a previdência privada, porque, como explicou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, com a possibilidade da Reforma da Previdência, “a preocupação com a aposentadoria começa a entrar no radar do poupador brasileiro”. Segundo o SPC Brasil, o número de poupadores que recorre a esse instrumento subiu de 9% para 19% neste ano.

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