ECONOMIA

Bolsonaro critica Petrobras e diz que 'é obrigado a mexer as peças do tabuleiro' da estatal

Presidente pediu a empresários que apoiem narrativas bolsonaristas em conversas com empregados

PetrobrasPetrobras - Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro criticou novamente nesta segunda-feira (16) a condução da Petrobras e disse que é "obrigado a mexer peças no tabuleiro", em alusão a trocas de comando da estatal e do Ministério de Minas e Energia.

O discurso foi feito a uma plateia de empresários e executivos do varejo durante a abertura da Apas Show, feira do setor em São Paulo.

  "Todos têm que ter consciência, apertar o cinto, salvar o Brasil. Como as petrolíferas no mundo todo tiveram, reduziram suas margens de lucro. Exceto a Petrobras Futebol Clube, que quer ser a campeã do mundo. (...) Nada contra empresa ter lucro, tem que ter, senão, não existe mercado livre, não existe democracia, sepulta o capitalismo e o outro lado a gente sabe que não dá certo", disse o presidente em referência à política de preços da estatal.

"E daí a gente é obrigado a mexer as peças do tabuleiro. Dói mandar alguém embora ou quando alguém pede para ir embora, dói. Não é fácil, mas as coisas acontecem e nós temos que mudar. Pior do que uma decisão mal tomada é uma indecisão", prosseguiu Bolsonaro.

As declarações ocorrem em meio à troca de comando do Ministério de Minas e Energia e a sinalizações de Bolsonaro de que pode trocar novamente a presidência da Petrobras. No último dia 11, Bolsonaro exonerou o então ministro, o almirante Bento Albuquerque, e nomeou o economista Adolfo Sachsida para o cargo.

Sachsida, o novo ministro, é conhecido por seu viés liberal-conservador e é próximo do ministro Paulo Guedes e de Bolsonaro desde antes da eleição presidencial de 2018. Neste governo, Sachsida foi secretário de Política Econômica e chefe da Assessoria Especial de Assuntos Econômicos de Guedes. 

José Mauro Ferreira Coelho, atual presidente da estatal, assumiu o cargo há um mês no lugar do almirante Joaquim Silva e Luna. Após ser demitido, Silva e Luna afirmou em entrevistas que o presidente Bolsonaro tentou intervir na gestão da Petrobras para mudar a política de preços praticada pela estatal. 

No último domingo, ao ser questionado sobre a permanência de Ferreira Coelho na estatal, Bolsonaro disse a jornalistas que deveriam fazer a pergunta a Sachsida e que tinha dado "carta branca" ao economista "para fazer valer aquilo que eles acham melhor para o seu ministério para melhor atender a população".  

Em seu discurso em São Paulo, Bolsonaro também voltou a tentar atribuir aos Estados a responsabilidade pela inflação dos combustíveis, o que contradiz os fatos. Os preços de combustível no Brasil são influenciados diretamente pela cotação internacional do barril de petróleo. A política de preços da Petrobras é a de seguir os preços internacionais da commodity, que têm tido alta voltatililidade em meio ao cenário de guerra na Ucrânia. As alíquotas do imposto estadual ICMS que incidem sobre os combustíveis, por outro lado, têm se mantido as mesmas. 

"Os senhores dependem de transporte. O preço de transporte influencia no preço lá da gôndola do supermercado. (...) Nem na hora da crise, em que o mundo está sofrendo, se pensa no próximo", reclamou Bolsonaro ao citar as alíquotas de ICMS sobre o combustível.

Em um discuso inflamado e sem mencionar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro voltou a insinuar que uma eventual vitória do petista transformaria o Brasil em um regime comunista.

Aplaudido pela plateia em diversos momentos, o presidente pediu por diversas vezes que empresários "conversem com as pessoas mais humildes" para apoiar a retórica bolsonarista. 

"Estive num almoço agora com Paulo Skaf (ex-presidente da Fiesp) e vários empresários (...) o Abílio Diniz estava presente. Em dado momento, na conversa, (...) um perguntou no final como pode me ajudar. Simples: chamei todos para a cozinha, (onde) o salário médio é 2 mil por mês. Me ajuda conversando com essas pessoas (...). Não adianta vocês reunirem, por exemplo, mil empregados e dar uma palestra para eles, não adianta nada falar do comunismo, socialismo, Venezuela, outros países. Não adianta nada, ele vai acreditar em vocês se vocês conversar (sic) todo o dia com eles. (...) Aí ele acredita em você (sic), vai realmente ter consciência de que se vier acontecer isso no Brasil, o Brasil vai para o espaço como já foi a Venezuela", afirmou. 

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