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Bolsonaro diz que 'não quer e não pode' interferir na Petrobras

Afirmação de Jair Bolsonaro foi transmitida pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros

Presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL)Presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) - Foto: Mauro Pimentel / AFP

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta terça-feira (16) que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que "não quer" e "não pode interferir" na política de preços da Petrobras. "Uma frase que o presidente disse logo no início da reunião: 'Eu não quero e não tenho direito de intervir na Petrobras. Eu não quero e não posso interferir na Petrobras'", disse Rêgo Barros.

O porta-voz fez referência a um encontro de Bolsonaro com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), realizado na tarde desta terça no Palácio do Planalto. A reunião foi convocada pelo próprio presidente no fim da última semana, logo depois de ele ter telefonado para Castello Branco pedindo que o reajuste anunciado pela estatal, de alta de 5,7% do diesel, fosse segurado.

A interferência do governo na Petrobras foi mal recebida pelo mercado e houve uma perda de R$ 32 bilhões em valor de mercado da empresa na última sexta (11). Nesta terça, tanto Albuquerque quanto Guedes deram declarações à imprensa no sentido de assegurar que a estatal tem liberdade para definir sua política de preços. "Quem vai decidir o momento e o valor [do reajuste do diesel] é a Petrobras", afirmou o ministro de Minas e Energia.

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"A política de preço é independente, a Petrobras segue o seu caminho", acrescentou Guedes. Os ministros disseram que a reunião com Bolsonaro serviu para que fossem levados ao mandatário esclarecimentos sobre como é feito o reajuste dos preços dos combustíveis. Apesar de dizer que Bolsonaro telefonou para Castello Branco apenas para pedir esclarecimentos, Guedes admitiu que a situação "dá margem à interpretação".

Para desfazer o mal-estar da interferência do presidente na semana passada, e ao mesmo tempo não gerar insatisfações nos profissionais de transportes de carga, o governo anunciou nesta terça uma série de medidas para a categoria, entre elas uma linha de crédito.

Por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) será oferecida uma linha de crédito de R$ 500 milhões para os caminhoneiros.
O valor será disponibilizado para autônomos em um montante individual de até R$ 30 mil. Além da linha de crédito, o governo anunciou uma série de outras ações para atender a categoria dos caminhoneiros. Os motoristas chamam a medida de esmola.

O Ministério da Infraestrutura recebeu, por exemplo, R$ 2 bilhões que serão investidos para a conclusão em obras prioritárias, como a pavimentação da BR-163. Desse valor, R$ 900 milhões irão para a recuperação da capacidade da malha rodoviária brasileira.

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