Bradesco trava disputa contra aplicativo

Banco pede que app deixe de coletar dados pessoais de clientes, como agência, número da conta-corrente, senha e o token

Fernando Haddad e Jair BolsonaroFernando Haddad e Jair Bolsonaro - Foto: Montagem/AFP

 

SÃO PAULO (Folhapress) - O Bradesco sofreu a primeira derrota em processo no qual acusa o aplicativo de finanças pessoais GuiaBolso de violar o sigilo dos clientes do banco. O juiz Eduardo Palma Pellegrinelli, da 11ª Vara Cível de São Paulo, negou tutela de urgência contra o app em ação que corre sob sigilo. A tutela de urgência é concedida quando o juiz entende haver risco de danos graves referentes ao objeto do processo.
Na ação, o Bradesco pede que o aplicativo deixe de coletar dados pessoais de clientes, como agência, número da conta-corrente, senha e o token, uma chave de segurança adicional. Indeferido o pedido de tutela de urgência, o processo continua correndo normalmente e ainda vai ser apreciado pela Justiça.

O GuiaBolso é usado por pessoas que querem organizar sua situação financeira. Após instalar o aplicativo, o usuário precisa fornecer a senha de acesso à conta bancária, para que o app puxe um histórico de suas movimentações financeiras nos três meses anteriores. Segundo o Bradesco, essa operação cria uma vulnerabilidade nos seus sistemas de segurança, que pode prejudicar os correntistas do banco.

Para dificultar a obtenção das informações dos clientes, indica o processo, o banco adotou medidas de segurança mais rigorosas e passou a exigir de clientes uma chave de segurança adicional para que o aplicativo acessasse as informações bancárias.
Na ação, o banco diz que, “mes­mo diante do incremen­to da segurança do seu sistema, continuavam os acessos por parte do aplicativo da ré e, pior, alguns clientes passa­ram a contatar o autor solicitando a exclusão do dispositivo adicional de segurança”.

Na decisão, Pellegrinelli diz que o próprio Bradesco foi responsável por aumentar a vulnerabilidade de seus sistemas de segurança, ao exigir essa segunda senha para que os clientes fornecessem ao GuiaBolso acesso às informações bancárias. O juiz ressalva que o aplicativo usa a senha de acesso ao site do banco, mas não a chave que possibilita a realização de transações bancárias. Pellegrinelli lembra ainda que os usuários informaram de forma consciente e voluntária suas senhas de acesso ao sistema bancário.

Em nota, o Bradesco disse que o “assunto está sub judice e o banco não comenta”. Procurado, o GuiaBolso, que já teve 3 milhões de downloads, diz que o procedimento “é totalmente seguro, se­gue normas legais e é autorizado pelo próprio cliente bancário, adotando práticas internacionalmente estabelecidas”.

 

Veja também

País só voltará a ter superávit primário em 2027, projeta ministério
economia

País só voltará a ter superávit primário em 2027, projeta ministério

INSS paga atrasados da revisão do auxílio-doença nesta semana
inss

INSS paga atrasados da revisão do auxílio-doença nesta semana