Brasil busca parceria comercial com Canadá

Com a incerteza provocada pela eleição de Trump, Governo brasileiro acelera acordo com canadenses

Secretário de Saúde, Iran Costa; Ministro da Saúde, Gilberto Occhi; e o deputado federal Fernando Monteiro recebendo título de cidadão do município de PaulistaSecretário de Saúde, Iran Costa; Ministro da Saúde, Gilberto Occhi; e o deputado federal Fernando Monteiro recebendo título de cidadão do município de Paulista - Foto: Divulgação

 

Com a eleição de Donald Trump e a perspectiva de que os EUA adotem posição refratária ao avanço de acordos comerciais, o Governo deve acelerar conversas para acertos com o Canadá, diz Marcos Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

“Considerando a imprevisibilidade que a eleição de Trump traz, está na hora de o Brasil e o Mercosul apostarem em acordos que estavam adormecidos”, afirmou o ministro à Folha. A pasta é encarregada de conduzir negociações internacionais juntamente com o Itamaraty.
Segundo ele, o tamanho da economia do Canadá (décima maior do mundo) já justificaria o movimento. Mas, além disso, há sinais recentes de que os canadenses têm real interesse num acordo. “A indústria, que nos últimos anos mudou sua posição e passou a incentivar novos acordos comerciais, tem feito chegar isso ao Governo, que apoia a aproximação”, afirma o ministro.
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que se trata de um mercado potencial bilionário e ainda pouco explorado. De acordo com a pesquisa, há oportunidades em ao menos 321 tipos de produtos que, juntos, representam um mercado de US$ 109 bilhões ao ano - hoje, o País só abocanha 1% desse montante.
Nesse grupo, estão mercadorias que o Brasil exporta a preços competitivos no mercado internacional e que o Canadá importa em grande quantidade. As maiores oportunidades estão nos setores de máquinas, alimentício, químico, de metalurgia e automotivo, aponta a pesquisa. “Estamos terminando as negociações com o México. Se fecharmos um acordo com o Canadá, estaremos bem posicionados no Nafta”, afirma Carlos Abijaodi, diretor da CNI, citando bloco que une EUA, Canadá e México.
Diálogo
De 2010 a 2012, o Brasil e o Canadá conduziram um diálogo exploratório, espécie de ensaio para a negociação do acordo de livre-comércio. O Governo brasileiro chegou a fazer consultas ao setor privado, que demonstrou interesse em prosseguir. Mas não houve avanço por resistências do Mercosul. O acordo do bloco sul-americano determina que seus membros negociem tratados em conjunto quando estes envolvem tarifas de importação. O acordo do Nafta não possui o mesmo tipo de regra.
Neste ano, canadenses e brasileiros voltaram a falar oficialmente sobre retomar as conversas para um acordo. O Canadá é hoje o 18º destino de exportações brasileiras. Mas os embarques para lá têm apresentado desempenho melhor do que muitos países. De janeiro a outubro deste ano, enquanto as vendas totais ao exterior caíram quase 5%, as exportações para o Canadá subiram 2%.
Apesar do entusiasmo em relação ao Canadá, a prioridade brasileira no momento segue sendo as negociações com a União Europeia, lembra Pereira. Segundo o ministro, há esforço concentrado do Governo para finalizar as bases do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu.

 

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