Guerra na Ucrânia

Brasil e EUA divergem sobre medidas para aumentar oferta de fertilizantes no mundo

Ministra da Agricultura defendeu a exclusão desses insumos em regimes de sanções, enquanto representante dos EUA falou sobre liberação de US$ 250 milhões para produção local

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza CristinaA ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Brasil e Estados Unidos mostraram divergências, nesta quarta-feira (16), sobre que medidas podem ser tomadas para aumentar a oferta de fertilizantes para a agricultura mundial e, com isso, evitar uma crise inédita de escassez e alta de preços de alimentos no mundo.

Durante uma mesa redonda virtual com o tema 'Insumos para Sistemas Agroalimentares Sustentáveis', enquanto a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defendia que adubos e fertilizantes sejam excluídos da lista de sanções contra países produtores como a Rússia e a Bielorrússia,  sua contraparte nos EUA, Tom Vilsack, afirmava que a saída é subsidiar esses insumos para os produtores americanos e beneficiar nações aliadas com o aumento da oferta. 

"Temos que excluir os fertilizantes dos regimes de sanções, como [ocorre com] os alimentos. Reprimir o comércio desses insumos afeta a produtividade no campo, aumenta preço de commodities, reduz a oferta e ameaça a segurança alimentar, especialmente de países mais vulneráveis", disse Tereza Cristina. 

A ministra citou a pandemia de Covid-19, que “pôs à prova a capacidade do sistema alimentar global de prover alimentos em quantidade, qualidade e preços acessíveis a todos os habitantes do planeta”. Ela destacou que, com a retomada da atividade econômica, aumentou a demanda global por produtos agropecuários em meio a uma onda inflacionária mundial. Essa situação, acrescentou, foi agravada por sanções à Bielorrússia — o governo daquele país é acusado de violação dos diireitos humanos — no ano passado e, mais recentemente, à Rússia, que entrou em guerra com a Ucrânia.
 

 

"Não podemos punir a economia de um país e colocar em risco a economia mundial. São 800 milhões de pessoas que têm fome no mundo", afirmou. 

O secretário de Agricultura dos EUA não se manifestou sobre a proposta brasileira, que conta com o apoio de outros países sul-americanos. Ele defendeu que as nações do hemisfério trabalhem para garantir um sistema sustentável de alimentos e disse que a guerra na Ucrânia terá impacto não apenas na agricultura, mas na economia como um todo.  

"A guerra é algo que veio para impactar o mundo inteiro e precisamos ter em mente que a cadeia alimentar exige uma complexidade e uma agilidade no transporte que é muito grande", disse.

Tom Vilsack lembrou que, recentemente, o governo americano anunciou que vai destinar US$ 250 milhões para financiar o aumento de fertilizantes nos EUA. Essa oferta adicional, destacou, servirá não apenas aos produtores locais, mas também para os países aliados. E enfatizou que a guerra na Ucrânia não atinge apenas os custos dos insumos, mas a própria democracia.  

"Os EUA devem trabalhar em conjunto com vocês para reduzir os custos de insumos, as mudanças climáticas e aumentar a eficiência de nossa produção regional. Recentemente anunciamos que estamos tendo mais produção de fertilizantes para nossos agricultores e para os agricultores de nossas alianças. Os EUA podem não precisar, num futuro próximo, de fertilizantes importados de outros países", enfatizou.

Vilsack afirmou que os EUA querem facilitar uma resposta humanitária na Ucrânia e mitigar os efeitos do conflito. Disse que é preciso conhecer a estrutura da cadeia alimentícia global e desenvolver ferramentas para a produção de commodities. 

"Devemos ser cautelosos para não ter políticas que intervenham de maneira pejorativa no custo das commodities. Devemos ter ferramentas para estimular a agricultura, tarifas claras e acessíveis e incentivas o plantio e o aumento da produção dos nossos produtores agrícolas", afirmou.  

Participaram do evento ministros da Agricultura das Américas, além de dirigentes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

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