Brasil e EUA: Relação é desigual, dizem especialistas

Afastamento do Mercosul também pode prejudicar a construção do acordo comercial com a União Europeia – que poderia ampliar exportações de produtos importantes para as economias brasileira e pernambucana como carne, açúcar, álcool e frutas

Presidente americano Donald TrumpPresidente americano Donald Trump - Foto: Nicholas Kamm/ AFP

As futuras relações do Brasil com o Mercosul estão preocupando os especialistas do setor. Isto porque a maior parte das exportações do País é destinada a países da América do Sul. Só a Argentina importa 70% da produção da cadeia automotiva brasileira, sendo o terceiro maior parceiro econômico do Brasil e o primeiro de Pernambuco. É para lá que escoam 38,9% de toda exportação do Estado. “A indústria brasileira não é capaz de competir com a norte-atlântica (dos EUA e da Europa Ocidental) e com a do Pacífico (Japão e China). Então, hoje, o Mercosul tem o papel de absorver grande parte da produção industrial do Brasil”, explicou Virgílio Caixeta Arraes, professor da Universidade de Brasília.

EUA, China e Europa importam volume significativo do Brasil, mas os produtos são, em sua maioria, commodities e por isso possuem baixo valor agregado. Dessa forma, deixar de lado o mercado sul-americano em detrimento dos demais não seria vantajoso. “Em um acordo comercial com países de grande porte, o que temos a oferecer a eles é soja, café, laranja, etc. O que os EUA têm para nos oferecer é alta tecnologia, peças, produtos elaborados e semielaborados. Ou seja, é uma relação muito desigual”, disse Charles Pennaforte, professor da Universidade Federal de Pelotas e coordenador do grupo de pesquisa CNPQ Geopolítica e Mercosul. “Esse é o grande problema. Dentro do bloco, o Brasil consegue manter certo equilíbrio, já que os outros países não têm nosso parque industrial”. “Se o Mercosul não for prioridade, o setor que terá mais impacto é a indústria”, pontuou Caixeta Arraes.

Um afastamento do Mercosul também pode prejudicar a construção do acordo comercial com a União Europeia – que poderia ampliar exportações de produtos importantes para as economias brasileira e pernambucana como carne, açúcar, álcool e frutas. “A União Europeia prefere negociar em blocos. E, como o Brasil é o principal patrocinador do Mercosul, essa negociação pode parar”, avaliou Bianor Teodósio, dizendo que o entendimento político também pode dificultar essa tratativa.

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