Brasil e União Europeia juntos pelo comércio justo

Recife recebeu o 2º Fórum sobre Comércio Justo e Ético entre União Europeia e Brasil.

2º Fórum sobre Comércio Justo e Ético entre União Europeia e Brasil2º Fórum sobre Comércio Justo e Ético entre União Europeia e Brasil - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Para o consumidor da atualidade, apenas o produto ou serviço não basta para decidir uma compra - mais que isso, o posicionamento da marca sobre questões sociais torna-se um critério para o consumo. Na Europa, os compradores orientados por essa crença já são maioria, fazendo do continente o maior mercado para o comércio justo do mundo. De acordo com o Serviço de Pesquisa do Parlamento Europeu, dois terços das compras mundiais de produtos justos e éticos são realizados pelos países europeus.

Em um Brasil abastecido pela agricultura familiar, que sozinha é responsável por US$ 55,2 bilhões (65%) da produção total (US$ 84,6 bilhões) de alimento do País, a cooperação com a União Europeia (UE) é opção de escoamento para os itens produzidos dentro de requisitos éticos e sustentáveis: o casamento perfeito entre oferta e demanda. Pensando nisso, a União Europeia investiu €$ 300 mil para impulsionar as relações de comércio justo, ou fair trade, com o País. Em uma das ações promovidas com o orçamento, o Recife recebeu, nessa quinta-feira (6), o 2º Fórum sobre Comércio Justo e Ético entre União Europeia e Brasil.  O primeiro evento aconteceu no Rio de Janeiro, em junho, ambos com o propósito de reunir produtores brasileiros, importadores da UE, formuladores de políticas e consumidores em um ambiente de discussão.

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“O Brasil é a maior economia na América Latina, mas, no setor do comercio ético e solidário, ainda não está tão desenvolvido como mereceria. Efetivamente, há muito que fazer para apoiar os esforços brasileiros no setor, e, por isso, a UE está comprometida a apoiar o País com este projeto”, afirmou Michele Villani, diretor da seção de Comércio na delegação da União Europeia no Brasil.  “O consumidor europeu está pronto para pagar mais que o preço normal sabendo que os produto chegam de uma situação sustentável de produtores locais organizados em associações e assegurando um preço justo”, disse.

Na definição, o comércio justo é uma ferramenta para organização de cooperativas e associações de produtores. “A principal função dele é aproximar o pequeno produtor e os trabalhadores desses mercados compradores. Porque a gente sabe que é muito difícil um agricultor que tem uma produção pequena conseguir acessar um mercado da Europa, dos Estados Unidos, com o volume de produção que ele tem. Através do comércio justo, quando ele está numa cooperativa ou associação, esse volume que era pequeno cresce e se torna viável para fazer uma exportação”, explicou Jackeline Donna, gestora de fortalecimento e desenvolvimento da CLAC no Brasil.

Hoje o Brasil exporta café, suco de laranja, frutas frescas - manga, limão, papaia -, mel e castanhas com certificado fair trade. Ter a produção certificada nas entidades significa o cumprimento da legislação ambiental e trabalhista. Por meio da prática, garante-se uma produção baseada na sustentabilidade, com preços justos para quem produz, vende e compra.

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