Brasil lançará sua primeira missão à Lua

Projeto reúne pesquisadores dos centros de excelência em espaço no País

Cientista político Hely FerreiraCientista político Hely Ferreira - Foto: Folha de Pernambuco

 

Um time de cientistas de instituições de ponta do Brasil, com parceria da iniciativa privada, pretende lançar até 2020 a primeira missão do País à Lua: um nanossatélite com experimentos científicos. Batizado de Garatéa-L, ele terá o objetivo de realizar pesquisas para estudar características da vida no espaço.

Os brasileiros pretendem aproveitar um dos nichos mais promissores da exploração espacial. Enquanto os dispositivos tradicionais são geringonças que ultrapassam as três toneladas, os nanossatélites chamados cubesats são mais compactos, mais baratos e têm menos de 8 kg.

“O fato de eles serem pequenos não os torna menos poderosos. Muitas empresas eram céticas sobre essa ideia, mas hoje a área recebe bastante investimento. Os bons resultados atraíram as maiores fabricantes do mundo”, disse Lucas Fonseca, engenheiro espacial da empresa privada Airvantis, parceira do projeto, e gerente do Garatéa-L.

O projeto reúne pesquisadores dos centros de excelência em espaço do Brasil: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a USP, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Instituto Mauá de Tecnologia e a PUC-RS. A missão custará R$ 35 milhões e a captação de verbas ainda não teve início. O financiamento é o principal obstáculo. “É mais fácil fazer ciência de ponta na Lua do que conseguir as verbas necessárias”, destacou Fonseca. 

Nos mais de 50 anos do programa espacial brasileiro, não faltaram planos para explorar o espaço profundo, mas as iniciativas geralmente esbarravam na falta de recursos.
A equipe decidiu então buscar fontes alternativas de financiamento, além de pleitear verbas de agências de fomento.

A ideia é criar uma combinação com investimentos privados, tanto através de patrocínio como também de negociação de royalties e direitos de uso do conhecimento gerado e até de eventuais patentes.

Busca vida
O nome da missão vem do tupi-guarani –garatéa significa busca vida. O “L” foi acrescentado para indicar a missão lunar. O cientista principal da missão, Douglas Galante, apressa-se em explicar que não se trata de uma tentativa de buscar vida no satélite. “O que nós tentamos fazer agora é usar um satélite na Lua para testar os limites da vida em ambiente hostil", diz o pesquisador do LNLS.

Quando estamos na Terra, seu campo magnético serve como um escudo contra a perigosa radiação que vem do espaço. Fora do planeta, essa defesa contra os efeitos nocivos dos raios cósmicos já não existe. E são precisamente os efeitos disso que os pesquisadores querem analisar.

 

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