Brasil mantém decisão de ingressar na OCDE, diz secretário de política externa comercial

Ele, contudo, diz que há países da região dispostos a discutir uma flexibilização das regras de tratamento especial

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

Sem mencionar o possível recuo do governo americano quanto ao apoio à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o secretário de política externa comercial e econômica do Itamaraty, Norberto Moretti, disse nesta quinta-feira (10) que o país mantém a decisão de integrar a organização.

"O processo [de entrada à OCDE] não é simples, e não é meramente técnico, é político. Independentemente disso, mantém-se a decisão do governo brasileiro em integrar a OCDE", afirmou a uma palestra de empresários e executivos no Fórum de Investimentos Brasil, em São Paulo.

Para o diplomata, "é via convergência regulatória crescente que nos integraremos a economia brasileira à mundial" e à OCDE.  Moretti diz que o Brasil entende que a Organização Mundial do Comércio (OMC) é importante e afirmou que os países latino-americanos defendem o tratamento especial a países em desenvolvimento, uma condição da que o governo Bolsonaro abriu mão para em troca do apoio dos EUA ao seu ingresso na organização.

Leia também:
Governo Trump apoia Argentina no lugar do Brasil para OCDE
EUA não vão mais apoiar o ingresso do Brasil na OCDE, diz agência 

O diplomata, contudo, diz que há países da região dispostos a discutir uma flexibilização das regras de tratamento especial. O secretário especial de de Comércio Exterior, que participou da mesa de debates com Moretti, não fez comentários sobre o tema.

Reação à carta do governo Trump
Para pessoas familiarizadas com as negociações para a entrada do Brasil nos Estados Unidos, a carta do secretário de Estado americano Mike Pompeo ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, não significa uma oposição de Trump ao ingresso do Brasil na organização.

Segundo eles, há uma disputa entre americanos e europeus sobre os critérios de entrada na organização, bem como uma avaliação do governo Trump de que a atual gestão da OCDE é muito europeizada.

Uma hipótese aventada por essas fontes é a de que a adoção do critério cronológico de entrada na OCDE, defendido pelos EUA na carta a Gurria, poderia beneficiar o governo Macri, que enfrenta dificuldades em meio a um período eleitoral. Ao mesmo tempo, limitaria a entrada de mais países europeus até a troca de comando da organização, que será em 2020.

A participação do secretário-geral adjunto da OCDE, Ludger Schuknecht, no Brasil, e sua fala elogiosa sobre o processo de reformas econômicas promovidas pelo governo Bolsonaro são tidas como sinal de que não há resistências entre os países-membros da organização ao ingresso do país.

Veja também

Brasil tem espaço para novo auxílio emergencial 'bem modesto', diz Fitch
Economia

Brasil tem espaço para novo auxílio emergencial 'bem modesto', diz Fitch

Governo lança revitalização do sistema de alta tensão de Furnas
Itaipu

Governo lança revitalização do sistema de alta tensão de Furnas