Brasil pede vaga à OCDE

Secretário-geral da Organização diz que País não deve ter problemas para ver aprovado o seu pedido de adesão

“Brasil já é da família, como um primo próximo”, diz Gurría“Brasil já é da família, como um primo próximo”, diz Gurría - Foto: Elza Fiúza/abr

O Brasil não deve ter problemas para ver aprovado seu pedido de adesão à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), garantiu o secretário-geral do organismo, Angel Gurría, em entrevista à Folha de S.Paulo antes da abertura da reunião do conselho de ministros do grupo, em sua sede, em Paris. "O Brasil cumpre plenamente com todas as condições prévias. Já é da família, como um primo muito próximo", disse.

Na semana passada, o Governo brasileiro enviou um pedido formal de adesão à OCDE, colocando fim a anos de especulação sobre uma possível entrada oficial do País no grupo. A candidatura precisa, agora, ser aprovada pelo conselho da organização, composto por representantes de seus 35 países membros. A partir daí, terão início as negociações de entrada.

"A partir de hoje, os membros [da OCDE] vão começar a discutir [sobre o pedido de adesão]. Em 12 de julho, haverá uma decisão para iniciar o processo", disse Gurría. Ele acredita que a proximidade e a longa colaboração entre Brasil e OCDE vão ajudar acelerar o processo.

A rapidez do processo de análise do pedido se deve, segundo Gurría, à longa história de cooperação entre OCDE e Brasil, iniciada nos anos 1990 e elevada a um outro nível em 2007, quando o País passou a ser considerado "parceiro-chave" do organismo.

Dado o sinal verde à candidatura, o processo de adesão deve, no entanto, ter a mesma duração média de outros países: cerca de três anos. "O Brasil vai entrar numa interlocução com 25 comitês diferentes, cada um separadamente e em temas como saúde, educação, impostos, corrupção, transparência", entre outros, explicou Gurría.

Crise

Sobre a crise política vivida no País e seu possível impacto sobre a candidatura brasileira, Gurría disse que a OCDE segue "com muito interesse os acontecimentos no Brasil" e que o organismo continuará o processo de "avançar na parte substancial em todos esses comitês, que seguirão trabalhando em paralelo" às decisões da política nacional.

"O que é muito importante é a forma como se resolve e como se abordam [os problemas políticos], que seja pela via constitucional e pela via da legalidade", concluiu Gurría. A Organização afirma em seu relatório sobre perspectivas econômicas divulgado ontem que a incerteza política no Brasil representa "riscos significativos" ao crescimento econômico do País.

A afirmação, contudo, não preocupou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que está na sede da OCDE, em Paris, para acompanhar a reunião ministerial. O ministro acredita que órgão não se refere aos recentes escândalos envolvendo o presidente Michel Temer e pessoas ligadas a ele e não é a principal preocupação dos investidores.

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