Brasil quer parceria com Índia para transformar etanol em commodity

Para Bento Albuquerque, parceria entre os dois países é estratégica

Ministro de Minas e Energia, Bento AlbuquerqueMinistro de Minas e Energia, Bento Albuquerque - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Leia também

• Coronavírus já matou 26 pessoas; OMS mantém alerta permanente

• Wuhan terá em fevereiro hospital para infectados pelo coronavírus

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse acreditar em parceria entre o Brasil e a Índia para transformar o etanol em uma commodity global. O ministro participou nesta quinta-feira (23) de seminário sobre oportunidades de negócios entre os dois países nas áreas de energia e mineração, em Nova Dhéli, na Índia.

“O Brasil é o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar no mundo. A Índia é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e acho que nós devemos e podemos cooperar nesse âmbito”, disse o ministro em entrevista à TV Brasil. “Essa cooperação envolve o desenvolvimento de tecnologias e o propósito disto vai beneficiar a todos. É o etanol, o biocombustível, se tornando uma commodity internacional”, acrescentou.

De acordo com o ministro, a cooperação entre os dois países é estratégica, porque a Índia possui o mercado energético que mais cresce no mundo e deve se tornar o principal importador mundial de energia nos próximos anos. O país asiático importa 80% do petróleo que consome, e um dos seus exportadores é o Brasil. O produto é o item de maior peso no comércio bilateral dos dois países.

“O Brasil já tem essa relação com a Índia e desde o ano passado nos tornamos exportadores de petróleo, nossa produção está aumentando, vai continuar a aumentar e achamos que a importação da Índia nos próximos anos vai crescer. Até porque a índia será o maior importador de energia do mundo”, afirmou.

Leia também:
Bolsonaro se reúne na Índia com primeiro-ministro por comércio e alívio de crises domésticas
Bolsonaro deve assinar de 10 a 12 acordos comerciais em viagem à Índia


O evento teve ainda a participação da ministra da Agricultura, Tereza Cristina e do ministro de Energia e de Recursos Novos e Renováveis da Índia, Raj Kumar. Durante a passagem do ministro pela Índia, o governo brasileiro vai firmar três memorandos de entendimento nos setores de petróleo, gás e biocombustíveis; energias renováveis (como solar, eólica) e mineração.

“Estamos falando de dois países grandes, o Brasil é a nona economia do mundo, a índia é a quinta. Temos complementaridades imensas nos setores de energia, petróleo, gás, biocombustíveis, geração de energia solar, eólica, e também de biomassa e a mineração”, disse Albuquerque.

O ministro destacou o interesse indiano em aumentar os investimentos no setor de energia no país. Atualmente, a Índia tem investimentos relacionados a transmissão de energia. Há a possibilidade de que as empresas indianas também passem a atuar no segmento de geração de energia.

Já no setor de mineração, o Brasil quer ampliar a exportação de ouro para a Índia. “Já exportamos ouro para a Índia e podemos aumentar muito mais essa cooperação. A Índia tem cerca de 95 commodities minerais e o Brasil cerca de 80. Temos muito a aprender e trocar com esse setor”, disse o ministro.

Dados do ministério mostram que o setor mineral, fechou 2019 com superávit de US$ 21,9 bilhões, somando exportações de US$ 46,5 bilhões e importações de US$ 24,6 bilhões. No total das exportações do país, o setor representou 20,8% dos US$ 224 bilhões em bens exportados pelo país.

Veja também

Cidadão poderá contestar via Dataprev negativa do auxílio emergencial
Auxílio

Cidadão poderá contestar via Dataprev negativa do auxílio emergencial

Semana Brasil terá edição 2020 e deve ajudar na retomada da economia
Economia

Semana Brasil terá edição 2020 e deve ajudar na retomada da economia