Brasil tem a população mais insatisfeita do mundo com infraestrutura

Pesquisa da Ipsos mostra que 60% da população não está satisfeita com as condições das rodovias, aeroportos e conexões de internet

Segundo a Confederação dos Transportes, 2/3 da malha rodoviária têm alguma deficiênciaSegundo a Confederação dos Transportes, 2/3 da malha rodoviária têm alguma deficiência - Foto: Brenda Alcântara

 

O Brasil tem a população mais insatisfeita do mundo em relação à infraestrutura. De acordo com uma pesquisa da Ipsos, 60% dos brasileiros não estão satisfeitos com as condições das rodovias, aeroportos e conexões de internet do País. E, apesar de acreditar que o investimento neste setor é vital para o desenvolvimento nacional, 67% da população diz que o País não faz o suficiente para atender às suas demandas estruturais. É a pior avaliação registrada dentre os 28 países avaliados no estudo.

A pesquisa da Ipsos mostra que a média global de insatisfação, que bate os 60% no Brasil, é de apenas 30% e chega a 15% no Japão. Em países desenvolvidos como França, Alemanha e Canadá, esse número não passa de 20%. Mas até os países emergentes estão melhores que o Brasil. Na Rússia, por exemplo, a insatisfação atinge 32% da população - mesmo nível que o da Grã Bretanha. E, na Índia, chega a 17%. “O brasileiro é o mais insatisfeito. E isso quer dizer que nós precisamos melhorar a infraestrutura como um todo”, afirmou o diretor de relações públicas da Ipsos, Danilo Cersosimo, frisando que o brasileiro também fez a pior avaliação de setores fundamentais como rodovias e aeroportos. “E infelizmente não nos surpreende o fato de estarmos lá em baixo nas pesquisas. Afinal, as expectativas geradas pela Copa e pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foram altíssimas, mas não foram cumpridas. Então, as pessoas ficaram insatisfeitas”, disse.

Nas estradas, por exemplo, o sentimento de que faltam condições adequadas de utilização: apenas 29% dos brasileiros disseram aprovar as rodovias do País. O número é bem menor que o do penúltimo lugar do ranking: a Hungria (41%). E, segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), reflete bem a realidade nacional. “Tem havido uma piora na nossa infraestrutura rodoviária. De 2016 para 2017, a avaliação de ruim e péssimo saltou de 58,2% para 61,85% das estradas brasileiras. Isso é extremamente preocupante, pois mostra que estamos chegando a um cenário em que quase 2/3 da malha rodoviária têm algum tipo de deficiência”, lamentou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, lembrando que é a população que paga o preço dessa falta de cuidados com a infraestrutura. É que o custo operacional do frete já representa um custo adicional de 27% nos produtos que são vendidos no País.

Mas também há prejuízos e insatisfação em outros setores. Os aeroportos, por exemplo, são bem avaliados por 47% dos brasileiros. Mas, no mundo, essa média é de 68%. “Os passageiros se acostumaram com bons aeroportos na Europa, Estados Unidos e até África do Sul. Mas, aqui, ainda têm problemas de acesso, conforto, preço. Muitos equipamentos eletrônicos que funcionam com neve na Europa, por exemplo, param com uma chuva forte aqui”, criticou o professor da área de lazer e turismo da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Trigo.

Quando se fala em internet banda larga, não é muito diferente. A média global de satisfação é de 56%. Já a brasileira é de 37%, a terceira pior do mundo, atrás apenas da Itália (35%) e Austrália (32%). E, na opinião do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), esta avaliação pode ser ainda pior no Nordeste. “Por conta da diversidade da sua distribuição socioeconômica, o Brasil tem áreas cuja internet se compara à da Europa e outras áreas similares as dos países africanos. E o Norte/Nordeste sente mais problemas que o Sul/Sudeste, já que acessa a banda larga sobretudo pela via móvel”, explicou o diretor de Desenvolvimento do NIC.br, Milton Kashiwakura.

“Os resultados de fato chamam atenção, sobretudo porque vêm depois de um período de Copa do Mundo, Olímpiadas e promessas de investimento fortíssimas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Ou seja, estamos vindo de uma década em que a infraestrutura deveria ter mudado bastante. Mas a percepção é de que os problemas não foram eliminados. É uma pena que seja assim”, analisou o diretor do Ipsos, explicando que isso pode trazer um atraso gigantesco para o Brasil. “Este é um investimento que pode trazer benefícios de curto, médio e longo prazo. Mas não existe uma discussão de desenvolvimento sustentável quando se fala em infraestrutura no País.

Basta ver que, ao contrário de países desenvolvidos que fazem coisas para durar muito tempo, o Brasil tem muitas obras frágeis e sem utilidade. Além disso, o setor de infaretsrutura esteva muito envolvido nos recentes escândalos de corrupção. Isso tem atrapalhado ainda mais a condução da pauta, porque deixa a opinião pública receosa de novos desvios”, lamentou.

 

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