Brasileiros passam mais tempo sem emprego

Prazo de duração do desemprego subiu de 12 meses (em 2016) para 14 meses (em 2017), segundo estudo do SPC Brasil e CNDL

De acordo com o IBGE, 4,833 milhões de pessoas gostariam de trabalhar mas não procuraram emprego no trimestreDe acordo com o IBGE, 4,833 milhões de pessoas gostariam de trabalhar mas não procuraram emprego no trimestre - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Brasil começa a registrar uma leve recuperação econômica, mas o cenário para quem está desempregado continua delicado. E o último dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta 12,3 milhões de pessoas desempregadas no País. Para piorar, pesquisa divulgada ontem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que o tempo médio de desemprego chegou a 14 meses, maior que os 12 meses observados em 2016.

Há um ano e nove meses desempregado, o auxiliar administrativo Petrucio Bezerra da Silva, 37 anos, perdeu a vaga após a escola onde trabalhava fechar devido às dificuldades econômicas. Desde então, ele busca uma nova oportunidade. “Trabalhei nesse local de carteira assinada durante cinco anos. Ajudava minha mãe com as contas de casa, mas hoje ela está sustentando tudo. Estou colocando currículos, surgem entrevistas, mas a concorrência é grande”, disse Silva, que tem a expectativa de voltar ao mercado este ano.

De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a retomada do emprego ainda é um processo lento. “Mesmo vivendo um momento de recuperação, para quem está fora do mercado de trabalho está difícil. Não adianta apenas a taxa de desemprego cair, é importante também os empresários enxergarem a venda crescer para poder ter confiança na contratação”, explicou ela.

Leia também:
Desemprego encerra 2017 em queda, mas média é a mais alta desde 2012
Desemprego deve continuar estável no mundo em 2018, diz OIT em relatório

Para conseguir voltar ao mercado, a maioria dos trabalhadores está disposta a ganhar menos que no último emprego, 61% deles, segundo a pesquisa. Porém, esse número teve uma diminuição em relação à pesquisa anterior, feita no fim de 2016 e que registrou 68% de pessoas dispostas a receber um valor menor. “Com menos gente aceitando ganhar menos, a confiança cresce. Isso pode ajudar o novo contratado a melhorar o salário, já que os empresários enxergam esse número para avaliar no momento da contratação”, registrou Marcela.

Após sair do último emprego em janeiro deste ano, Rafaela Taís de Lima, 23 anos, não descartaria receber um valor menor. “Houve uma diminuição no quadro de funcionários e não pude continuar como recepcionista de um salão de beleza. E com uma filha de seis meses, além de gastos fixos, como água e energia, a gente precisa avaliar as condições e aceitar as propostas, já que é dinheiro de todo jeito”, disse Rafaela.

Para este ano, a economista do SPC Brasil ainda espera uma melhora tímida. “Números maiores do trabalho informal são típicos da volta de uma recessão. Esse ano não deve ter dados extraordinários, mas uma melhora no mercado de trabalho”, finalizou Marcela.

Veja também

Banco Central registra recorde de remessas de dólares para Brasil
Moeda

Banco Central registra recorde de remessas de dólares para Brasil

Bolsonaro se irrita com homem que pediu para baixar preço do arroz
Arroz

Bolsonaro se irrita com homem que pediu para baixar preço do arroz