BRB apresenta nesta sexta-feira ao BC alternativas para recompor ao menos R$ 5 bi em seu balanço
Ação foi determinada pelo Banco Central após compra de carteiras de crédito do Master
O Banco de Brasília (BRB) encaminha ao Banco Central (BC), nesta sexta-feira, um plano de ações para reforçar, em pelo menos R$ 5 bilhões, a composição e a robustez de seu próprio balanço.
A determinação veio após o banco público controlado pelo governo do Distrito Federal comprar carteiras de crédito do Master. O banco de Daniel Vorcaro devolveu R$ 10 bilhões em ativos, após o alerta do BC.
O documento que será apresentado ao BC envolve um leque de cinco alternativas, mas não vai citar o volume a ser recuperado.
A estratégia da nova diretoria do BRB é vender toda a carteira adquirida do Master no volume total de R$ 21,9 bilhões e, assim, reduzir a necessidade de aporte para reforçar o capital do banco do Distrito Federal. O presidente da instituição, Nelson de Souza, está em tratativas com o mercado para se desfazer dos ativos.
As medidas elencadas no plano terão que partir do controlador, o governo do Distrito Federal.
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Veja as alternativas:
Repasse direto do Tesouro do Distrito Federal;
Linha de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
Empréstimo concedido por um consórcio de bancos;
Repasse de ações de empresas estatais;
Criação de um fundo imobiliário com ativos do governo local como garantia.
A direção do banco tem até 31 de março para apresentar o balanço de 2025. Até lá, será preciso definir o valor exato a ser provisionado (reservado).
Como mostrou O Globo, o resultado da necessidade de provisionamento do BRB dependerá das operações de vendas a serem executadas pelo banco estatal e uma empresa contratada, cujo rendimento estará atrelado a uma “taxa de sucesso”.
Esse processo de venda de ativos começou no fim do mês passado.
O Master vendeu ao banco público uma série de carteiras de crédito, que envolvem direitos sobre empréstimos. Ao analisar as carteiras de crédito transferidas pelo Master ao BRB, o BC encontrou indícios de inconsistências e fraudes em cerca de R$ 12,2 bilhões. As duas instituições negam qualquer irregularidade, mas o Master apresentou outros ativos para o lugar das carteiras com problemas — o que agora está sob processo de venda.

