Cabo-verdianos estendem as mãos aos pernambucanos

Através da Cabo Verde Airlines, país quer ampliar ponte com brasileiros aumentando frequência de voos semanais e oferecendo stopover

Cabo Verde tem tudo para se tornar um hub mais importante.Cabo Verde tem tudo para se tornar um hub mais importante. - Foto: Divulgação

ILHA DO SAL (CABO VERDE) - No caminho entre o Recife e a Europa está situada a nação estrangeira que mais tem a ver com o Brasil. Seja pelo idioma falado, o português; pela cultura efervescente, herança dos ancestrais africanos; ou pela “morabeza”, um regionalismo oriundo da língua crioula que explica a forma amável como os locais se relacionam. A pulsante e encantadora Cabo Verde, distante apenas cerca de quatro horas de avião, tem experiências incríveis a oferecer, sobretudo aos brasileiros, povo tão adorado pelos cabo-verdianos, que agora estão prestes a ampliar as portas de entrada para os pernambucanos através da Cabo Verde Airlines.

Os dois pilares do esforço da companhia em tentar aperfeiçoar essa ponte estão sedimentados no aumento da frequência de voos semanais e a oferta do stopover no país africano. Criado em 1966 pela Icelandair, grupo islandês que assumiu em 2017 a gestão do negócio internacional da empresa pública de transportes aéreos de Cabo Verde, a TACV, o stopover é um bônus oferecido por algumas companhias aéreas que possibilita ao passageiro efetuar uma parada em outro país antes do destino final sem custos adicionais no preço da passagem.

Tal serviço é bastante difundido por empresas como a TAP, mas também já ofertado pela Cabo Verde Airlines, que visa se posicionar de forma mais firme no mercado se mostrando como uma opção atrativa, principalmente para os passageiros que tem a Europa como destino final. “Temos tarifas mais competitivas que a TAP”, atestou o CEO da empresa, Mário Chaves, que recebeu nesta semana jornalistas e profissionais de turismo do Estado na Ilha do Sal.

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A afirmativa do executivo, ex-piloto do grupo português, tem fundamento. Basta perceber que a tarifa de uma passagem ida (12/04) e volta (25/04) Recife-Lisboa custa R$ 2,3 mil pela Cabo Verde Airlines, com base na cotação atual do dólar – cerca de R$ 800 a menos que a TAP -, e tendo a opção do stopover na Ilha do Sal de até sete dias. Mas as capitais de Portugal e de Pernambuco, onde a companhia está presente com voos desde 2015, não são as únicas opções de origem e destino ofertadas pela cabo-verdiana no Brasil e na Europa.

Há também saídas de Fortaleza, rota mais consolidada em relação ao Recife - e em breve a partir de Salvador -, para Milão e a capital francesa. “Agora podemos ter uma ligação mais eficiente para Paris, por exemplo”, oferta o CEO da companhia, responsável por também fazer a ligação entre as outras ilhas do Arquipélago.

Pela localização estratégica que possui, Cabo Verde tem tudo para se tornar um hub ainda mais importante. Fica a menos de uma hora da costa Ocidental da África e a quatro da Europa e do Brasil, dois importantes mercados, fato que a Cabo Verde Airlines pretende explorar com mais intensidade.

“Queremos servir como uma alternativa de ligação entre os quatro continentes”, almeja Mário Chaves. “Estamos em um mundo em que as pessoas querem conhecer lugares diferentes e que, se possível, seja um local onde fale português, um português ligeiramente diferente, com uma cultura própria, mas ligada à nossa”.

Ilha do Sal


A ponte entre pernambucanos e cabo-verdianos será reforçada com o aumento da frequência de um para três voos semanais do Recife para a Ilha do Sal, principal destino turístico do país, já a partir de abril. “Queremos recuperar este mercado no Brasil e mostrar o que a Cabo Verde Airlines, com a sua transformação, é capaz de dar a Pernambuco”, explica o executivo. Segundo ele, mais seis destinos estão em fase de estudo para serem inaugurados pela companhia nos próximos quatro anos. “Pode ter algum que surpreenda no verão e que é muito popular no Recife”, sentenciou Mário Chaves, sem, no entanto, revelar qual será a rota. Com o incremento de voos entre a Capital pernambucana e o país africano, somada à divulgação do destino no Brasil, a companhia espera que a ocupação média das aeronaves salte dos atuais 50% para a ocupação quase máxima.

 

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